terça-feira, 29 de maio de 2012

TRIBUTO AO PASSADO - TARAUACÁ - AUTORIDADES

No meio José Calixto 1º Gerente do BASA, Prefeito Raimundo Ramos 1º à esquerda; de paletó branco provável Wanderley Dantas; atrás do Wanderley Dantas Sr. Mansueto e atrás desse de óculos, o Sr. Sebastião Braga.
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 "O diálogo", ao lado de "A terra" e do "Contra-ponto", é mais uma página que compõe o blog "O Seringueiro". "O diálogo" é um espaço para divulgar e publicar outros blogs, reportagens, artigos, enfim, outras contribuições para contarmos a história do meu pai, seu tempo e do Acre. Por isso, hoje, trouxe o post de Palazzo em Tarauacá Notícias, que tem prestado grande apoio ao meu trabalho. 

Aproveito também para convidar todos os familiares, amigos e testemunhas daquele tempo, que desejam prestar suas homenagens à memória do meu pai e à história do Acre, que enviem seus artigos, fotos, blogs e pesquisas para divulgarmos em "O diálogo". 

Agradeço o apoio recebido pelos amigos, familiares e também à presença prestigiosa do jornalista Altino Machado

Agradeço ao Blog "Estudando a História", dos professores EDuardo e Egina, que prestaram maravilhoso apoio em seu blog, divulgando meu trabalho.


E também ao blog Gândavos do Carlos Lopes que também republicou meu post.

Abraços a todos!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

30 anos sem meu pai - A história de uma ausência!


Meu pai é o quinto da esquerda para a direita (Fonte: Tarauacá Notícias).
Há 30 anos - 24/05/1982 - falecia o Professor Francisco Wanderley Dantas, meu pai. Minhas lembranças daquela distante manhã são marcantes. Era véspera do meu aniversário de 9 anos. Meu pai falecia 5 dias antes da comemoração da data natalícia daquele rapazinho que tão pouco o conhecera. Ele viajava muito e minha mãe, Leila Dantas, foi quem assumiu a maior parte da responsabilidade sobre a minha criação. Eu era o único filho e caçula, acompanhado de duas irmãs, Jeanine e Viviane.

Três ou quatro lembranças muito fortes acompanham-me até os dias de hoje: a primeira e mais antiga, eu chegando em casa da escola, ouvindo minha mãe dizer que meu pai já chegara de uma de suas viagens e que estava no quarto. Corri para lá, menino pequenino, mochila nas costas e uma lancheira de lata numa das mãos. Chegando no quarto, meu pai estava sentado na velha poltrona e me coloquei bem na frente dele. Larguei a lancheira e deixei cair a mochila no chão, pulando bem em seus braços que já se encontravam abertos para me receber. A segunda lembrança foi resultado de uma provocação que fiz, desdenhando-o bem na frente dele. Isso o tirou do sério e ele saiu correndo atrás de mim com o cinto já em sua mão. Entrei debaixo da cama, mas de nada adiantou me jogar de um lado para o outro, a surra veio certeira (e merecida!). A terceira foi quando, depois de uma discussão entre meu pai e minha mãe, esta me pediu que fosse até o quarto ficar com papai. Aproximei-me da cama bem devagarzinho, recostei-me sobre seu peito e fui abraçado por ele. Quando ergui a cabeça, vi uma lágrima que descia pelo rosto do meu pai; enfim, outra cena marcante daquela infância foi quando meu pai pediu que o porteiro do prédio enchesse o pneu da minha bicicleta caloi verde. Estava feliz com aquele presente, mas quando vi o porteiro vindo sentado e pedalando na bicicleta, quase que deixo transparecer toda minha ira infantil e egoísta.

Há outras lembranças, contudo nenhuma imagem está tão fortemente marcada como a daquela manhã. Jeanine entrando e saindo do meu quarto, abri os olhos e, pela janela, lembro que me chamou a atenção as nuvens baixas e carregadas que pareciam quase tocar na janela daquele apartamento, sexto andar, no bloco em que morávamos em Brasília. Fechei novamente os olhos e dormi. Mas Jeanine, repentinamente, segurou-me nos braços e deu a notícia: “Fábio, Fábio, acorda... Papai morreu! Papai morreu!”, dizia aos prantos, enquanto me abraçava.

Há 30 anos meu pai faleceu. Hoje, começo um blog que vai trazer algumas histórias sobre ele, o Acre, minha família. Um resgate histórico, uma homenagem ao meu pai, que sempre fora o desejo de Viviane realizar, mas que a morte precoce impediu-lhe o empreendimento. A autoria “Prof. Wanderley Dantas" é também uma homenagem a ele, mas também representa um outro lado meu, uma perspectiva diferente sobre a minha própria vida, os meus pensamentos e a história do meu país.

Enfim, meu pai, sua história, sua trajetória, suas polêmicas e sua vida ocuparão a página deste blog chamada “A terra”. Porque assim vejo meu pai – terra: o imenso latifúndio de uma terra distante – Acre. Um Brasil que não testemunhei, mas que espero resgatar pela pesquisa e pelo testemunho dos sobreviventes daquele tempo. Inauguro, portanto, o Blog "O Seringueiro" prestando a homenagem aos 30 anos de ausência do meu pai. A história começa!

Prof. Wanderley Dantas

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