quinta-feira, 14 de março de 2013

Voltaire, liberdade e os inocentes úteis do protestantismo brasileiro

Écrasez l´infâme

Voltaire


O que é um “inocente útil”? É aquele que defende o direito do outro de lhe cuspir na própria cara! Por isso mesmo, muitas vezes, a expressão aparece também como “idiota útil”. “Idiota útil”, historicamente, descrevia todo aquele que, no mundo ocidental capitalista e livre, era simpatizante do comunismo e de ideias esquerdistas sem saber que os próprios comunistas o desprezavam e apenas serviam-se de sua alienação e ignorância. Portanto, inocente útil/idiota útil pode muito bem ser empregada à pessoa que defende ideias, causas e bandeiras que servirão de armadilha e guilhotina ao seu próprio pescoço amanhã e, consequentemente, beneficiará ao seu próprio oponente.

Escrevo sobre o conceito do “inocente útil”, porque este volta à baila nas redes sociais. Estranhamente, parcela do protestantismo brasileiro tem se revelado um inocente útil nas mãos de uma bandeira bonitinha demais, mas totalmente equivocada: a liberdade apregoada como valor suficiente em si mesma. Virou moda vermos “iluminados” protestantes citarem expoentes do Iluminismo, repetirem suas frases, papagaiarem seus aforismos, porém, desapercebidos (assim quero crer) de que cavam a própria cova na qual o espírito de Voltaire os lançará, enterrando-os a todos a sete palmos bem debaixo dos pés dos cultuadores deste século!

Não é a primeira vez que o protestantismo (parcela dele) é usado para beneficiar causas anticristãs. Desde o seu nascedouro, ainda durante a Reforma, houve grupos revolucionários ligados à Reforma que queimaram igrejas romanas, destruíram conventos e depredaram mosteiros em nome de uma nova mentalidade; outros foram usados como joguetes nas mãos de reis, príncipes e da própria burguesia para a manutenção do status quo ou a derrubada de governos; aqui no Brasil mesmo, tivemos denominações protestantes aliançadas à maçonaria e que cresceram sob a proteção desta; outros propagaram ideias comunistas e defenderam Cuba e a antiga URSS até às últimas consequências; além disso, muitos foram os protestantes que também trabalharam para colocar no poder o PT (um partido que defende a liberdade de se assassinar crianças no ventre de suas mães). São estes os inocentes úteis, que nem percebiam o quão estavam sendo manipulados para disseminarem valores anticristãos, enquanto trabalhavam a favor dos seus próprios inimigos.

Ainda há inocentes úteis hoje. Nas últimas semanas, eles surgiram com maior ardor, defendendo o Iluminismo maçônico, arrotando um Voltaire pagão e apregoando um conceito de liberdade que vai de encontro às Sagradas Escrituras. São pessoas que se escondem atrás de inúmeros títulos acadêmicos, tentando convencer incautos que isso os torna capazes de chamar o bem de bem e o mal de mal. Infelizmente, estão sendo usados, não apenas para defender a “democracia totalitária das minorias” que certos grupos anticristãos querem instalar no Brasil, mas usados também para dividir o próprio cristianismo brasileiro em um momento tão delicado para o futuro do nosso país. Paradoxalmente, grupos protestantes que não viram problema algum em se unir à maçonaria para lutar contra um inimigo comum, hoje, são totalmente incapazes de fazer co-beligerância ao lado de pentecostais e neo-pentecostais contra a ditadura das minorias que quer, ao final, subjugar todos debaixo de um novo eixo cultural neo-pagão.

Penso que no Brasil se lê muito pouco e quando lemos, lemos mal. Esta é uma das razões de termos pessoas tão preparadas, pastores e líderes protestantes, lançando-se tão rapidamente em defender o leão que os irá comer antes que o dia amanheça. Tal defesa ardorosa feita por eles não se dá a partir de argumentos bíblicos, mas, antes, encontram-se embasados em filosofias deístas e anticristãs totalmente descompromissadas com a moral evangélica.


Concluo que todo homem sensato, todo homem de bem deve ter horror à seita cristã. O grande nome teísta que não se reverencia o suficiente, é o único nome que se deve aceitar. O único Evangelho que se deve ler é o livro da natureza, escrito pela mão de Deus e marcado pela sua chancela. A única religião que se deve professar é a de se adorar a Deus e de ser um homem honesto. É tão impossível que essa religião pura e eterna produza o mal como era impossível que o fanatismo cristão não o fizesse. Jamais poderão fazer a religião natural dizer: “Vim trazer, não a paz, mas o gládio”. Ao passo que esta é a primeira confissão de fé que colocaram na boca do judeu que denominaram Cristo (Voltaire).


Como podem defender o Iluminismo maçônico que, estrategicamente, lançou as bases para o ceticismo da teologia liberal? A mesma teologia liberal que, entre tantos filhotes deformados, deu origem à funesta Teologia da Libertação e também à Teologia Relacional! Creio que lhes falta um aprofundamento, não só da origem das ideias que eles defendem, mas, principalmente, uma profunda e bíblica reflexão das consequências dessas ideias. Por exemplo, o tão citado Voltaire - um antissemita feroz, que pregava que “os judeus são um bando de ladrões”, que os profetas judeus queriam era “dominar e enriquecer quanto puderem” e que “a sequência da história judaica não é mais que uma trama de crimes consagrados” - só pode estar aparecendo profusamente nos comentários, posts e blogs protestantes por ser agressivamente anticatólico e isso deve agradar a esses ingênuos protestantes. O que parece que não sabem é que Voltaire, antes de tudo, era um inimigo do cristianismo. E aquela frasezinha de botequim que vejo tantos defenderem em seus perfis de rede social como se ela fosse tirada da própria Palavra de Deus é apenas propaganda enganosa para ser repetida exatamente pelos inocentes úteis: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” (frase que muitos historiadores julgam, ironicamente, nunca ter sido dita por Voltaire). Não há verdade nessas palavras do filósofo, basta você compará-las à vida de Voltaire. Todavia, é aqui que melhor funciona o inocente útil, porque ele repete e divulga frases que darão espaço ao discurso nocivo e diabólico do outro sob a desculpa de “democracia”. Ora, todos sabemos que não há democracia absoluta, assim como não há liberdade absoluta e que, como cristãos, devemos assegurar que a liberdade esteja aliançada à moral e à moral judaico-cristã. Esta é a liberdade que pregamos e jamais a demoníaca liberdade iluminada pagã de Voltaire. Ou será que os líderes e pastores protestantes realmente defendem que devemos trazer ao debate em nossas igrejas e universidades cristãs pedófilos, estupradores e assassinos para que eles defendam democraticamente suas doenças e crimes? Ora, doença não se defende, trata-se! Crime não se debate, pune-se!

Parece, contudo, haver no Brasil uma ala “iluminada” de inocentes úteis protestantes que querem entregar democraticamente suas cabeças à guilhotina. Estes estão ofertando a faca e o queijo às mãos de seus executores que legal, intelectual e iluminadamente eliminarão os últimos resquícios da moral cristã sob a proteção jurídica de um Estado que lhes entregamos de sobeja! Os inocentes úteis são tão ingênuos e românticos (assim quero crer) que nem percebem que o alvo democrático que os anticristãos visam alcançar é o governo destes - e apenas destes - sobre todos aqueles.

Enfim, a cena é patética, porque estamos repetindo os mesmos erros históricos dos protestantes e católicos de 200 anos atrás, dando espaço para que o estuprador entre em nossas casas, sente-se à mesa e possa jantar da comida que lhe oferecemos antes de assistí-lo violar nossa esposa e filhas. Ou será que já esquecemos que, num dos debates sobre a PL 122 no Congresso Nacional, a nobre Marta Suplicy disse que concederia o favor legal aos cristãos de pregarmos sobre temas bíblicos delicados dentro dos nossos templos? Então, enquanto os trazemos às nossas mesas para a defesa de suas ideias, eles nos empurram para dentro das paredes dos nossos templos - e se os obedecermos, se aceitarmos as regras imparciais desse jogo, certamente nem correremos o risco de "linchamento moral" ou "perseguição religiosa", uma vez que a maçã já estará podre mesmo dentro da caixa e muito bem guardada. Será que é tão difícil entender isso ou terei que ouvir ainda inocentes úteis cristãos citando frases de filosofia pagã forjadas por uma revolução maçônica, enquanto tentam convencer-me de que sou burro demais para compreender a "sabedoria" dos seus luminares?

Encerro, retornando à epígrafe: “Massacrem a infame”. Frase nada condizente com o democrático e liberal Voltaire que muitos tem apregoado existir. Esta frase - realmente registrada como tendo sido escrita pelo filósofo - é um brado não somente contra a Igreja Católica, mas contra o cristianismo e, principalmente, contra a própria Bíblia. Assim, quando a massa envenenada invadir os celeiros cristãos, não nos indaguemos abobalhadamente sobre como as coisas chegaram ao ponto que chegaram, vendo, enfim, nossos convidados marchando sobre nossas cabeças e gritando triunfantes: Écrasez l´infâme! - porque a História se repete em seus aspectos mais negativos por causa da cumplicidade criminosa daqueles que não conseguem aprender com o passado.

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