quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Terminando a faculdade no tapa"!

Papai
Filho meu, ouça bem, agora escrevo para falar daqueles anos que se seguiram ao meu casamento com seu pai... Casamos no dia 10 de abril! No dia 9, casamos no civil e no dia seguinte casamos no religioso. Francisco não trabalhava até então, vivia de mesada, ia e voltava do Rio para o Espírito Santo com a mesada do pai. Mas, agora, casado, teve que começar a trabalhar. E começou a trabalhar numa mercearia que havia na frente do próprio prédio em que estávamos morando. Era uma loja grande onde ele montou uma mercearia. Tinha tudo ali, tinha sardinha, azeite, óleo... Até que ele saiu da mercearia e foi trabalhar com meu pai no MEC no Rio de Janeiro.

A gente começou a passar muita dificuldade financeira. Eu lembro até de uma vez que, passando o gás, o rapaz veio para vender o botijão e eu disse que não precisava, mas, na verdade, eu não tinha era dinheiro para comprar o gás. E essa dificuldade toda e Francisco continuava estudando, às duras penas. Eu vivia dizendo para ele: “Você não vai parar de estudar, porque eu não quero que o seu pessoal, a sua família, depois venha dizer que você largou os estudos porque casou comigo”! Eu tive que dizer isso várias vezes para ele, por que, volta e meia, ele ameaçava dizendo que não dava conta e que não ia aguentar. Tinha que sair de Niterói para o Rio naquela época e chegava todo dia da faculdade 1 hora da manhã para, logo cedo, sair para trabalhar. “Ah! Leila, acho que eu não vou dar conta não. Eu vou trancar a faculdade”, vinha ele dizendo. “Não! Você não vai não! Você vai se formar nem que seja no TAPA!!! Porque eu não vou dar esse gosto para sua família de dizer que você não se formou por minha causa, Francisco”! Aí, eu tive que começar a ajudar. Eu tomava os pontos dele, perguntava, questionava, enfim, passava com ele todas as matérias que precisava estudar. 

Quando, finalmente, ele se formou, depois de tanta luta, depois de tanta madrugada acordada estudando com ele, dei graças a Deus por me ver livre daquilo tudo. Contudo, a tão esperada noite da formatura eu nem pude aproveitar, porque já estava grávida de Viviane e, cansadíssima, sentia-me enjoada e um sono terrível tomava conta de mim. Eu fui de vestido longo e já na barca que atravessava para o Rio, eu estava dormindo. Cheguei ao baile, mas o vestido já estava me incomodando: “Ai, Francisco, eu quero ir embora, quero ir embora, eu estou passando mal”. E, acredite, acabamos indo embora mais cedo mesmo, porque, simplesmente, eu não conseguia nem ficar em pé (e nem acordada)! Assim, na noite em que deveria ter aproveitado a vitória conquistada por nós com tanto esforço, eu estava mesmo era me sentindo presa dentro de um vestido apertadíssimo e com Francisco me segurando na borda falsa da barca Rio-Niterói, enquanto eu passava mal de tanto enjôo...

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