terça-feira, 24 de julho de 2012

7º Congresso do CONPLEI – do vício às virtudes (1ª parte de 3)


Eli Tikuna, Paulo Nunes, Henrique Terena e Edson Baikari
É com imensa alegria, verdadeiro júbilo em meu coração, que me vi participando do 7° Congresso do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas. Entretanto, o foco deste artigo não é elencar tão somente as razões do meu júbilo, mas, principalmente, esclarecer o que dá origem ao título deste texto: o vício insistente e as virtudes do Congresso realizado na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, no AMI (Centro de Treinamento Indígena).

Pela história dos demais Congressos Nacionais do CONPLEI, pela própria característica da antropologia ideológica que ainda tem sido o instrumento utilizado nas missões indígenas e também por meu conhecimento dos discursos de irmãos que estão inseridos na história do CONPLEI, vim ao Congresso sabendo bem dos vícios, ranços e da mentalidade revolucionária que, indubitavelmente, encontraria aqui. Todavia, qual não foi minha sincera surpresa ao constatar a alternativa viável que as lideranças indígenas, especificadamente a diretoria do CONPLEI, estão encontrando na luta pela evangelização e proteção dos povos indígenas da América Latina. As virtudes às quais me refiro no título começam pela mais importante: a pregação do Evangelho como prioridade na luta pela causa indígena!

Sem exceção, todos os palestrantes indígenas nacionais e estrangeiros colocaram a ênfase de suas palestras e pregações na salvação do indígena por meio do sangue derramado na Cruz do Calvário. Tanto o Henrique Terena, quanto o Eli Tikuna, o Pastor Edmar (cunhado do Henrique Terena) e também cada um dos palestrantes indígenas estrangeiros, enfim, todos eles apontaram a prioridade das ações do CONPLEI, das Missões Indígenas e da luta dos povos para o alvo correto, que é a salvação das almas das etnias que ainda não conhecem o nome do Senhor Jesus. E apenas para que o leitor tenha uma ideia da obra que ainda precisa ser empreendida, só na Amazônia brasileira há ainda 121 povos indígenas que não têm presença missionária em seu meio.

Durante o Congresso, todos relembraram as palavras do missionário Isaac de Souza (autor do livro De Todas as Tribos) que tem defendido já há alguns anos a urgência dos próprios indígenas em tomar nas próprias mãos a causa missionária. Isaac descreve que, na história missionária da Igreja Brasileira, houve uma primeira onda – os estrangeiros que lutaram para que a Palavra de Deus chegasse aos povos indígenas. Depois, uma segunda onda se caracterizou quando a própria Igreja Brasileira, os nacionais, assumiram a responsabilidade na evangelização dos povos indígenas do Brasil. Contudo, Isaac tem despertado a consciência indígena para a hora que chega (e essa hora já chegou) em que os indígenas, a própria Igreja Indígena deve também assumir a obra maravilhosa da glorificação de Deus por meio da evangelização. A terceira onda ergue-se diante de todos como a grande esperança de que os próprios indígenas cristãos obedeçam ao chamado missionário: o indígena alcançando o seu parente indígena! E, tendo o imenso banner ao fundo sobre a 3ª onda, vimos saltar aos nossos olhos o grande desafio imposto por Deus à causa missionária indígena: “uma igreja genuinamente indígena para cada povo indígena”!

Mas quanta alegria em meu coração quando vi a liderança indígena unânime no Congresso defender que as ondas não são eventos isolados na história missionária, ondas que se substituíram umas às outras. Não! Nas palavras de um dos palestrantes, as 3 ondas não devem se separar, mas, unidas, elas precisam formar uma imensa tsunami que alagará com o Evangelho as futuras gerações que estão surgindo carentes da Palavra de Deus em suas próprias línguas.

Enfim, o 7° Congresso do CONPLEI excedeu em suas muitas virtudes. Entre elas, há o testemunho maravilhoso Igreja Indígena que se ergue com uma liderança evangélica que poderá não apenas agregar novo vigor e alternativas às missões indígenas, mas, principalmente, servir de modelo para que a nossa Igreja Brasileira encontre um novo paradigma para si mesma, encontre um modelo de unidade, de ação conjunta, corajosa e madura como vimos no CONPLEI nestes preciosos dias.

A esperança ao sair deste Congresso é de que o Espírito Santo poderá fazer do CONPLEI um exemplo para a Igreja Brasileira tão carente hoje de líderes e pastores verdadeiramente evangélicos e, quem sabe, possamos encontrar nessa maravilhosa geração indígena os líderes que tanto precisamos. E eu agradeço a Deus por isso.

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