sábado, 23 de fevereiro de 2013

Jesus foi o negro do mundo? - um discurso sobre a nossa individualidade


Preconceito é algo que todo mundo sofre mais cedo ou mais tarde... e espero não estar sendo preconceituoso quando eu digo isso... Você sofre preconceito porque é bem casado ou porque é separado; porque é alto ou porque é baixo; porque é gordo ou porque é magro; porque é inteligente ou porque é obtuso. Cabe, portanto, duas saídas: a vitimização ou correr atrás para que você seja conceituado pelo mérito pessoal e não pelo grupo ao qual pensam que você participa. Preconceito é ser avaliado sob o estigma de um grupo ao que, se supõe, você pertença. Esta definição está no Houaiss. Em outras palavras, preconceito é julgar a parte pelo todo. A saída contra esse preconceito, que se mostra na avaliação de um indivíduo pelas características de um grupo, deve ser a reversão dessa coletividade pela sua individualidade. O preconceito pode se tornar uma oportunidade para mostrarmos que não somos o grupo no qual insistem em nos encaixotar. Somos mais do que a massa, mais do que o grupo, porque somos antes indivíduos dotados de uma personalidade e valor únicos para Deus.

Perceba, se você é um gay, você quer ser respeitado pelas características do movimento gayzista de Luiz Mott ou pela pessoa que você é? Se você é um cristão, você quer ser respeitado pelas características de quais grupos? Católicos, evangélicos ou espíritas? Se você é um cidadão, um membro da sociedade que é identificado por números em série, você deseja ser essa massa? Deseja ser essa impessoalidade? Ou, para longe dos rótulos, associações e estereótipos, você quer ser respeitado pelo que você é? Se você é negro, o seu grupo hoje lhe oferece os benefícios das cotas, mas, amanhã, será você sozinho quem terá que provar que conquistou seu diploma por mérito e não por se esconder atrás de um discurso sobre dívida histórica. É como ser brasileiro em algum lugar do mundo: as pessoas vão pensar que você é samba, futebol e melancia até que os seus méritos pessoais mostrem quem você é de fato.

Nós queremos pertencer a determinados grupos com os quais nos identificamos, o que é natural. Contudo, o problema é quando o grupo passa a alimentar-se de nós, exigindo que carreguemos uma bandeira que suprime ou vai contra a nossa individualidade. É a cultura da massa contra a liberdade do indivíduo. Então é responsabilidade sua não sucumbir ao meio e ao outro, mas se superar.

Ser cristão, hoje, cristão de verdade, bíblico, que se agarra ao testemunho do tempo, é o mesmo que ser um nazista ou um membro da Ku Klux Klan. Você será acusado de homofóbico, sem sombra de dúvida. Dirão que você é um serzinho medíocre que não merece o mínimo de respeito. Dirão que é um fundamentalista e nem te chamarão para as rodas de conversa, porque todos já sabem, de antemão, o que você pensa, o que vai dizer e o que crê. Não interessa quem você é, o que importa é que eles já julgaram quem você seja. Portanto, você é o pobre do mundo.

Ser calvinista, por exemplo, é o mesmo que ser um revolucionário do Partido de Mao Tsé-Tung. Você será um totalitário de mente dominadora e tacanha. Um serzinho vesgo e pequenino como algum desses personagens das histórias fantásticas do C.S. Lewis ou do Tolkien. Dirão que você é intransigente, puritano, hipócrita, dono da verdade, opressor das massas, ditador e seguidor do assassino de Serveto! Não interessa quem você é, o que importa é que eles já julgaram quem você seja. Portanto, você é a mulher do mundo.

Agora estão dizendo que a minha denominação eclesiástica aceita a ordenação de pastores gays, só porque os americanos e escoceses daquelas denominações estão aceitando a ordenação de pastores homossexuais. A minha igreja não tem nada com isso. Uma coisa é uma coisa e a outra coisa é outra coisa, mas vai tentar explicar isso! Outra: sempre digo que o que mais me marcou na minha pública profissão de fé, quando fui recebido na minha igreja, foi a promessa que fazem todos os que se congregam a ela: “Prometo ser-lhe fiel, enquanto a liderança da igreja for fiel às Sagradas Escrituras”. Assim, livro-me da subserviência ao grupo, caso eu entenda que este discorda da Palavra que eu sigo... Mas, ainda assim, não interessa quem você é, o que importa é que eles tomam o modo subjuntivo pelo indicativo. Em outras palavras, julgam você por aquilo que você seja como se fosse isso o que você é. Portanto, você é o escravo do mundo.

Eu tinha uma amiga gay (tempos pregressos), que me levava para a casa e dizia à família dela que eu era seu namorado (só para manter as aparências). Até que uma amiga "entendida" foi visitá-la e ela fez a besteira de estender a brincadeira: “Você ainda não conhece meu namorado, não é? Aqui está. Deixa eu te apresentar”... A amiga gay dela ficou pálida na nossa frente, mas, na hora, não disse nada. Sentamos para assistir tv, nós no chão e a amiga ao nosso lado no sofá. Dali a pouco, a amiga não suportou mais e explodiu num acesso de ira: “Você está louca? O que as meninas vão dizer?”, disse ela rosnando. “Você não pode namorar um homem. Você é gay! Você está louca”... A discussão entre as duas saiu do controle até o ponto de eu ter que ir embora e deixar o barraco quebrando atrás de mim. Então, veja, eis um exemplo do poder coercivo do grupo sobre o indivíduo: “Você é gay”!

Cuidado: o grupo irá anular quem você é, caso a sobrevivência dele esteja em jogo. Grupos tendem a não permitir que você seja quem você é, caso isso signifique algum dano a eles. Sempre foi assim e sempre será. E é disso que a sua individualidade precisa se resguardar: a usurpação da liberdade é a realidade totalitária oculta sob o manto da democracia das minorias.

Jesus foi o negro do mundo? Ele é o melhor exemplo de tudo o que estou dizendo aqui. Jesus sempre foi avaliado pelo grupo, ao qual insistiam que ele se identificasse: filho, nazareno, galileu, judeu, homem, profeta, rei, messias populista, milagreiro, essênio, gay, marido de Maria Madalena, etc. Tentam resumir ou re-interpretar Sua pessoa por todos estes séculos, segundo cada um desses grupos, contudo Jesus não era nenhum deles no final das contas. Jesus não era, porque sempre fora, desde a eternidade, o Filho unigênito do Pai, a segunda Pessoa da Trindade. O fato de Jesus ter se identificado, por Sua livre vontade no mistério da encarnação, com um ou outro grupo não anulou a Sua individualidade.

Mas e você, quem você é? Eu queria dizer algo maravilhoso que eu descobri para a minha própria vida. Antes de pertencer a qualquer grupo, seja a família, seja a igreja, um partido político, ao cristianismo, antes de qualquer um desses grupos, eu já pertencia ao Pai. Desde a eternidade, antes mesmo de nascer, Deus já havia me planejado. Assim, a minha identidade, a verdadeira identidade, está guardada em Deus. Quem eu sou é um tesouro escondido no coração de Deus. Volte-se a Ele e descubra essa verdade em Cristo, porque a liberdade que conquistamos em Jesus é um bem inegociável.

PS - Enfim, escrevi este artigo tendo essa música de John Lennon martelando em minha cabeça por todo o texto: "Woman is the nigger of the world". Uma música pró-feminista e que causou polêmica na época por causa do "nigger" da letra. Aliás, a letra é da Yoko Ono. Uma letra contra o preconceito, mas que foi acusada de ser uma música preconceituosa (pensamento envesado típico de quem permite que "grupos" pensem em seu lugar).




A mulher é o escravo do mundo
Sim, ela é...pense nisso
A mulher é o escravo do mundo
Pense nisso...faça algo sobre isso

Nós a fazemos pintar o rosto e dançar
Se ela não for uma escrava, dizemos que elas não nos amam
Se ela é real, dizemos que ela está tentando ser um homem
Enquanto a colocamos pra baixo, fingimos que ela está por cima

A mulher é o escravo do mundo, sim ela é
Se você não acredita, dê uma olhada em quem está contigo
A mulher é o escravo dos escravos
Ah, sim...

Nós a fazemos parir e criar nossos filhos
E depois as deixamos de lado por serem mães gordas como galinha
Nós dizemos que elas só devem ficar em casa
E depois dizemos que são muito anti-sociais para ser amigas

A mulher é o escravo do mundo, sim ela é
Se você não acredita, dê uma olhada em quem está contigo
A mulher é o escravo dos escravos
Ah, sim...

Nós a insultamos todo dia na TV
E nos perguntamos por quê lhe falta coragem ou auto-confiança
Quando jovens, tiramos delas a promessa de liberdade
Enquanto as mandamos serem pouco inteligentes, as culpamos por serem tão burras

A mulher é o escravo do mundo, sim ela é
Se você não acredita, dê uma olhada em quem está contigo
A mulher é o escravo dos escravos
Ah, sim...se você acredita em mim, melhor gritar sobre isso

Nós a fazemos pintar o rosto e dançar
Nós a fazemos pintar o rosto e dançar

Um comentário:

  1. Poxa!Um texto desse nível sem nenhuma apreciação e comentário! Eu não tinha lido ainda. Seus textos são longos e geralmente quando estou na internet estou fazendo algum trabalho enquanto estou on line: preparando aula, corrigindo tarefas e até assistindo tv e por isso nem sempre me concentro para ler textos extensos, mas hj me deitei sem nada pra fazer e vim fuçar por aqui. Amei demais!!Interessante que hj as pessoas desejam ser incluídas em grupos, precisam participar e nesse afã pela adesão esquecem-se de quem são. Eu acho que é muito fácil se perder, se confundir. Cuidar do nosso universo interno é mais complicado que pensamos.
    Abração!!!

    ResponderExcluir

Leia também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...