terça-feira, 13 de novembro de 2012

Os Progressistas venceram na terça-feira (Jonah Goldberg)

Jonah Goldberg
Os Progressistas venceram na terça-feira.

Eu não estou falando das pessoas que votaram nos Democratas que se chamam de "progressistas". Embora eles tenham vencido também.

Eu estou querendo dizer dos Progressistas que estiveram travando um esforço secular para transformar o nosso “governo de estilo Americano” em um “Estado de estilo Europeu”.

As palavras "Governo" e "Estado" são muitas vezes usadas​ como sinônimos, mas são coisas muito diferentes. De acordo com a visão dos Fundadores (americanos), o povo é soberano e o governo nos pertence. Sob o conceito Europeu do estado, as pessoas são criaturas do Estado, significativas apenas como partes de um todo.

Esta versão Europeia do Estado pode ser agradável. Pode-se viver confortavelmente sob isso. Muitas pessoas decentes e inteligentes sinceramente acreditam que este é o caminho intelectual e moralmente superior de organização de uma sociedade. E, para ser justo, não é uma coisa binária. A linha entre os modelos europeu e americano é embaçada. A França não é uma distopia Huxleyana e a América não é e nunca foi uma utopia de anarquistas, nem conservadores querem que seja assim.

A distinção entre as duas visões de mundo é mais um desacordo sobre os pressupostos de quais instituições devem assumir a liderança em nossas vidas. É um argumento sobre como deveriam ser os hábitos do coração americano. Devemos viver em um país onde o primeiro recurso é apelar para o governo, ou devem ser reservadas intervenções governamentais como último recurso?

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Esses pressupostos são formados e informados pela retórica política. O presidente Obama fez uma campanha insistindo que os Democratas acreditam que "estamos todos no mesmo barco" e que os Republicanos acham que deve ser "se virar sozinho" não importam as dificuldades que você enfrenta. Nós somos os “guardiões” de nossos irmãos e irmãs, segundo Obama, e o Estado é como nós "cuidamos" um do outro. O vídeo introdutório na Convenção Nacional Democrata proclamou: "Governo é a única coisa a que todos nós pertencemos."

Exatamente 100 anos antes da vitória da reeleição de Barack Obama, Woodrow Wilson foi eleito presidente pela primeira vez. Era convicção de Wilson que o antigo entendimento americano de governo precisava ser europeizado. A chave para esta transformação foi convencer os americanos de que todos devem "casar os nossos interesses com o Estado."

O principal obstáculo para esta missão é a família. A família, entendida corretamente, é uma fonte autônoma de sentido para nossas vidas e o principal local onde nós nos sacrificamos pelos outros cooperando com eles. É também a base para as comunidades locais e engajamento social. Como o cientista social Charles Murray gosta de dizer, “os homens solteiros raramente voluntariam-se para treinar equipes de futebol infantil”.

O Progressismo sempre olhou para a família com ceticismo e, ocasionalmente, com hostilidade. O Reformador Charlotte Perkins Gilman esperava a libertação das crianças apoiadas pelo Estado para destruir "a tirania desmarcada. . . do lar privado” . Wilson acreditava que o objetivo da educação era fazer as crianças o mais diferente possível de seus pais. Hillary Clinton, que se define como uma progressista moderna, e não uma liberal, uma vez disse que devemos ir além da noção de que há "algo como filho de alguém".

Uma das duras lições da vitória de Obama é até que ponto o Partido Republicano tornou-se um partido para os casados e para os religiosos. Se apenas as pessoas casadas votaram, Romney teria vencido como um deslizamento de terra. Se apenas pessoas casadas religiosas votaram, você precisa de uma palavra que signifique algo muito maior que um deslizamento de terra. Obviamente, Obama obteve alguns votos de casados e religiosos (estas pessoas podem casar os seus interesses com o Estado também), mas de uma maneira geral, a coalizão de Obama depende fortemente de pessoas que não vêem a família ou a religião como fontes rivais ou superiores (ao Estado) para a ajuda material ou autoridade moral.

O casamento, particularmente entre a classe trabalhadora, já saiu de moda. Em 1960, 72 por cento dos adultos eram casados. Hoje, apenas metade são. Os números para os negros são muito mais gritantes. Os ricos ainda se casam e esta é uma grande razão pela qual eles estão bem de vida. "São os americanos privilegiados que estão se casando e casar os ajuda a permanecerem privilegiados", diz Andrew Cherlin, um sociólogo da Universidade Johns Hopkins, ao New York Times.

A religião também está diminuindo drasticamente nos Estados Unidos. O Gallup encontra uma freqüência regular à igreja de até 43 por cento dos norte-americanos. Outros pesquisadores acham que pode ser menor que a metade.

No rescaldo da pesada urbanização e industrialização americana, e diante de uma brutal desaceleração econômica, Franklin D. Roosevelt prometeu lutar pelo "homem esquecido" - o americano que se sentiu perdido em meio ao caos social da época. Obama fez campanha para "Julia" - a mãe rica solteira que não tinha família e nenhuma fé ostensiva à qual recorrer.

Em suma, o povo americano está começando a parecer com os europeus e, como resultado, eles querem uma forma europeia de governo.

Jonah Goldberg é editor da National Review Online e professor visitante do American Enterprise Institute. Você pode escrever a ele por e-mail em JonahsColumn@aol.com, ou via Twitter @ JonahNRO. © 2012 Tribune Media Services, Inc.


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