terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Julio Severo ou Fábio Ribas – uma resposta (artigo em versão ARA)

Há certo tempo, deparei-me com mais um texto polêmico do apológico Julio Severo, intitulado “Renato Russo ou Ana Paula Valadão?”. Um texto que precisa ser avaliado, principalmente porque, mais uma vez, o autor acerta o alvo e expõe as mazelas e idiossincrasias do ainda muitíssimo imaturo e circunscrito movimento calvinista no Brasil. 

Talvez, antes de continuar este artigo, eu deva apresentar abertamente o que penso de Julio Severo. Então, eu devo dizer que cobeligero ao lado dele no apoio a Israel, mas não pelos mesmos motivos de Julio e isso se explica porque temos teologias diferentes. Também discordo compreensivelmente de seu pentecostalismo, de suas “visões”, “revelações” e outras questões defendidas por ele. Digo “compreensivelmente”, porque entendo que Julio está sendo coerente com suas premissas. E creio que esse é o ponto que me leva a escrever este texto: entre outras questões de seu artigo que posso considerar secundárias, o cerne da denúncia que o Julio faz é que os calvinistas citados por ele (além de tantos outros Brasil afora) simplesmente são incoerentes com a sua própria teologia. Mas em qual ponto somos incoerentes? Será na música que ouvimos? Será na música que não ouvimos? Será nas novas “revelações” que não cremos? Será nos “sonhos e visões” dos quais nos acautelamos? É preciso discernir especificadamente qual o ponto nevrálgico do texto de Julio, caso queiramos um calvinismo no Brasil que traduza o melhor que esta tradição tem a oferecer à Igreja Evangélica em nosso país. Portanto, eu creio que certos calvinistas brasileiros precisam sair de suas torres de marfim e ouvir com atenção o que o Julio está falando sobre nós. Sigamos portanto. 

Como já disse, Julio Severo é um homem coerente com seus valores e com os pressupostos que dão origem tanto a esses valores como aos seus textos publicados na internet. E esta coerência do Julio o leva a perceber a incoerência dos que se dizem cristãos, mas vivem em evidente prática de vida contrária aos valores mais caros do Evangelho, por isso indaga-se Julio: como pode um ministro da Palavra de Deus, um líder que tem sobre seus ombros a responsabilidade de orientar espiritualmente suas ovelhas, recomendar a estas que escutem um declarado defensor da causa gayzista? Ora, sejamos honestos e nos vejamos com os olhos do Julio, que, na verdade, expressa a opinião de milhares de outros cristãos brasileiros sobre o que seriam s tais calvinistas. Julio também traz o fato que esse mesmo ministro da Palavra de Deus execrou uma conhecida cantora gospel por suas músicas pentecostais (e eu mesmo não vou esquecer das estranhas posturas da tal cantora como engatinhar como leão, ter sonhos com botinhas de pitom, etc), mas, evidentemente, nada disso é o ponto profundo no qual Julio quer, de fato, tratar. Estas questões foram apenas a “captação” que nos chamaria a atenção à real tese de Julio contra aquele grupo de calvinistas que ele denunciou em seu texto.  

A denuncia de Julio é outra, portanto. Ela se revela quando ele mostra que o problema com calvinistas como Fábio Ribas e tutti quanti não é apenas uma questão de abordagens teológicas diferentes e de pressupostos e hermenêuticas divergentes, mas, direi mais uma vez, o problema é que aquela turma dos calvinistas não são coerentes com a própria teologia que afirmam seguir! Em outras palavras, concordemos ou não com a teologia do Julio e da Ana Paula Valadão, estes ao menos estão sendo coerentes com aquilo que pregam. E creio que é aqui a ferida exposta pelo Julio e que certos calvinistas brasileiros que tem se destacado na blogosfera fariam muito bem se conseguissem se despir de seu corporativismo, de suas agressões verbais e de sua altives intelectual e percebessem os argumentos apresentados por Julio. Ele não é o único que pensa isso sobre aquele grupo de calvinistas e, se queremos realmente nos comunicar com nossa cultura brasileira, precisamos, então, aprender a nos olhar com os olhos dos outros e ver o que temos feito de errado em nossa comunicação do Evangelho. Olhemo-nos, portanto. 

O que é o calvinismo brasileiro? Ora, o que o Julio apresenta ao seu leitor como calvinismo é o que este movimento mostrou como frutos tanto na Europa como nos EUA e, agora, na chamada “América Latina” e, especialmente, no Brasil. Os países da Europa que outrora foram calvinistas hoje são pós-cristãos. Alguém aqui poderia argumentar que a culpa disso não é do calvinismo, mas da teologia liberal, contudo, foi em ambiente calvinista que nasceu a teologia liberal e suas sandices e, ao menos, caberia ao calvinismo uma resposta à altura às heresias modernas tanto do liberalismo teológico como do marxismo. Todavia, o calvinismo não foi apenas ineficaz em ensinar e influenciar aquela cultura, como, também, viu muitos dos seus próprios teólogos sucumbirem aqueles inimigos.

Assim como ocorreu entre os calvinistas europeus e americanos, a teologia liberal também seguiu fazendo festa e estrago no hemisfério sul. O que Julio vê nos Estados Unidos é a liberalíssima denominação Presbiteriana que começou ordenando mulheres e, agora, gays também! E, sinceramente, aos que olham de fora, pouco importam as diferenças entre as denominações presbiterianas lá de fora e as diversas e independentes denominações existentes no Brasil (IPB, IPC, IPU, etc). O fato é que, um dia, o nascedouro de todas elas foi o mesmo: o calvinismo que abraçamos como sendo a melhor interpretação das Sagradas Escrituras.

O que Julio indaga com sinceridade é como que uma teologia de gigantes como João Calvino, John Knox, Jonathas Edwards, os Puritanos, Spurgeon, Francis Schaeffer entre tantos outros, agora, resume-se miseravelmente a ridicularizar o pentecostalismo, que, gostemos ou não, é um viés interpretativo de irmãos em Cristo que são usados para pregar o Evangelho (eu mesmo e minha esposa viemos de Igrejas Pentecostais). Mas, ainda assim, não é este o ponto central do artigo do Julio. O que o surpreende não é tão somente a oposição de certos calvinistas ao pentecostalismo no Brasil (até porque há calvinistas não-cessacionistas e há os neo-calvinistas também, grupos de calvinistas que tem sido criticados em sua própria casa por possuírem certas características pentecostais), então, o que Julio Severo realmente quer discutir em seu artigo é acertadamente o casamento histórico de um certo calvinismo com o esquerdismo em suas mais diversas vertentes anti-cristãs, antropocêntricas e humanistas! 

O que Julio vê é que a chamada “América Latina” abraçou a teologia liberal, pagã e pós-cristã por meio de líderes cultuados como o católico Leonardo Boff e os ex-ministros presbiterianos calvinistas Rubem Alves e Caio Fábio. Forjaram-se aqui no Brasil a partir destes líderes toda a turma do “Evangelho Integral”, Missão Holística” ou qualquer outro nome que você queira dar a essa coisa que apenas valorizou o que não era cristão e promoveu a absorção dos liberalismos teológico e moral nos quais, agora, nossa geração está atolada. Embora eu saiba que há uma multidão de ingênuos bem intencionados nesta pregação do Evangelho Integral, devo dizer que seus líderes e mentores de ontem sabiam muito bem o que estavam fazendo e onde queriam chegar. E chegaram! Prova disto é a revolução cultural da esquerda na América do Sul e no Brasil implantando sua ideologia abortista, gayzista, imoral e perversa em seus planos de descristianização da nossa cultura à semelhança do que ocorreu na Europa e ocorre hoje nos Estados Unidos. Enfim, estes são os frutos que o Julio Severo vê da árvore calvinista. Estaria ele errado? Talvez estivesse errado se ele apresentasse suas acusações de maneira generalizada, mas, pelo contrário, ele chama seus denunciados pelo nome exatamente porque ele sabe que há exceções no calvinismo. Em outras palavras, o calvinismo não é isso que alguns calvinistas midiáticos (e casados com o liberalismo e o esquerdismo) tem apresentado à população brasileira. O problema é que esses que foram citados no artigo de Julio tem um poder enorme para moldar as mentes de tantos desavisados, pensa Julio.

Será que nós calvinistas não vamos parar de olhar para o nosso próprio umbigo e, pelo bem do Evangelho, nos perguntarmos por que pessoas como o Julio nos veem assim? Continuaremos fechados em nossos círculos de amigos no facebook, ou em nossas sociedades na blogosfera, sem nos esforçarmos em ensinar fora do nosso arraial? É esta a imagem que queremos fixar na mentalidade de nossa cultura: teólogos discutindo uns com os outros acerca dos temas eternos, protegidos de dentro de nossas torres de marfim, como senhoras degustando seu chá das cinco, enquanto, na verdade, aparentam aos outros apenas que fofocam frivolidades?

O calvinismo que muitos midiáticos tem apresentado ao Julio e a tantos outros é um calvinismo debochado, irônico, seco, desamoroso e, por muitas vezes, vaidoso demais com os que não participam de nossa panelinha intelectual. Transformamos os outros em uma caricatura e os ridicularizamos e nem percebemos que, mais uma vez, estamos perdendo a chance de ensinar à cultura que nos cerca a razão de nossa fé. Mas, infelizmente, falta-nos o profundo desejo em ensinar, discutir, apresentar argumentos e se auto-criticar diante de irmãos que pensam diferentemente de nós e isso é um mal desse calvinismo que muitos tem apresentado na blogosfera (e fora dela também). Ou será que o máximo que o calvinismo consegue produzir é a liberdade para escutarmos Renato Russo, Bob Marley e Iron Maden? É isto o calvinismo? Seria isso o calvinismo de Abraham Kuyper? É esta a proposta da Reforma Calvinista? É isto que temos ouvido de Nancy Pearcey e tantas outras vozes que tem se esforçado em colocar o calvinismo para dialogar criticamente com a cultura na qual ele está inserido? Seria esse o Evangelho de Jesus Cristo? Precisamos ter a humildade de aproveitarmos a denúncia de Julio e nos olharmos neste espelho severo antes que seja tarde demais, porque os outros já estão ficando demasiadamente cansados de olharem para nós e ver as flagrantes contradições que temos com a teologia que nós mesmos pregamos. 

Julio Severo ou Fábio Ribas? Não me identifico nem com o pentecostalismo de um e nem com aquele calvinismo do outro, mas acredito que devemos abrir diálogo para a construção de uma Igreja mais madura em terra brasileira. Deus tenha misericórdia de todos nós! 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Minha mãe saindo da UTI (sobre aqueles dias...)

Papai e mamãe (atente ao detalhe atrás deles)
A lembrança mais remota que tenho da minha mãe se dá diante do espelho emoldurado por uma madeira amarela no quarto do nosso apartamento em Brasília. Era um quarto amarelo-laranja na verdade. Tudo amarelo-laranja, até um enorme urso cheio de bolinhas de isopor que o mantinham sentado. Mas a cena se dá com minha mãe deitada na cama ao lado desse espelho, vendo-me colocar a roupa após o banho. Como de costume, coloquei a cueca e, para dentro da cueca, a camisa. Quando já estava pronto para erguer minhas calça jeans e fechá-la, minha mãe fez a seguinte observação: “Fábio, quem veste roupa assim é mulher. Você é homem. Você deve colocar a blusa para fora da cueca! ...as suas irmãs é que colocam a camisa delas para dentro da calcinha...”. Parei, fiquei olhando por um tempo aquela minha camisa para dentro da cueca e, finalmente, me rendi às orientações de minha mãe. Desci a cueca e arrumei minha roupa.



Viviane, papai e Jeanine (minhas irmãs)
Não foi fácil para minha mãe me educar. Primeiro, porque meu pai viajava muito. Segundo, porque,  com a morte de meu pai aos meus oito anos de idade, ela teve que educar um menino sem modelo algum de homem dentro de casa. É óbvio que eu imitava minhas irmãs e a ela mesma em muitas outras questões diárias. Certamente, muitas delas, positivas.  Para dar um exemplo, uma vez, um amigo convidou-me à casa dele e depois de umas duas horas de muita conversa à mesa - conversa de homem -, ele grita diante dos outros colegas: “Ganhei”! Todos riram e os vi entregarem notas de dinheiro ao meu amigo, que completou: “Eu não disse? O Fábio não fala palavrão! Ganhei a aposta!”. Não fui criado em um lar cristão puritano – ao contrário. Mas o fato é que essa era uma das características que mais me marcaram socialmente e eu nem sabia o por quê. Eu não falava palavrão, porque, dentro de casa, minhas irmãs e minha mãe não falavam e, mesmo que eu aprendesse palavrões na rua, não os trazia para elas e nem tão pouco os assimilava. Enfim, na cultura dos meus amigos, palavrão era coisa de homem, mas eu estava sendo criado por mulheres e esta era uma das características da cultura singular da minha casa: mulheres que, antes de tudo, tinham como modelo de masculinidade meu pai, um homem raro, um homem educado, respeitoso e muito carinhoso com as três mulheres que o cercavam.



Por que estou contando tudo isso? Porque tive o privilégio, nestas últimas duas semanas, de servir um pouquinho a quem nunca dispensou esforços em me servir pela minha vida toda! Quando cheguei à UTI pelo domingo de manhã, dia 21 de outubro, vi minha mãe num estado assustador: deitada com a máscara de oxigênio naquele leito, os enfermeiros sobre ela, a respiração curta e acelerada, o diafragma quase em espasmo pelo esforço de puxar algum ar para dentro dos pulmões. Disse minha irmã que os olhos de minha mãe se iluminaram e se encheram de água ao me ver entrar. Eu mesmo nem dei conta de nada disso, porque a cena me chocou ao ponto de só pensar em como eu poderia ajudar. Ali mesmo, orei com ela, lendo um trecho da Palavra de Deus: “Esperei com paciência pela ajuda de Deus, o Senhor. Ele me escutou e ouviu o meu pedido de socorro. Tirou-me de uma cova perigosa, de um poço de lama. Ele me pôs seguro em cima de uma rocha...” (Sl 40).  Naquele mesmo dia, retornei à tarde e minha mãe já estava visivelmente muito melhor. Minha mãe permaneceu uns seis dias na UTI geral e depois foi para uma “UTI particular” (um apartamento). Mais uns dois dias, foi para a semi-UTI e, ontem, ela já foi transferida para o apartamento fora da UTI. Esperamos que ela saia sábado do hospital.



Minha mãe linda!
Nestes dias de Hospital, fiquei alternando com minha irmã os cuidados com nossa mãe. Um tempo muito bom para estar perto dela, conversar mais sobre Deus e rir ainda mais com suas piadas. Quem conhece minha mãe sabe que boa saúde e deboche são sinônimos na vida dela. Ao vê-la começando a fazer piada da própria situação e contando piada dos enfermeiros,  tranquilizávamos o coração, pois era sinal que minha mãe estava voltando. 



Sobre palavrões? Sim, tem alguns anos que mamãe já coleciona os dela (e quem não guarda os seus para aqueles momentos em que palavras corriqueiras não conseguem dizer tudo aquilo que precisamos). Minhas filhas acham graça da vó toda vez que nos juntamos. A cada palavra mais pesada que minha mãe, porventura, profira, minhas filhas olham para mim e para a Lu com um olhar de cumplicidade compreensiva e sorrisinho amoroso, porque vó é vó e elas sabem muito bem que devemos respeitar os mais velhos mesmo que não concordemos com eles. Minha mãe está com 79 anos de idade. Diz minha irmã que, por causa da distância da morte de papai, minha mãe vem mudando aos pouquinhos. "Ela vem perdendo aquela influência do homem que foi papai, afinal já são mais de 30 anos sem ele", explica minha irmã.



Enfim, creio que somos assim mesmo: gente de carne e osso, cujas vidas são frágeis reticências num texto muito mais complexo escrito por Deus desde a eternidade. Sim, pessoas maravilhosas e repletas de defeitos também. É a beleza da imagem de Deus e a depravação do pecado – esta mistura que, em Cristo, espero,  um dia, se desfaça e surja apenas a glória, a maravilhosa glória de Deus manifestada plenamente em nós. Quero agradecer aos que estiveram junto comigo nesta semana, intercedendo junto ao Pai pela minha mãezinha. Muitíssimo obrigado!  

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bujari - nascida de antigos seringais

Bujari é um município que fica localizado no nordeste do Acre. Limita ao norte com o Amazonas, ao sul com o município de Rio Branco, a leste com o município de Porto Acre e a oeste com o município de Sena Madureira. Sua área é de 3 467,681 km².
A origem do seu nome está se deve ao seu comércio (Extrativismo Vegetal). Havia ali seringais chamados Bujari e que pertenciam ao Seringal Empresa fundado pelo cearense Neutel Maia, em 28 de dezembro de 1882. 

Bandeira
Brasão













O município do Bujari nasceu por causa da BR 364, que ligou a capital do Rio Branco ao município de Sena Madureira. A estrada passou por terras que abrigavam antigas famílias de seringueiros. Saiba mais. 

FONTE 
 
Assista ao vídeo abaixo: 

sábado, 8 de dezembro de 2012

A farsa venezuelana da gasolina mais barata

Em qualquer outro país, o motorista imaginaria que o frentista cometeu um erro.

“São 2,83 bolívares [US$ 0,66 centavos]”, diz Martin Andrade, depois de encher o tanque de 40 litros de um pequeno jipe Toyota.

Mas esse posto de gasolina fica no calorento e sufocante Estado de Zulia, no noroeste da Venezuela, onde a gasolina é a mais barata do mundo.

Os efeitos perversos da política venezuelana de gasolina barata podem ser vistos por toda parte no país. Carros beberrões de combustível, como Dardos da Dodge e Mavericks da Ford da década de 1970, povoam as estradas. Caracas, a capital, sofre com engarrafamentos terríveis. E o pior de tudo: essa política tornou o contrabando de gasolina um negócio multibilionário, pois um litro custa apenas cerca de US$ 0,02, um sétimo do preço na Arábia Saudita e 1/48 do preço na vizinha Colômbia.

O contrabando é particularmente fervilhante em Zulia, um reduto da oposição junto à fronteira com a Colômbia, que é também o berço da indústria petrolífera venezuelana. Esse é o lugar onde o presidente Hugo Chávez decidiu reprimir o contrabando, impondo um racionamento de gasolina mediante o uso de microchips embutidos em adesivos colados nos para-brisas dos automóveis.

Os moradores na cidade estão furiosos, especialmente porque a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo. Eles veem a medida como punição por seu apoio à oposição no quadro das eleições presidenciais em 7 de outubro. “Não permitirei que continuem desrespeitando Zulia”, disse o governador do Estado de Zulia, Pablo Pérez, de oposição, recentemente, a simpatizantes.

Apesar disso, o governo está mantendo a impopular medida, numa tentativa de acabar com um negócio que, dizem especialistas, é mais rentável que o tráfico de drogas. No mês passado, em campanha em Zulia, Chávez disse que os opositores da política são defensores de “máfias e delinquentes”.

No passado, Chávez deplorou o baixo preço da gasolina venezuelana, mas pouco fez a respeito do que muitos venezuelanos veem como o seu direito inato. Um aumento inesperado dos preços nas bombas em 1989 provocou distúrbios em Caracas e, em última instância, a ascensão política de Chávez.

Mas a Venezuela não pode mais arcar com essa política de combustíveis. O país importa quantidades crescentes de gasolina dos EUA, pois a produção de suas próprias refinarias está em queda devido à falta de investimentos. Segundo algumas estimativas, a Venezuela consome 800 mil barris de petróleo por dia, dos quais cerca de 100 mil barris são contrabandeados para o exterior. O governo afirma estar perdendo US$ 8 bilhões por ano como resultado.

“Por que eles simplesmente não aumentam o preço?”, Diz Andrade, o frentista, mencionando a ironia de que a apenas algumas centenas de metros de distância, a Venezuela fez sua primeira descoberta de petróleo, em Cabimas, em 1922.

Embora o governo ainda não tenha decidido quais serão os limites para o consumo em Zulia, o sistema está em vigor há um ano no vizinho Estado de Táchira, com um teto de 42 litros diários. Isso resultou num declínio de 40% nas vendas de gasolina, diz o governo.

No entanto, Ada Rafalli, uma vereadora da oposição em Maracaibo, diz que os habitantes de Zulia estão sendo punidos por incompetência do governo. “É a política de fronteira do governo que está falhando. Eles sabem quem são os traficantes”, diz ela, sugerindo que a guarda nacional está envolvida.

“Se eles querem impedir o contrabando de gasolina, o racionamento não é o caminho certo”, acrescenta Jhon Merino, frentista em um dos poucos postos de gasolina em Maracaibo, onde o sistema de chips já foi implantado. Ele diz que os contrabandistas já estão fazendo acordos com as distribuidoras dos chips e que, de qualquer maneira, os carros não são o principal problema, pois a maior parte do combustível é contrabandeada de caminhão ou de barco.

Membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Chávez, contestam enfaticamente essas acusações. “É uma campanha de manipulação e mentiras da oposição que visa gerar medo e insegurança durante a campanha eleitoral, porque estão em desvantagem nas pesquisas”, diz Henry Ramirez, um vereador do PSUV em Maracaibo.

Jesús Esparza, reitor da Universidade Rafael Urdaneta, em Maracaibo, diz que os preços da gasolina precisam subir, para acabar com o contrabando. “Estamos nos fechando como uma cidade medieval. Não podemos ser um país murado. Não há muros que possam deter a economia.”


Leia também:

Plano chavista de racionamento de gasolina provoca polêmica

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

LASTIMÁVEL DESCASO NO NORDESTE DO MATO GROSSO: Moradores fecham rodovia e o clima é tenso na região

Laura Nabuco
Da Reportagem

No último dia de prazo para desocupação voluntária dos 165 mil hectares demarcados como território indígena Maraiwatséde –propriedade dos Xavantes -, produtores rurais da Gleba Suiá Missú voltaram a bloquear a BR-158 na altura do distrito de Posto da Mata.

O objetivo é tentar impedir o acesso das tropas do Exército e Força Nacional que se concentram em Alto Boa Vista (distante 1.064 quilômetros de Cuiabá).

Os responsáveis pela “força-tarefa” de desintrusão se aproximaram do bloqueio anteontem, mas não fizeram nenhum contato com os manifestantes. O monitoramento tem sido principalmente pelo ar, com um helicóptero que às vezes sobrevoa o povoado.

Desde a última segunda-feira (3), caminhões e máquinas que auxiliarão o trabalho de retirada dos resistentes chegam ao município. Até agora, contudo, apenas quem trabalhava como assalariado optou por deixar o distrito. Eles perderam o emprego porque nem o comércio, nem as fazendas têm mantido as atividades.

O ano letivo também terminou mais cedo em Posto da Mata. As três escolas instaladas no distrito anteciparam para ontem as férias dos alunos, que só deveriam ter início no próximo dia 21.

As aulas já vinham sendo interrompidas e retomadas a cada desdobramento das negociações. A última paralisação havia ocorrido no dia 17 do mês passado, quando se iniciaram as notificações das pessoas que residem em Posto da Mata, área considerada a mais urbanizada dentro dos 165 mil hectares, alvo de litígio.

Criadores de gado têm encontrado dificuldade para transferir os rebanhos. Eles não têm para onde levar os animais. Quem tenta vendê-los esbarra em outras dificuldades: o preço e a burocracia.

Os compradores têm oferecido valores abaixo do mercado por conhecer a situação que os fazendeiros enfrentam. Quando o negócio é fechado surge o problema do prazo para emissão da guia de transporte dos bovinos, documento que demora em média 45 dias para ficar pronto.

Como a maioria das propriedades rurais possui pelo menos 200 hectares, a oferta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para assentamento não atrai. A autarquia disponibilizou 35 hectares por família. Além disso, as lavouras estão recém plantadas ou aguardando o período de colheita.

Apesar da Polícia Federal ter declarado em relatório que o clima é de “resignação” na área, as afirmações no distrito são de resistência. Não se fala abertamente sobre luta armada, mas a possibilidade de uma tragédia também não é descartada.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), existem aproximadamente 450 famílias dentro da reserva. A Associação dos Produtores Rurais da Gleba Suiá Missú (Aprosum), por sua vez, garante que são mais de cinco mil pessoas. 


Saiba mais:

Denúncia - Conflito na Região do Araguaia causada por confusão da FUNAI

 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Johnny cash - God's gonna cut you down

Deus o Reduzirá

Você pode correr por um longo tempo
Correr por um longo tempo
Correr por um longo tempo
Mais cedo ou mais tarde Deus o reduzirá
Mais cedo ou mais tarde Deus o reduzirá

Vá dizer para aquele mentiroso de lingua comprida
Vá dizer para aquele cavaleiro da meia-noite
Diga ao vagabundo, ao jogador, ao trapaceiro
Diga a eles que Deus os reduzirá
Diga a eles que Deus os reduzirá

Bom, meu gracioso Deus, deixe-me lhe dizer as notícias
Minha cabeça tem sido molhada com o orvalho da meia noite
Estive de joelhos falando com o homem da Galiléia
Ele falou pra mim numa voz tão doce
Eu pensei que ouvi o arrastar dos pés dos anjos
Ele chamou meu nome e meu coração ficou parado
Quando ele disse "John, vá fazer minha vontade"

Vá dizer para aquele mentiroso de lingua comprida
Vá dizer para aquele cavaleiro da meia-noite
Diga ao vagabundo, ao jogador, ao trapaceiro
Diga a eles que Deus os reduzirá
Diga a eles que Deus os reduzirá

Você pode correr por um longo tempo
Correr por um longo tempo
Correr por um longo tempo
Mais cedo ou mais tarde Deus o reduzirá
Mais cedo ou mais tarde Deus o reduzirá

Bom, você pode atirar a sua pedra e esconder sua mão
Trabalhar na escuridão contra seu colega
Mas tão certo como Deus fez o preto e o branco
O que está encolhido na escuridão será trazido à luz

Você pode correr por um longo tempo
Correr por um longo tempo
Correr por um longo tempo
Mais cedo ou mais tarde Deus o reduzirá
Mais cedo ou mais tarde Deus o reduzirá

Vá dizer para aquele mentiroso de lingua comprida
Vá dizer para aquele cavaleiro da meia-noite
Diga ao vagabundo, ao jogador, ao trapaceiro
Diga a eles que Deus o reduzirá
Diga a eles que Deus o reduzirá
Diga a eles que Deus o reduzirá

Leia também:

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