sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Sal da Terra em Terras dos Brasis - Wadislau Martins Gomes (resenha)

“Como vemos e somos vistos na cultura brasileira” é o subtítulo deste maravilhoso livro de missiologia, mas não de uma missiologia “departamental”, estanque ou vista como “um braço da Igreja”. A Igreja é Missão! Missão é a própria Igreja! A partir destas premissas o livro procura relembrar à Igreja qual, afinal, é a missão que Deus lhe confiou.

Fugindo, portanto, dos mitos e lugares-comuns da atual missiologia, cada vez mais contaminada por um viés ideológico, Rev. Wadislau expõe a idolatria do “ide” que tem levado a obra missionária a um pragmatismo, ora romântico, ora triunfalista, do “ir” cada vez mais longe, enquanto que a Igreja Local se distancia do ensino bíblico de que muito mais importante do que simplesmente “ir” é  COMO “ir” e, mais do que nunca, acho que posso dizer isso após a leitura deste livro, é preciso também que a Igreja aprenda a como FICAR.

Como professor de comunicação transcultural para missionários brasileiros, identifico que a energia investida para se comunicar com uma outra cultura tem sido inversamente proporcional ao esforço de se compreender a própria cultura brasileira na sua mais rica variedade étnica, social, etária e multicultural. E este livro, para mim, torna-se um bálsamo no meu projeto educacional de fazer com que o missionário entenda que se ele não aprender a fazer uma leitura mais correta e mais precisa das relações humanas dentro de seu próprio país, dificilmente ele aplicará as ferramentas da comunicação na cultura-alvo. É um livro que trabalha com a farta literatura nacional brasileira e ensina o leitor-missionário a ser sensível à voz artística do nosso povo em todas as suas expressões. Essa produção artística precisa ser levada em conta no campo transcultural, pois a música, a poesia, os mitos, a pintura, a escultura e, entre tantas outras coisas,  até mesmo a produção acadêmica dos próprios nacionais – aprender a ver como eles veem a si mesmos –  tudo isso nos ensina a compreendê-los. Mas, antes de tudo, defendo que é aqui em sua própria cultura, país e língua que o missionário transcultural precisa fazer o dever de casa de treinar o que pretende fazer "lá fora".   

A missão da Igreja é glorificar a Deus aonde quer que ela se encontre. A Igreja não é chamada para um lugar, mas para brilhar aonde quer que esteja. Missão é evangelização e evangelização é cumprir a missão dada por Deus à Igreja.  A evangelização não pode estar desassociada do discipulado, de caminhar junto, de andar lado a lado com a pessoa que Deus tem posto para ouvir, ver e compreender da nossa boca e da nossa vida a beleza evangélica da mensagem salvadora. Aliás o tema da beleza perpassa toda a exposição do Evangelho feita nas 551 páginas desta obra que, muito mais do que ser lida, precisa ser estudada. E esta mensagem evangélica total deve atingir totalmente a vida do evangelizado. Os subtemas abundam diante dos olhos do leitor: “Beleza ou feiura são coisas do coração”, “O ambiente da vida cristã: a beleza de Cristo na face da Igreja”, "Cristo em nós e nós em Cristo: um ambiente de beleza”, etc. Destarte, para que isso ocorra, é necessário que o trabalho evangelístico da igreja se veja como uma ação de aconselhamento, pois “evangelização é aconselhamento e aconselhamento é evangelização”.

Eu e você, Igreja do Senhor, precisamos retornar ao Evangelho e compreendermos “as novas do Reino” (parte 1), que precisam ser manifestadas ao outro por meio de uma “fé arrependida”, que caminha diariamente em santidade, e apresenta as bases claras do Reino (parte 2) sem evangeliquês e firmadas, numa exegese correta, sobre o texto de Mateus da Grande Comissão. O programa de avanço missionário da Igreja é a própria vida diária da Igreja aonde quer que ela esteja, por isso é preciso voltar aos temas da natureza da Igreja, seu propósito, finalidade e vocação. Sem um correto entendimento do que é Igreja, corremos o risco de nos perdermos na nossa relação com a cultura secular e condenar-mo-nos também a uma visão ideológica da ação social (parte 4).

Por fim, Missão é instrução, comunhão, adoração e serviço. Sua mensagem deve ser cristocêntrica, pregar a obra completa de Cristo, sua encarnação, sua vida de obediência, a morte vicária, ressurreição e ascensão!



“Sal da Terra em Terras dos Brasis” ainda nos presenteia com um estudo muito bem colocado acerca dos dons do Espírito Santo, sua função e finalidade. Contudo o que, especialmente, chamou-me a atenção é a ênfase que o livro dá ao tema da comunicação, mas não qualquer comunicação, a nossa comunicação é evangelizadora! Além do tema da comunicação, surpreendeu-me encontrar na obra um verdadeiro “modelo” para multiplicação de Igrejas. Ora, missão não é fazer discípulos? Discípulos não formam igrejas? Igrejas não são plantadas para resplandecer no mundo a face de Deus? Então você encontrará neste livro um modelo de plantação de igreja desafiador para que nossas igrejas locais se multipliquem, ou melhor, sejam transplantadas!

Enfim, surpreende-me que a 1ª edição desse livro seja de 1984 (houve uma 2ª edição em 1999 e, posteriormente, uma 3ª aumentada e revisada no ano de 2014)! O que eu quero dizer é que as ideias que teriam amadurecido e evitado que a Igreja Brasileira tivesse cometido tantos equívocos nas últimas duas décadas estavam à disposição, mas será que ninguém leu este livro? Será que nossas lideranças, nossos seminários, nossos professores nunca tiveram acesso às exposições feitas aqui neste livro? Você deve ler este livro.

“Sal da Terra em Terras dos Brasis” é um livro que me assombrou por várias razões. Primeira, o autor foi meu primeiro pastor assim que fui regatado do Império das Trevas. Segunda, embora o autor tenha sido meu pastor por apenas 2 ou 3 anos, os temas sobre os quais escrevi e dei aula nestes anos todos, coincidem com os que li aqui nesse livro. O que me fez perguntar, durante a minha impactante experiência de leitura, se a influência do Rev. Wadislau foi tão marcante em mim a esse ponto! Terceira razão, a leitura deste livro me serviu não apenas para confirmar que muitas das coisas que vinha defendendo são realmente bíblicas (embora nem sempre aceitas pelas igrejas de hoje em dia), mas serviu-me também para proteger-me de certos desvios que, com a leitura desse livro, consegui perceber na relação Igreja-comunicação-cultura. A quarta razão é poder voltar a ter mais contato com o Pastor Wadislau e sua esposa, a Elizabeth. Por todas essas razões quero não apenas indicar a leitura deste livro, mas trazê-lo à sala de aula das EBDs e Seminários, pois seus temas e exposições são urgentes para a Igreja Brasileira de Fé Reformada, para que alcancemos o prumo certo no tratamento correto do tema de missiologia.      

Estou convencido de que este livro é fundamental para qualquer pastor de Igreja e para aquele missionário que você acompanha e ora por ele. Sem sombra de dúvida, você estará fazendo o melhor investimento possível no ministério de nossos pastores e missionários presenteando-os com esta obra riquíssima. Onde encontrar este livro para comprar? Basta clicar aqui: Editora Monergismo! 

domingo, 14 de outubro de 2018

Você não está sozinho (e eles têm medo disso)

Há um pensamento totalitário, ditatorial, uma mentalidade revolucionária hoje no Brasil, que não precisam de leis para existir e nem do fim da Constituição para se impor. E as redes sociais têm comprovado isso abundantemente. Como?

O objetivo da ditadura, do Estado Totalitário, da mentalidade revolucionária é coibir, impedir, refrear que você diga o que pensa. Como nós não temos leis ainda com força suficiente para calar e prender você pela livre expressão de suas idéias, então, usa-se a massa, essa multidão de cães raivosos babando e rosnando na internet toda vez que você expressa os seus pensamentos.

Infelizmente, vejo isso acontecendo tanto à esquerda como também à direita do espectro político. Já fui vítima disso mais de uma vez: o grupo se une e invade o seu espaço bombardeando contra você, seja nas mídias sociais, seja na faculdade, nas associações ou, até mesmo, dentro das igrejas. Essas pessoas não estão debatendo, dialogando, conversando com você. Há uma fúria! Há uma raiva profunda contra o escândalo de você pensar diferente do grupo! Então todos avançam contra sua opinião, animalescamente, porque só assim conseguirão calar o indivíduo.Mas por que essa turba com paus e pedras nas mãos precisam humilhar, calar, silenciar os "hereges"? Vou explicar. Atenção!

A mentalidade revolucionária, o pensamento unívoco da ditadura, a ideologia totalitarista só sobrevive se não houver a união do povo contra eles! E os que lutam contra o povo sabem que só há uma maneira de nos unirmos contra a ditadura revolucionária: se soubermos quem pensa igual a nós! Entendeu?

Quando você manifesta o seu pensamento, quando você publica o que você acredita, outros irão descobrir que não estão sozinhos. Você também pensa igual a cada um que estava isolado no silêncio dos seus pensamentos pessoais. E o que acontece nessa hora? Os que se descobrem pensando da mesma maneira se juntam uns aos outros e se tornam mais fortes!

Então é preciso calar o indivíduo! É preciso impedir que você tenha um pensamento fora da caixinha deles! Por isso o controle das mídias sociais pelo Estado é tão importante. Por isso, o grupo que está no poder solta seus pitbulls e dobermans ensandecidos contra você. Eles usam uma famosa estratégia de seita: vão bombardeando você de todos os lados e de modo agressivo, que é para você não conseguir mais pensar e organizar seus pensamentos, até que consigam ferir emocionalmente você.

O totalitário não quer que você descubra que não está sozinho contra eles. O que podemos fazer? Fale, manifeste, diga o que você pensa e outros vão se juntar a você. E é disso que nossos opositores têm medo. A união daqueles que pensam diferentemente deles!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

10 fatos inconvenientes sobre a relação entre a democracia moderna e o cristianismo


1. O Cristianismo nunca dependeu da Democracia; 

2. O nascimento do Cristianismo não se deu em um ambiente democrático;

3. O crescimento do Cristianismo, a expansão da Igreja e até mesmo sua fixação nas mais diversas culturas, povos, línguas, nestes 2.000 anos, deu-se a despeito da Democracia como a temos hoje, pois ela é uma invenção recente, muitíssimo recente;

4. É assombroso que a Constituição Americana, fundada sob bases cristãs, tenha sido redigida por republicanos que não citaram uma única vez sequer a palavra "democracia";

5. A Igreja jamais cresceu tanto como em lugares em que a democracia nunca se fez presente, assim como nunca tivemos um Cristianismo tão frouxo, covarde e acomodado como este que tem sido gerado em países democráticos como o Brasil;

6. O casamento entre o Estado e a Igreja é algo pernicioso, perigoso e diabólico. Mas o que poucos têm se dado conta é que o casamento da Democracia com o Cristianismo tem alimentado um messianismo utópico, revelado na figura funesta do "salvador da Pátria", que ora se apresenta como um Barrabás cristianizado, ora como um Jesus zelote;

7. Paulo, Pedro e o próprio Jesus puderam interceder, orar por seus reis e imperadores, ainda que estes não fossem cristãos. E mais: pediram a Deus que aqueles pagãos pudessem proporcionar a paz e a segurança necessárias à sociedade;

8. A Democracia representativa e a maneira como ela é tratada (como a melhor e mais legítima solução para todos os problemas do povo), e também como ela é relacionada por muitos com o Cristianismo, revelam que ela é um ídolo moderno;

9. A Democracia representativa é uma tirania ocultada numa espécie diferente de coletivismo;

10. A Democracia Moderna é a grande ilusão herdada da revolução francesa, uma revolução de filósofos maçons e anticristãos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Sobre livros e pais perdidos... (ou "Divagações intertextuais antes que só nos reste o amanhã")



Às vezes, principalmente nestes últimos anos, penso sobre escritores do passado que me marcaram de modo muito profundo e, quando leio sobre suas vidas, descubro que eles também leram obras profundas e, do mesmo modo que eu, foram marcados por outros escritores.

Eu fico fascinado quando considero que muitos dos livros que meus autores preferidos leram já se perderam no tempo! Muitos dos autores que hoje leio leram livros que jamais leremos! São escritores dos quais só sabemos por terem sido citados em livros de outros que chegaram até nós. Já parou para pensar nisso? Pois bem, eu sim. 

Confesso que, constantemente, vejo-me meditando sobre esse universo paralelo de autores e livros que, por exemplo, Agostinho, Platão e Moisés leram, porém nunca serão lidos por quaisquer um de nós nesta vida. Pergunto-me o quanto daqueles livros perdidos haveria nos livros conhecidos dos meus autores prediletos? Em seus escritos, o quanto há dos legisladores, poetas, filósofos e romancistas que eles leram, mas nós nunca jamais teremos acesso direto?

E tudo isso me faz pensar numa outra coisa: os pais que jamais serão conhecidos por aqueles filhos que foram adotados em tenra idade! Esses filhos, mesmo sem nunca terem conhecido seus progenitores, os carregam dentro de si. E os imagino tentando ler nos espelhos algo dos seus pais que nunca jamais será conhecido nesta vida também. Que traços, que marcas e rugas há no reflexo do espelho, que imagem e que semelhança traríamos de nossos pais biológicos? Enfim, o que o fenótipo esconde (ou revela) do passado desconhecido? "Envelhecendo, eu estaria me tornando mais parecido com meu pai ou com minha mãe, que em tempo algum os conheci?", acredito que ponderam os filhos adotados.

Os filhos adotados, quando têm seus próprios filhos, sabem que seus pais, que eles nunca conheceram, também residem de alguma forma agora nos seus filhos, pois os avós também habitam nos netos! E agora os filhos também são investigados, lidos, perscrutados como se fosse possível encontrar nos traços e nos jeitos de nossos filhos os pais que nunca jamais conhecemos. Não apenas nos lemos nos espelhos, porém, de maneira muito mais viva e assustadora, essas crianças sentadas nos sofás de nossa casa bem diante de nós manifestam seus avós, nossos pais, que também nunca nossos filhos conhecerão (nesta vida).

Tudo isso me traz de volta àqueles estudiosos que tentam reconstruir os manuscritos primevos que foram usados para a composição final dos Evangelhos canônicos. Penso nos rascunhos, anotações e entrevistas por trás das confecções finais das obras antigas que temos hoje. Temos em mãos "filhos" e "netos", então, é sim possível decantar algo da pesquisa de Lucas e João, por exemplo, assim como os filólogos recompõem a proto-linguagem da Dene-Caucasiana e da Nostrática. 

Poderíamos, dessarte, divisar o que há de Hortêncio, obra perdida de Cícero, em Agostinho e que tanto marcou o Santo de Hipona em determinado momento de sua vida. Ou, por meio de uma investigação, encontrarmos os vestígios da carta perdida de Paulo aos Coríntios, se é que realmente está perdida. Quem sabe conseguíssemos achar outros documentos que nos levassem a reconstruir o livro dos reis de Israel e descobríssemos um fim mais glorioso para o Rei Salomão do que o que nos fornece o texto bíblico? 

Se cada vez menos teremos livros perdidos nos livros de nossos autores modernos, devido tanto ao fim daqueles tempos em que se queimavam e se deixavam queimar bibliotecas e museus (será?), como também ao desenvolvimento da tecnologia que tem permitido a preservação cada vez melhor das obras do passado, ainda assim continuaremos a ter os filhos adotivos esquadrinhando seus próprios filhos e inquirindo-se a si mesmos nos espelhos por onde passam.

domingo, 2 de setembro de 2018

A TRINDADE - Uma oração puritana


A TRINDADE
Uma oração puritana

TRÊS EM UM, UM EM TRÊS, DEUS DA MINHA SALVAÇÃO,
Pai celestial, Filho bendito, Espírito eternal,
Eu te adoro como único Ser, única Essência,
único Deus em três Pessoas distintas,
Por trazeres pecadores ao teu conhecimento e ao teu reino.

Ó Pai, tu me amaste e enviaste Jesus para me redimir;
Ó Jesus, tu me amaste e assumiste a minha natureza,
derramaste teu sangue para lavar meus pecados,
consumaste justiça para cobrir a minha iniquidade;
Ó Santo Espírito, tu me amaste e entraste em meu coração,
lá implantaste a vida eterna,
revelaste-me as glórias de Jesus.

Três pessoas e um só Deus, bendigo-te e louvo-te,
por amor tão imerecido, tão indizível, tão maravilhoso,
tão poderoso para salvar os perdidos e elevá-los à glória.

Ó Pai, rendo-te graças, pois em plenitude de graça
Tu me deste a Jesus,
para ser dele ovelha, joia, porção;
Ó Jesus, rendo-te graças, pois em plenitude de graça
Tu me aceitaste, me esposaste, prendeste-me a ti;
Ó Espírito Santo, rendo-te graças, pois em plenitude de graça
apresentaste-me Jesus por minha salvação,
implantaste a fé dentro de mim,
subjugaste meu coração contumaz,
fizeste-me um com Ele para sempre.

Ó Pai, tu estás entronizado para ouvir as minhas orações,
Ó Jesus, tuas mãos estão estendidas para receber as minhas petições,
Ó Espírito Santo, tu estás pronto a me socorrer em minhas fraquezas,
a mostrar a minha necessidade,
a me suprir de palavras, a orar dentro de mim,
a me fortalecer de sorte que eu não desanime de suplicar.

Ó trino Deus que comandas o universo,
tu me ordenaste pedir por essas coisas
concernentes ao teu reino e à minha alma.
Faz-me viver e orar como alguém batizado em teu tríplice Nome.

Tradução Marcos Vasconcelos.

domingo, 12 de agosto de 2018

O Captain! My Captain! (Walt Whitman)



O Captain! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weathered every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribboned wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.
My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchored safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

Walt Whitman

Quem convidará Márcia Tuburi para conhecer uma Igreja Presbiteriana?



Texto publicado originalmente no facebook em 12 de agosto de 2015

“Eu nem sequer me lembro de ter entrado numa igreja presbiteriana, com todo respeito, se algum dia eu puder entrar e assistir um culto, eu vou com o maior prazer”, disse a professora Márcia Tiburi logo no início de sua fala ao Senado Federal na Comissão de Direitos Humanos no dia 06 de agosto deste ano.

A Professora Márcia apresenta-se como uma ateia sem convicção, pois, embora não creia no Deus apresentado pela cultura judaico-cristã, ela crê no “mistério”. Mistério é essa maravilha que não cabe dentro da gente e que, por não se render racionalmente e dar o salto à fé, na falta de um nome melhor, a professora aceita que chamemos esse mistério de Deus.

Professora de Filosofia e Ética de uma das Universidades confessionais mais importantes do país, diz que nunca pôde entrar numa igreja presbiteriana. Será que ela nunca foi convidada a conhecer uma Igreja Presbiteriana, mesmo trabalhando numa instituição presbiteriana? De qualquer maneira, ela já adiantou que será um prazer conhecer um templo presbiteriano.

Hoje, a IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) deve receber os parabéns por investir 54% da sua arrecadação financeira na área missionária da Igreja. Contudo, na contramão, a professora da instituição presbiteriana confessou que nunca pisou os pés num templo presbiteriano (repito, espero que não tenha sido por falta de convite dos pastores da Universidade).

A professora Márcia ocupa uma cadeira que deveria ser estratégica para o diálogo inter-religioso da fé reformada com o mundo acadêmico, educacional, político e econômico. E digo “inter-religioso” no melhor sentido schaefferiano possível, pois deveria ser também dali que a Universidade apresentaria a sua cosmovisão e confrontaria os argumentos do nosso tempo, “destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5).

Não interessa ao Mackenzie presbiteriano difundir da cátedra de filosofia e ética da sua Universidade a filosofia e a ética de Francis Schaeffer, Nancy Pearcey, Cornelius Van Til, Rushdoony, John Frame, Gordon Clark e de tantos outros nomes para fora do específico ambiente teológico da pós-graduação do Andrew Jumper?

A reflexão que quero compartilhar aqui é que temos ido até os confins da terra, mas não podemos negligenciar o acadêmico não cristão, não evangélico e não reformado. Há um pensamento fortemente voltado para a evangelização das minorias e daqueles que conseguimos atingir por meio da assistência social e da caridade cristã material (e devemos continuar fortemente esse trabalho). Paulo, todavia, também apresentou o Evangelho em Atenas, falou no Areópago, citando até mesmo a literatura pagã daquele tempo.

A Igrejas Locais precisam aproveitar a farta produção teológica que tem sido publicada por Editoras como a própria Cultura Cristã, a Hagnos e Monergismo (só para citar aquelas que eu mais leio) e investir em alcançar os novos atenienses e as modernas sinagogas de discussão “teológica arreligiosa”, em que se tornaram muitas escolas e Universidades do Brasil.

As Universidades - a começar pelo Mackenzie – não podem ser negligenciadas pelo esforço missionário da IPB para a difusão da cosmovisão reformada. Devemos não apenas ajudar ao jovem universitário cristão na defesa da sua fé num ambiente tão hostil como os de Ensino Superior mas, principalmente, disputar e persuadir nossos professores acadêmicos descrentes acerca do reino de Deus (Atos 19:8).

Então, quem convidará as “Márcias Tuburis” para conhecerem o Evangelho do Reino de Deus sendo pregado num púlpito de uma Igreja Presbiteriana?

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