quarta-feira, 22 de maio de 2019

Eu quero fugir da lógica do negociador

A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR, estando o poeta na última hora de sua vida

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
da vossa alta clemência me despido;
porque, quanto mais tenho delinqüido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido:
que a mesma culpa, que vos há ofendido
vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada
glória tal e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na sacra história,

eu sou Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha, a vossa glória.
(Gregório de Matos) 

Mas o que, afinal, significa para nós a cruz de Cristo? O poema de Gregório de Matos é presunçoso, porque tenta fechar Deus exatamente na lógica libertina atacada por Paulo em sua carta aos Romanos: "permaneceremos no pecado para que a Graça abunde?". Lógica que, antes de tudo, é demoníaca, por ser a mesma que o diabo usa ao tentar Jesus no deserto. O poema não foi recitado na hora da morte do poeta, mas foi composto para garantir sua salvação quando a sua última hora chegasse! O poeta pretende levar a sua vida mergulhado nos prazeres, contando que, no momento derradeiro, poderá apelar à glória de Deus. Veja: Se a glória de Deus está em perdoar, então, Deus não colocaria em risco a sua glória, perdendo aquela ovelha por mais pecadora que ela fosse! Em outras palavras, Deus tem a obrigação de perdoar, não por causa da Graça, mas para que Ele não saia envergonhado dessa história...

Eu quero fugir da lógica do negociador. Há no poema de Gregório de Matos um negociador dividido entre os prazeres de uma vida passageira e a esperança da salvação eterna. Perceba que ele está olhando e dialogando com Jesus pregado naquela cruz. Intencional ou não, o fato é que o negociador está ali para denunciar a nossa própria contradição entre o sagrado e o profano, entre o Céu e o inferno, entre o espírito e a carne, entre a razão e a emoção.  

“É um fato que conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica uma mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente mudança de cosmovisão”, diz-nos o Rev. Augustus Nicodemus no artigo: “A alma católica dos evangélicos no Brasil”. Neste artigo, o Rev. Nicodemus faz um exame da Igreja Evangélica Brasileira e do por que ela ainda encontra-se tão entranhada na cosmovisão romana. Eu gostaria de confessar aqui que creio que a alma de todos nós seja mesmo, especificadamente, barroca, à semelhança do negociador do poema de Gregório. Explico-me.

O Barroco é a arte da Contra-Reforma Protestante. Há, nesse período histórico entre os anos de 1600 e 1700, mais ou menos, a manifestação dessa tensão do espírito católico-romano em crise: o barroco precisava expressar esteticamente o Concílio de Trento. E conseguiu! O Barroco é o espírito religioso que se depravou na Queda e que, naquele período da Contra-Reforma, finalmente, encontrou o momento perfeito para sistematizar sua teologia e se difundir artisticamente como nunca antes havia conseguido. 


Assim, o espírito da Religião reagiu à Revelação! E esse espírito de contra-ataque foi a Religião que nos catequizou desde a fixação dos portugueses no Brasil. Por isso, afirmo que nossa cosmovisão foi fortemente moldada pelos ditames da religião da Contra-Reforma, especialmente. Daí, em nossas igrejas ou em nossas práticas devocionais, sermos tão parecidos com o negociador presunçoso e soberbo do poema de Gregório. Somos mercantilistas, somos exigentes, somos meritórios em nossas expectativas religiosas e, se preciso for, não tardaremos até mesmo em citar os devidos versos bíblicos contra o Deus da Revelação. Tudo isso é porque existe um outro deus aqui dentro de nós, um deus barroco, um deus torto, um deus religiosamente humanista e presunçoso. Um deus manipulador que surgiu em nós antes do cristianismo existir, mais exatamente, quando nos deixamos levar pela lógica da serpente do Éden. Assim, no fundo, somos todos barrocos. Por isso, precisamos ser resgatados.

Deixo aqui o poema de Gregório, pois sei que, especialmente hoje, muitos de nós olharão para o sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. E sei que, se não nos atentarmos, continuaremos soberbos, presunçosos, arrogantes, querendo fazer com que o próprio Deus tropece na Palavra dEle. A minha carne quer diariamente negociar com Deus, colocando-o à prova e fazendo dele um deus menor, acuado, mínimo, fraco e ainda pregado à cruz daquele calvário. Mas eu quero fugir da lógica do negociador. O meu Jesus já ressuscitou e está vivo e não se renderá à vaidade dos meus argumentos antiéticos, assim como não cedeu no deserto à oratória do diabo.

Originalmente postado aqui (21/04/2011).

sábado, 18 de maio de 2019

A pedagogia da mentira numa digressão de 3 parágrafos

Você já parou para pensar que, para a maioria das pessoas, uma folha de papel cheia de palavras é igual a um painel de controle de avião? E que o mesmo ocorre diante de uma folha da Bíblia? E eu não estou falando sobre pessoas que não sabem ler. 

Infelizmente, uma folha aberta de uma Bíblia, para muitos jovens e adultos de Ensino Médio e Universitários, continua a ser um painel de controle de avião. As palavras estão todas ali, mas e daí? Wittgenstein é quem faz essa comparação entre uma folha cheia de palavras e o painel de controle do avião. Ele faz isso para nos chamar a atenção sobre o problema da comunicação humana.

Assim, não é de admirar que as pessoas prefiram o caminho mais curto, a porta mais larga do argumentum ad verecundiam ou argumentum magister dixit, que é a falácia de se apelar a uma autoridade humana. Isso tem levado muitos a se deixarem nas mãos de falsos pastores e igrejas manipuladoras e, quando perguntados sobre por que eles se deixam levar pelo abuso espiritual, a resposta é sempre a mesma: "o pastor disse", "a profetisa falou", o "ungido determinou", etc. O apelo é sempre às pessoas que possuem uma pretensa "autoridade espiritual". A partir disso, vemos uma multidão seguindo profetas, apóstolos e igrejas de "poder", enquanto a ignorância bíblica e a habilidade de aplicar suas verdades à prática diária se aprofundam cada vez mais.

Enquanto escrevo este texto, farei uma digressão, pois não posso deixar de pensar na minha filha mais velha, que vem estudando tenazmente para o vestibular, Enem e outras coisinhas semelhantes. O que tem me surpreendido é a orientação da escola quanto à produção das redações: é preciso citações! Ainda que você não tenha lido o livro de Fulano e de Ciclano (e a maioria dos colegas de sala de aula da minha filha realmente nunca leu um livro sequer desses tais autores), é preciso, contudo, segundo a orientação dos "grandes mestres da redação", que sua redação apele à autoridade desses filósofos, sociólogos, personagens históricos e tantos outros. E eu vejo os colegas da minha filha buscando na internet aqueles sites de páginas de citações, para rechear seus textos de frases de pessoas que eles sequer um dia tinham ouvido falar, mas que seus professores citam. O que me faz pensar que esses professores podem também estar apenas citando o que citaram para eles num ciclo tenebroso de papagaismo educacional!

Há algo muito grave no que eu escrevi no parágrafo anterior. A escola é o lugar em que nossos filhos mais passam o tempo deles. Eles passam mais tempo na escola e nas universidades do que em casa ou nas igrejas. Assim, o poder de influência desses professores é enorme e os pais não podiam jamais ser negligentes, como muitos são, quanto a esse dado da educação de seus filhos. É uma pedagogia da mentira ensinar aos nossos filhos citarem autores que eles nunca leram e nem lerão! Vou repetir: é uma pedagogia da mentira! Estão formando nossos filhos para mentirem, para dizerem que conhecem o que esses autores estão dizendo, quando, na verdade, não sabem bulhufas. Estão citando frases soltas fora dos contextos dos livros de onde elas foram retiradas.

Quando eu leio: "Wittgenstein disse" ou "Aristóteles afirmava em sua obra "A Poética"", penso que tais frases que serão citadas respeitam o corpus do pensamento daqueles autores. A questão é como confiar em meninos e meninas de 16 e 17 anos que nunca leram um livro de Emile Durkheim e o saem citando com pomposa arrogância de quem domina aquelas obras? A pedagogia da mentira corrompe o caráter, danifica a moral e destrói a ética. Não é de se surpreender que estejamos tão perdidos em distinguir o que é certo e errado, o que é o bem e o mal, o que é verdade e o que é mentira. São anos e anos de uma escola ensinando nossos filhos a mentirem, a usarem o discurso, a retórica, a construção de uma estética falaciosa e a plagiarem a ideia dos outros que, evidentemente, isso devora a alma. E isso tudo para quê? Para que nossos filhos, a partir de mentiras bem construídas, possam conquistar uma vaga numa faculdade. O que as escolas estão ensinado? Que os fins justificam os meios. Que, se não ferir ninguém, que mal é que tem? Depois de anos e anos aprendendo a mentir para conquistar seus objetivos, que tipo de cidadão nós teremos? São pastores que apelam ao "dom de línguas" e ao grito, são profetizas que apelam ao "assim me disse deus", são profissionais que adulteram o curriculo vitae para dar um up na maquiagem, são crentes pinçando frases bíblicas fora de seus contextos para apoiarem suas heresias e abusos espirituais contra as pessoas e muitos outros crimes de corrupção que vemos no nosso dia a dia. Pronto, terminei minha digressão.

Contudo, como o próprio Apóstolo Pedro adverte, a Bíblia tem sim textos difíceis de entender (II Pe 3). Só essa advertência já deveria ser suficiente para animar todos os cristãos a frequentarem as Escolas Bíblicas Dominicais de suas Igrejas, mas, tristemente, não é isso o que ocorre. É preciso estudar a Palavra de Deus para que, como nos adverte o Espírito Santo por meio do Apóstolo Pedro, não caiamos nas armadilhas das pessoas ignorantes e instáveis que não querem aprender da Palavra de Deus!

Estude a sua Bíblia! Procure um grupo de pessoas comprometidas com o ensino sério da Palavra de Deus, para que você não caia nas mãos dos lobos que planejam dominar a sua vida. O mercenário não quer que você aprenda. Ele quer apenas que você obedeça cegamente, pois ele quer roubar, matar e destruir você e, para isso, ele precisa que você não conheça e nem estude a Palavra de Deus.

Assim como o piloto precisa aprender a ler um painel de controle de avião, a Bíblia também possui regras de interpretação para que seja lida corretamente. Do contrário, no caso do avião, ele sequer levantaria do chão. No caso da sua vida espiritual, também!

sábado, 9 de março de 2019

"Fake News", internet e liberdade


Eu não nasci ontem! Ao contrário da minha filha, a quem estão tentando convencer que o grande pecado da geração conectada dela é o "fake news". Insistem em apresentá-lo como um "fenômeno novo", resultado dessa época superficial, irresponsável e leviana com a privacidade e o uso da imagem alheia. Porém, como tudo o que é produzido pela mentalidade revolucionária, tentam nos vender o velho e desbotado, vestindo-o com roupa de gala, um tom de glamour e um enxerto de botox.
Eu não nasci ontem! Cresci durante os anos 80 e 90 do século passado (eita!!!), assim, lembramos muito bem das milhares de "fake news" que pululavam a mídia brasileira. E eram "grandes jornais", escritos ou televisionados, publicando boataria, fofoca e informação montada, criada, construída. E eram "fake news" capazes de destruir com carreiras prestigiadas no Brasil. Você não lembra? Artistas compactuados com o diabo, discos tocados ao contrário e com mensagens demoníacas, o boneco do "Fofão"  (lembra?) que vinha com uma faca dentro dele, exposição da vida e de escândalos sexuais de pessoas públicas, que depois se descobria não eram informações verdadeiras. Eram fofocas, boatos, "fake news"!
Já que eu não nasci ontem, eu lembro de programas de alcance nacional fazendo "matéria séria" sobre a autópsia de médicos em extra-terrestres, programas como o "Fantástico" divulgando a "gang do palhaços", e as tatuagens para crianças em porta de escola com drogas que seriam absorvidas pela pele ou ainda o chupa-cabra e o et de Varginha? Lembra? E quando a mídia podre ainda deu exposição para vigarista e gente que ganhou rios de dinheiro como aqueles dois falastrões, o Uri Geller e o "Rá!", que era um brasileiro com "poderes paranormais"! E o que mais você lembra de "fake news" da sua infância? A lista é enorme!
Mas o que há de diferente entre as notícias de ontem e as notícias de hoje? Qual a diferença entre os boatos e fofocas divulgados amplamente como verdades em programas como o "Fantástico" e o "Programa do Gugu" e o que hoje se divulga na mídia? A diferença está na Internet! Ela não existia nos anos 80 e 90 como um veículo de consumo popular. Eu e você não tínhamos o acesso amplo que há hoje às informações lançadas na rede virtual. Então, as mentira, as fofocas, difamações, boatarias de ontem ganharam um novo espaço além dos jornais impressos, da Rede Globo e do SBT. Agora essas "fake news" estão no mundo virtual, num sistema de alcance global! Parece que ficou muito pior do que o restrito ambiente dos anos 80 e 90, não?  Só parece. E vou explicar.
A fofoca, a mentira, o boato, a difamação não são monopólio da geração que usa a internet. Tudo isso sempre existiu, desde que a serpente plantou a primeira semente de informação duvidosa, falsa e deturpada no coração de Adão e Eva. Em outras palavras, ou melhor, nas palavras de Jesus, o problema não é a TV, nem o facebook, o twitter, o instagram ou o celular. O problema está no seu e no meu coração. Nada que venha de fora contamina o homem, mas a fofoca, a mentira, a difamação, o boato brotam do coração totalmente depravado do ser humano. Portanto, o problema é QUEM usa e não O QUÊ se usa! Não vamos desviar o foco do que é o real problema das mídias sociais: eu e você.
O pai, a mãe e a família precisam ser educados para usar a autoridade que têm de desligar a TV, censurar o livro e tomar o celular. Simples assim. Preste atenção: a responsabilidade é tanto sua na mesma inversa proporção de que a culpa é do outro! Entendeu?
Estão querendo convencer a nova geração do "mau" do mundo virtual, quando, na verdade, o que houve com o advento da internet foi a quebra do monopólio da informação! Queridos, isso é um ganho maravilhoso para as próximas gerações, mesmo que hoje haja uma exposição muito maior às “fake news”, mas a grande conquista é que na mesma velocidade que vem o boato, vem o desmentido! Antigamente, como o monopólio da informação ficava apenas com a “mídia oficial”, essas mentiras tinham um poder destruidor na vida das pessoas muito mais trágico, pois a verdade poderia vir à tona só meses depois de massacrarem com a vida de alguém. Hoje não! A cada notícia veiculada, quase que imediatamente podemos ter acesso aos seus contraditórios e, aí sim, formarmos uma opinião crítica. Se antigamente acreditávamos que tudo poderia ser verdade, já que passou no Jornal Nacional, hoje sabemos que quase tudo pode ser mentira, então, precisamos pesquisar outras fontes para discernirmos a verdade, porque a verdade existe.
Para terminar, gostaria de ressaltar que a internet trouxe uma liberdade que a democracia jamais será capaz de nos dar. Agora, a liberdade cobra o preço da responsabilidade pessoal. Quanto mais acesso à informação, mais responsáveis precisamos ser na formação educacional, emocional e espiritual do ser humano. Contudo, por maior que seja exigido de nós, pais e famílias, uma responsabilidade na formação moral de nossos filhos, não há dúvida que é melhor o que temos hoje do que nossos avós tinham no tempo deles, porque sabemos que só a verdade liberta, mas a verdade só libertará se tivermos como acessá-la num mar de mentiras que, diariamente, lançam sobre nós. Por isso que a liberdade nas plataformas virtuais é fundamental. Não deixe que o Estado decida por você o que deve ou não entrar na sua casa ou o que deve ou não ser verdade ou mentira. Sigamos em frente!   

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Sal da Terra em Terras dos Brasis - Wadislau Martins Gomes (resenha)

“Como vemos e somos vistos na cultura brasileira” é o subtítulo deste maravilhoso livro de missiologia, mas não de uma missiologia “departamental”, estanque ou vista como “um braço da Igreja”. A Igreja é Missão! Missão é a própria Igreja! A partir destas premissas o livro procura relembrar à Igreja qual, afinal, é a missão que Deus lhe confiou.

Fugindo, portanto, dos mitos e lugares-comuns da atual missiologia, cada vez mais contaminada por um viés ideológico, Rev. Wadislau expõe a idolatria do “ide” que tem levado a obra missionária a um pragmatismo, ora romântico, ora triunfalista, do “ir” cada vez mais longe, enquanto que a Igreja Local se distancia do ensino bíblico de que muito mais importante do que simplesmente “ir” é  COMO “ir” e, mais do que nunca, acho que posso dizer isso após a leitura deste livro, é preciso também que a Igreja aprenda a como FICAR.

Como professor de comunicação transcultural para missionários brasileiros, identifico que a energia investida para se comunicar com uma outra cultura tem sido inversamente proporcional ao esforço de se compreender a própria cultura brasileira na sua mais rica variedade étnica, social, etária e multicultural. E este livro, para mim, torna-se um bálsamo no meu projeto educacional de fazer com que o missionário entenda que se ele não aprender a fazer uma leitura mais correta e mais precisa das relações humanas dentro de seu próprio país, dificilmente ele aplicará as ferramentas da comunicação na cultura-alvo. É um livro que trabalha com a farta literatura nacional brasileira e ensina o leitor-missionário a ser sensível à voz artística do nosso povo em todas as suas expressões. Essa produção artística precisa ser levada em conta no campo transcultural, pois a música, a poesia, os mitos, a pintura, a escultura e, entre tantas outras coisas,  até mesmo a produção acadêmica dos próprios nacionais – aprender a ver como eles veem a si mesmos –  tudo isso nos ensina a compreendê-los. Mas, antes de tudo, defendo que é aqui em sua própria cultura, país e língua que o missionário transcultural precisa fazer o dever de casa de treinar o que pretende fazer "lá fora".   

A missão da Igreja é glorificar a Deus aonde quer que ela se encontre. A Igreja não é chamada para um lugar, mas para brilhar aonde quer que esteja. Missão é evangelização e evangelização é cumprir a missão dada por Deus à Igreja.  A evangelização não pode estar desassociada do discipulado, de caminhar junto, de andar lado a lado com a pessoa que Deus tem posto para ouvir, ver e compreender da nossa boca e da nossa vida a beleza evangélica da mensagem salvadora. Aliás o tema da beleza perpassa toda a exposição do Evangelho feita nas 551 páginas desta obra que, muito mais do que ser lida, precisa ser estudada. E esta mensagem evangélica total deve atingir totalmente a vida do evangelizado. Os subtemas abundam diante dos olhos do leitor: “Beleza ou feiura são coisas do coração”, “O ambiente da vida cristã: a beleza de Cristo na face da Igreja”, "Cristo em nós e nós em Cristo: um ambiente de beleza”, etc. Destarte, para que isso ocorra, é necessário que o trabalho evangelístico da igreja se veja como uma ação de aconselhamento, pois “evangelização é aconselhamento e aconselhamento é evangelização”.

Eu e você, Igreja do Senhor, precisamos retornar ao Evangelho e compreendermos “as novas do Reino” (parte 1), que precisam ser manifestadas ao outro por meio de uma “fé arrependida”, que caminha diariamente em santidade, e apresenta as bases claras do Reino (parte 2) sem evangeliquês e firmadas, numa exegese correta, sobre o texto de Mateus da Grande Comissão. O programa de avanço missionário da Igreja é a própria vida diária da Igreja aonde quer que ela esteja, por isso é preciso voltar aos temas da natureza da Igreja, seu propósito, finalidade e vocação. Sem um correto entendimento do que é Igreja, corremos o risco de nos perdermos na nossa relação com a cultura secular e condenar-mo-nos também a uma visão ideológica da ação social (parte 4).

Por fim, Missão é instrução, comunhão, adoração e serviço. Sua mensagem deve ser cristocêntrica, pregar a obra completa de Cristo, sua encarnação, sua vida de obediência, a morte vicária, ressurreição e ascensão!



“Sal da Terra em Terras dos Brasis” ainda nos presenteia com um estudo muito bem colocado acerca dos dons do Espírito Santo, sua função e finalidade. Contudo o que, especialmente, chamou-me a atenção é a ênfase que o livro dá ao tema da comunicação, mas não qualquer comunicação, a nossa comunicação é evangelizadora! Além do tema da comunicação, surpreendeu-me encontrar na obra um verdadeiro “modelo” para multiplicação de Igrejas. Ora, missão não é fazer discípulos? Discípulos não formam igrejas? Igrejas não são plantadas para resplandecer no mundo a face de Deus? Então você encontrará neste livro um modelo de plantação de igreja desafiador para que nossas igrejas locais se multipliquem, ou melhor, sejam transplantadas!

Enfim, surpreende-me que a 1ª edição desse livro seja de 1984 (houve uma 2ª edição em 1999 e, posteriormente, uma 3ª aumentada e revisada no ano de 2014)! O que eu quero dizer é que as ideias que teriam amadurecido e evitado que a Igreja Brasileira tivesse cometido tantos equívocos nas últimas duas décadas estavam à disposição, mas será que ninguém leu este livro? Será que nossas lideranças, nossos seminários, nossos professores nunca tiveram acesso às exposições feitas aqui neste livro? Você deve ler este livro.

“Sal da Terra em Terras dos Brasis” é um livro que me assombrou por várias razões. Primeira, o autor foi meu primeiro pastor assim que fui regatado do Império das Trevas. Segunda, embora o autor tenha sido meu pastor por apenas 2 ou 3 anos, os temas sobre os quais escrevi e dei aula nestes anos todos, coincidem com os que li aqui nesse livro. O que me fez perguntar, durante a minha impactante experiência de leitura, se a influência do Rev. Wadislau foi tão marcante em mim a esse ponto! Terceira razão, a leitura deste livro me serviu não apenas para confirmar que muitas das coisas que vinha defendendo são realmente bíblicas (embora nem sempre aceitas pelas igrejas de hoje em dia), mas serviu-me também para proteger-me de certos desvios que, com a leitura desse livro, consegui perceber na relação Igreja-comunicação-cultura. A quarta razão é poder voltar a ter mais contato com o Pastor Wadislau e sua esposa, a Elizabeth. Por todas essas razões quero não apenas indicar a leitura deste livro, mas trazê-lo à sala de aula das EBDs e Seminários, pois seus temas e exposições são urgentes para a Igreja Brasileira de Fé Reformada, para que alcancemos o prumo certo no tratamento correto do tema de missiologia.      

Estou convencido de que este livro é fundamental para qualquer pastor de Igreja e para aquele missionário que você acompanha e ora por ele. Sem sombra de dúvida, você estará fazendo o melhor investimento possível no ministério de nossos pastores e missionários presenteando-os com esta obra riquíssima. Onde encontrar este livro para comprar? Basta clicar aqui: Editora Monergismo! 

domingo, 14 de outubro de 2018

Você não está sozinho (e eles têm medo disso)

Há um pensamento totalitário, ditatorial, uma mentalidade revolucionária hoje no Brasil, que não precisam de leis para existir e nem do fim da Constituição para se impor. E as redes sociais têm comprovado isso abundantemente. Como?

O objetivo da ditadura, do Estado Totalitário, da mentalidade revolucionária é coibir, impedir, refrear que você diga o que pensa. Como nós não temos leis ainda com força suficiente para calar e prender você pela livre expressão de suas idéias, então, usa-se a massa, essa multidão de cães raivosos babando e rosnando na internet toda vez que você expressa os seus pensamentos.

Infelizmente, vejo isso acontecendo tanto à esquerda como também à direita do espectro político. Já fui vítima disso mais de uma vez: o grupo se une e invade o seu espaço bombardeando contra você, seja nas mídias sociais, seja na faculdade, nas associações ou, até mesmo, dentro das igrejas. Essas pessoas não estão debatendo, dialogando, conversando com você. Há uma fúria! Há uma raiva profunda contra o escândalo de você pensar diferente do grupo! Então todos avançam contra sua opinião, animalescamente, porque só assim conseguirão calar o indivíduo.Mas por que essa turba com paus e pedras nas mãos precisam humilhar, calar, silenciar os "hereges"? Vou explicar. Atenção!

A mentalidade revolucionária, o pensamento unívoco da ditadura, a ideologia totalitarista só sobrevive se não houver a união do povo contra eles! E os que lutam contra o povo sabem que só há uma maneira de nos unirmos contra a ditadura revolucionária: se soubermos quem pensa igual a nós! Entendeu?

Quando você manifesta o seu pensamento, quando você publica o que você acredita, outros irão descobrir que não estão sozinhos. Você também pensa igual a cada um que estava isolado no silêncio dos seus pensamentos pessoais. E o que acontece nessa hora? Os que se descobrem pensando da mesma maneira se juntam uns aos outros e se tornam mais fortes!

Então é preciso calar o indivíduo! É preciso impedir que você tenha um pensamento fora da caixinha deles! Por isso o controle das mídias sociais pelo Estado é tão importante. Por isso, o grupo que está no poder solta seus pitbulls e dobermans ensandecidos contra você. Eles usam uma famosa estratégia de seita: vão bombardeando você de todos os lados e de modo agressivo, que é para você não conseguir mais pensar e organizar seus pensamentos, até que consigam ferir emocionalmente você.

O totalitário não quer que você descubra que não está sozinho contra eles. O que podemos fazer? Fale, manifeste, diga o que você pensa e outros vão se juntar a você. E é disso que nossos opositores têm medo. A união daqueles que pensam diferentemente deles!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

10 fatos inconvenientes sobre a relação entre a democracia moderna e o cristianismo


1. O Cristianismo nunca dependeu da Democracia; 

2. O nascimento do Cristianismo não se deu em um ambiente democrático;

3. O crescimento do Cristianismo, a expansão da Igreja e até mesmo sua fixação nas mais diversas culturas, povos, línguas, nestes 2.000 anos, deu-se a despeito da Democracia como a temos hoje, pois ela é uma invenção recente, muitíssimo recente;

4. É assombroso que a Constituição Americana, fundada sob bases cristãs, tenha sido redigida por republicanos que não citaram uma única vez sequer a palavra "democracia";

5. A Igreja jamais cresceu tanto como em lugares em que a democracia nunca se fez presente, assim como nunca tivemos um Cristianismo tão frouxo, covarde e acomodado como este que tem sido gerado em países democráticos como o Brasil;

6. O casamento entre o Estado e a Igreja é algo pernicioso, perigoso e diabólico. Mas o que poucos têm se dado conta é que o casamento da Democracia com o Cristianismo tem alimentado um messianismo utópico, revelado na figura funesta do "salvador da Pátria", que ora se apresenta como um Barrabás cristianizado, ora como um Jesus zelote;

7. Paulo, Pedro e o próprio Jesus puderam interceder, orar por seus reis e imperadores, ainda que estes não fossem cristãos. E mais: pediram a Deus que aqueles pagãos pudessem proporcionar a paz e a segurança necessárias à sociedade;

8. A Democracia representativa e a maneira como ela é tratada (como a melhor e mais legítima solução para todos os problemas do povo), e também como ela é relacionada por muitos com o Cristianismo, revelam que ela é um ídolo moderno;

9. A Democracia representativa é uma tirania ocultada numa espécie diferente de coletivismo;

10. A Democracia Moderna é a grande ilusão herdada da revolução francesa, uma revolução de filósofos maçons e anticristãos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Sobre livros e pais perdidos... (ou "Divagações intertextuais antes que só nos reste o amanhã")



Às vezes, principalmente nestes últimos anos, penso sobre escritores do passado que me marcaram de modo muito profundo e, quando leio sobre suas vidas, descubro que eles também leram obras profundas e, do mesmo modo que eu, foram marcados por outros escritores.

Eu fico fascinado quando considero que muitos dos livros que meus autores preferidos leram já se perderam no tempo! Muitos dos autores que hoje leio leram livros que jamais leremos! São escritores dos quais só sabemos por terem sido citados em livros de outros que chegaram até nós. Já parou para pensar nisso? Pois bem, eu sim. 

Confesso que, constantemente, vejo-me meditando sobre esse universo paralelo de autores e livros que, por exemplo, Agostinho, Platão e Moisés leram, porém nunca serão lidos por quaisquer um de nós nesta vida. Pergunto-me o quanto daqueles livros perdidos haveria nos livros conhecidos dos meus autores prediletos? Em seus escritos, o quanto há dos legisladores, poetas, filósofos e romancistas que eles leram, mas nós nunca jamais teremos acesso direto?

E tudo isso me faz pensar numa outra coisa: os pais que jamais serão conhecidos por aqueles filhos que foram adotados em tenra idade! Esses filhos, mesmo sem nunca terem conhecido seus progenitores, os carregam dentro de si. E os imagino tentando ler nos espelhos algo dos seus pais que nunca jamais será conhecido nesta vida também. Que traços, que marcas e rugas há no reflexo do espelho, que imagem e que semelhança traríamos de nossos pais biológicos? Enfim, o que o fenótipo esconde (ou revela) do passado desconhecido? "Envelhecendo, eu estaria me tornando mais parecido com meu pai ou com minha mãe, que em tempo algum os conheci?", acredito que ponderam os filhos adotados.

Os filhos adotados, quando têm seus próprios filhos, sabem que seus pais, que eles nunca conheceram, também residem de alguma forma agora nos seus filhos, pois os avós também habitam nos netos! E agora os filhos também são investigados, lidos, perscrutados como se fosse possível encontrar nos traços e nos jeitos de nossos filhos os pais que nunca jamais conhecemos. Não apenas nos lemos nos espelhos, porém, de maneira muito mais viva e assustadora, essas crianças sentadas nos sofás de nossa casa bem diante de nós manifestam seus avós, nossos pais, que também nunca nossos filhos conhecerão (nesta vida).

Tudo isso me traz de volta àqueles estudiosos que tentam reconstruir os manuscritos primevos que foram usados para a composição final dos Evangelhos canônicos. Penso nos rascunhos, anotações e entrevistas por trás das confecções finais das obras antigas que temos hoje. Temos em mãos "filhos" e "netos", então, é sim possível decantar algo da pesquisa de Lucas e João, por exemplo, assim como os filólogos recompõem a proto-linguagem da Dene-Caucasiana e da Nostrática. 

Poderíamos, dessarte, divisar o que há de Hortêncio, obra perdida de Cícero, em Agostinho e que tanto marcou o Santo de Hipona em determinado momento de sua vida. Ou, por meio de uma investigação, encontrarmos os vestígios da carta perdida de Paulo aos Coríntios, se é que realmente está perdida. Quem sabe conseguíssemos achar outros documentos que nos levassem a reconstruir o livro dos reis de Israel e descobríssemos um fim mais glorioso para o Rei Salomão do que o que nos fornece o texto bíblico? 

Se cada vez menos teremos livros perdidos nos livros de nossos autores modernos, devido tanto ao fim daqueles tempos em que se queimavam e se deixavam queimar bibliotecas e museus (será?), como também ao desenvolvimento da tecnologia que tem permitido a preservação cada vez melhor das obras do passado, ainda assim continuaremos a ter os filhos adotivos esquadrinhando seus próprios filhos e inquirindo-se a si mesmos nos espelhos por onde passam.

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