quinta-feira, 17 de abril de 2014

Jesus Cristo segundo Bruno Tolentino


O Cristo não é
um belo episódio
da história ou da fé:

nem o clavicórdio
nos dedos da luz,
nem o monocórdio

chamado da Cruz.
O crucificado
chamado Jesus

é o encontro marcado
entre a solidão
e o significado

do teu coração:
de um lado teu medo,
teu ódio, teu não;

de outro o segredo
com seu cofre aberto,
onde o teu degredo,

onde o teu deserto,
vão morrer, mas vão
morrer muito perto

da ressurreição.


As horas de Katharina. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 180

Um comentário:

  1. Irmão,

    publiquei este poema de Tolentino há mais ou menos um ano no "Eliot, Cowper & Outros", um blog que mantenho meio "adormecido" e que gostaria de postar mais rotineiramente, quero dizer, frequentemente.

    Preciso ler mais Tolentino [todos precisamos], mas como estou com uma série de leituras em andamento, terei de esperar mais um pouco. Comprei dois livros dele, que só não estão tomando pó por estarem protegidos em plástico [não o lacrado que vem da editora, mas o que eu coloquei após "deslacrá-los"].

    Enfim, toda oportunidade para a arte de Bruno deve ser incentivada, e penso que muitos leitores, a partir deste poema, se interessarão em conhecer mais do grande poeta.

    Abraços.

    Cristo o abençoe!

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