quinta-feira, 12 de julho de 2012

Nosso amor que teve seu começo numa Festa de São João...


“Filho meu, atenta às palavras da sua mãe. As histórias que estou contando são para você e para as futuras gerações. É o meu registro sobre o início de tudo. O que os meus olhos viram, é sobre isso que eu quero lhe falar. Meu filho, você me pergunta sobre meu pai, a história dele e, agora, enquanto eu escrevo estas linhas, percebo como que há algo estranhamente planejado para que as coisas tenham sido do jeito que foram. Mas quem as planejou? Quem é esse que tece as nossas decisões ao que não decidimos e entrelaça tudo isso nessa tapeçaria a que chamamos VIDA? Quem que acima de nós, tão assombrosamente, ata e desata esses nós?... Então, meu filho, abre seus ouvidos.

A Família Ribas: Roni, Leila (minha mãe), Doli, Dóris, Roseni, Regina, Cecília (em pé)E vovô e vovó.
“Papai era paulista. Nasceu em Lorena. Ele foi estudante no Seminário para padres. Quando ele estava há mais ou menos 1 ano antes de ser ordenado, ele verificou que não era aquilo que ele queria para a vida dele. Ele viu que não tinha a vocação necessária para ser padre. Por causa disso, numa noite, ele fugiu. Ele pulou a janela do Seminário e fugiu. Foi para a estação, pegou um trem e fugiu para o interior do Espírito Santo. Minha vó queria de qualquer maneira um filho padre, tanto que tentou com outros filhos que eles fossem padres, mas nenhum seguiu adiante. Apesar de ter fugido, meu pai tinha a crença dele e permaneceu católico até o dia que morreu.

“Com o Seminário, papai saiu muito bem preparado porque naquele tempo se aprendia latim, português se via realmente; papai também tocava órgão, piano, ele tinha uma aptidão para música, compôs vários hinos, inclusive o hino de Iriri, cidade litorânea do Espírito Santo, a composição é dele. Quando meu pai chegou nessa cidadezinha do interior do ES, ele começou a ajudar na igreja, tocando órgão. Minha mãe cantava no coro dessa igreja e tinha uma voz muito bonita e logo chamou a atenção de papai. E deu até uma confusão na época, porque mamãe namorava um outro rapaz, mas aí mamãe cantando no coro da Igreja, papai ali, acabou que ela terminou com o outro rapaz para namorar com meu pai e, então, eles casaram.

“De lá, eles se mudaram para uma cidadezinha chamada Divisa (porque ficava na divisa do ES com MG). Papai foi coletor, passou em algumas cidades trabalhando até que chegou em Vitória. Em Vitória, ele começou a dar aula no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, dando aula de inglês e de latim. Começou a trabalhar também num colégio do Estado só para rapazes. Neste colégio, ele chegou a ser Diretor. Abriu também um cursinho de inglês noturno. Depois, foi ser Secretário do Governo, mas essas coisas de política acabaram aborrecendo papai, porque ele era sempre preterido e acabavam dando oportunidades aos que tinham alguém que os indicasse. Muitas dificuldades financeiras... Éramos muitos filhos. Até que papai resolveu sair de Vitória.

“Quando papai foi embora de Vitória, ele e mamãe foram embora juntos, mas nós ficamos, os filhos ficaram. Dóris, minha irmã, já namorava Carvalho e por conta disso adiantaram o casamento e, então, Dóris ficou no Espírito Santo. Depois, nós seguimos para o Rio de Janeiro, quando papai conseguiu um emprego na Philips Brasil e arranjou uma casa alugada, de fundo, na Tijuca, horrível. Até que vendeu a nossa casa em Vitória e compramos um apartamento em São Cristóvão...

“Será que tudo isso se deu para que eu pudesse conhecer seu pai, meu filho? A fuga de meu pai do Seminário, o coro da igreja, a ida para Vitória, o emprego na Philips Brasil... Veja essa tapeçaria inusitada da vida: um dos meus irmãos, Roseni, foi inventar de ser ruim logo em matemática? Justificativa perfeita para que seu pai viesse a minha casa quase todos os dias ajudar meu irmão. Eles estudavam juntos no antigo científico. Eu passava ali pela sala e via os dois estudando e sequer imaginava o que viria a acontecer.

Leila e Francisco
“Foi numa festa de São João, igual aquela música do Noel, que o nosso amor teve seu começo... Era uma Festa Junina, os dois prédios se juntavam e cada morador entrava com alguma coisa para a festa, uns traziam doces, outros os salgados, as bebidas, enfim, ninguém pagava nada e era uma festa grande. Tinha até polícia na porta, porque muita gente queria entrar de penetra ali naquela festa bárbara que tinha de tudo. Bem, seu pai era um dançarino maravilhoso e gostava de se exibir nas festas. Seu pai até academia de dança havia feito! E Francisco gostava de dançar só com quem dançava bem, porque ele gostava era de aparecer. Por isso, ele sempre dançava nas festas com uma menina que fazia par com ele e que também dançava muito bem. Mas, naquela noite de Festa de São João, logo naquela noite aquela menina não foi à festa. E eu estava lá toda vestida de caipira, uma caipira bonita, minha caipira estava muito linda mesmo. Aí, Francisco passando os olhos no salão ali, ele me viu, veio na minha direção e me tirou para dançar. Dançamos uma vez, duas vezes, três vezes, quando vi, havíamos dançado a noite inteira... e, foi assim, meu filho, que entre uma dança e outra, um passo e outro, antes da noite terminar, seu pai e eu começamos a namorar...
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