sábado, 6 de outubro de 2012

A cidade, a eleição e a farsa democrática

Brasília é atípica – não há eleições neste ano. Aliás, nunca há estas eleições que estão ocorrendo pelo país afora. Na Capital Federal, há eleições apenas para Governador, deputados distritais e federais, além dos senadores de praxe. Mas não há prefeito em Brasília e, obviamente, nem vereadores e devo confessar que agradeço muito por isso. Brasília já sofre terrivelmente já tendo o que tem. Para que mais?

Contudo não é de Brasília que eu quero falar hoje. Eu gostaria de compartilhar essa realidade com a qual, certamente, você está tão acostumado, e eu não: eleições municipais! Hoje, não moro mais em Brasília e estou tendo a oportunidade de, pela primeira vez (eu já tenho quase 40 anos de idade), acompanhar os movimentos, as intrigas, as baixarias, contradições e risos de uma eleição municipal.

A mentira é o que, primeiramente, salta-me aos olhos, não apenas as mentiras que são ditas pelos candidatos, mas a mentira da democracia instaurada em nosso Brasil. E minha cidade – linda cidade – torna-se de uma só vez vítima e amostra do que, eu sei, ocorre pelo interior deste país ainda adormecido em berço esplêndido. Indo ao ponto, você acredita que só há 2 (dois), isso mesmo, só existem DOIS candidatos oferecidos para que votemos em um deles?!

Que porcaria de democracia é essa? Um dos candidatos pertence ao partido abortista, o mesmo do kit gay e das causas anti-família. Parece que ele é empresário e fazendeiro com as burras cheias de dinheiro. O que, para mim, já é flagrante contradição doentia pessoas assim se filiarem a um partido que apoia o terrorismo de movimentos como o do MST e a sobrecarga de imposto, mas, vá lá, coerência é arte para poucos... Já o outro é sobrinho do atual prefeito da cidade, prefeito que foi cassado por desviar verba pública, enquanto aquele seu sobrinho chegou a acumular mais de uma secretaria ao mesmo tempo durante o mandato do tio. Enfim, se ficar o bicho pega e se correr o bicho come!

E o pior ainda não é nada disso. O pior mesmo é ver no Facebook uma campanha para convencer as pessoas que o voto nulo é nulo e não serve para nada (nem vou falar nada do voto em branco). Então, eu pergunto: e aí? Será que só eu vejo a farsa da Democracia? Os candidatos nem fui eu quem os escolhi. Os partidos se reuniram, montaram suas coligações segundo o grau de suas espertezas e cada uma delas escolheu para mim o seu candidato. Agora, na maior cara de pau, dizem que democracia é essa maravilhosa arte exercida pelo cidadão de escolher entre o sujo e o mal-lavado.

Nem sei se é grande consolo perceber que essa falência é universal. Você já percebeu o rolo em que os americanos cristãos se meteram? É o mesmo que se dá aqui na minha cidade. Lá, há um candidato que defende o aborto, casamento gay e políticas públicas que avançam frontalmente contra a família. O outro, pasmem, é tudo aquilo que um cristão poderia sonhar em votar (ele é contra todas essas bandeiras anti-vida do esquerdismo), só que ele é mórmon. É, ele é mórmon! Mórmon é aquela turma que acredita na poligamia e no politeísmo (não há Santíssima Trindade, mas 3 deuses e, para radicalizar mais ainda, depois os mórmons começaram a ensinar que eles, os mórmons, eram deuses!).

Algo parecido está acontecendo em São Paulo. Os conservadores vêm nos últimos anos votando no PSDB por falta de opção melhor, porque, sinceramente, o PT e o PSDB são farinha de um mesmo saco ideológico com a diferença que um deles usa black-tie e se gaba de ter estudado em francês. Então, aparece o candidato do PRB com um discurso a la Romney. O que acontece? Os conservadores paulistas todos correm para ele, porque é melhor do que aquele discurso aguado do PSDB (falo como conservador). Mas qual o problema em São Paulo? É que o cara parece mais do deveria com o Romney. Não, ele não é mórmon, mas... o PRB é da Igreja Universal. É, isso mesmo, aquela mesma Igreja dos carrinhos-de-mão sendo carregados com os sacos cheios de dinheiro dos dízimos dos fiéis, aquela igreja que chama seus fiéis de otários e dá curso aos obreiros de como arrancar mais dinheiro deles; é a mesma igreja cujo líder, o Bispo Edir Macedo, já se declarou favorável ao aborto e que é a mesma igreja que já possui dois canais de TV em rede nacional! Gente, pare e pense no Brasil, e se esse candidato ganhar a Prefeitura da maior cidade da América do Sul? Vamos ver o inicio de uma estratégia, um projeto de poder de “universalização” deste país. Que os céus nos livrem disso!

Blog "O Seringueiro"
Enfim, voltando a minha cidade de menos de 20.000 habitantes, como disse, ela é vítima e amostra de tudo o que foi exposto no texto deste post. Qual a conclusão? Que apesar da democracia ser ainda o melhor dos piores sistemas no qual podemos optar, isto não pode ser desculpa para nos deixarmos amarrar e engolir os candidatozinhos que essas coligações interesseiras insistem em nos enfiar goela adentro. A constatação é que não há democracia na minha cidade, nem em São Paulo e nem nesse esquema bipartidário montado pelos americanos.

Vamos piorar? Viver num sistema em que eu voto num candidato X e vejo o meu voto ser usado pelo partido para a eleição de um outro candidato que eu nem sei quem é só afasta tenebrosamente o povo disso a que chamamos política. Mas o que fazer, então?! Para este último problema levantado neste parágrafo, há a proposta nada perfeita, eu sei, do voto distrital, mas já é uma alternativa, contudo precisamos de mais alternativas, necessitamos urgentemente de mais criatividade, caso ainda queiramos chamar isso tudo de “democracia”. 

Candidato perfeito não existe, eu sei. Todavia como explicar a um sistema "representativo" que o que ele tem me oferecido simplesmente não me representa e, pior, até mesmo me afronta moral e espiritualmente. Não há liberdade alguma em escolher obrigatoriamente entre dois caminhos. Isto é uma piada não só de muito mau-gosto, mas que tem saído muito caro aos cofres públicos dos municípios e da federação. Definirei esta realidade como a "ditadura do maniqueísmo": um engodo que apenas revela a miséria de uma civilização ocidental ainda oligárquica e nas mãos de grupos que criam a ilusão de que participamos do processo. Ledo engano!

Infelizmente, vou terminar este post de hoje sem apresentar as devidas respostas, porque ainda não as tenho; porém, posso dizer uma coisa com certeza: não sou adepto da ideia pós-moderna que tenta me convencer que votar pode ser uma escolha de um mal-menor e que isto seria melhor do que não votar. Como cristão, eu não acredito em mal menor. Mal é mal e ponto. Vejam, embora tenha dito que não apresentaria resposta alguma, além do voto distrital, acabei sugerindo neste parágrafo outra: o fim do voto obrigatório. De qualquer modo, fico com a frase trazida pela Rô nesta semana no Facebook: “Entre dois males, não escolha nenhum” (Spurgeon). Graça e paz, porque precisaremos. Abraços!

PS - Só para mostrar que não há mal que possa ficar pior ainda, assista ao vídeo abaixo:
Post publicado originalmente no Mulheres Sábias Blog da Rô

Um comentário:

  1. Aqui em BH há muitos candidatos, praticamente todos da mesma vertente marxista, mas é possível encontrar ao menos um que não se alinhe com ela [ainda que sempre tenha um ou outro resquício desse mal]; porém, a polarização entre dois candidatos é inevitável, num mundo tão baixo e pobre, em todos os sentidos.

    A questão é que, penso, não existe ilusão da maioria dos eleitores quanto ao fato de ser enganado, seja por um ou outro, o problema é que ele acredita piamente não haver outra saída, a não ser se deixar enganar num nível menor por um deles. E assim, o círculo se fecha até a próxima eleição... Enquanto se acreditar que o logro é inevitável, esse fatalismo sempre gerará novos logradores e logrados.

    Em um país onde a máquina estatal estende seus tentáculos a todos os poderes e esferas públicas e privadas, acreditar em moral, ética e descência é acalentar um sonho que se materializa em pesadelo. Mas ainda penso que o pior de tudo são as pessoas se acostumarem ao terror acreditando-no impossível, ou alimentando-o crendo que se curará. Em ambos os casos, se colabora com ele, ainda que se diga não; pois os atos, ou a falta deles, negam o dito.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

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