quinta-feira, 4 de abril de 2013

"Sonata de Outono" - a mulher e a arte no cinema de Bergman

Ingrid Bergman (Charlotte) e Liv Ullman (Eva)
Depois que postei pela primeira vez o texto “Mulher, por que choras?”, lembrei-me de Ingmar Bergman, um diretor que, na minha opinião, conseguiu arrancar de suas atrizes os infernos mais profundos da natureza caída do universo feminino. Lembrar Bergman fez-me recordar da cena de um outro filme dele, que gostaria de compartilhar também. 
 
O filme é “Sonata de Outono”. A cena aí abaixo começa com Eva tocando Chopin para sua mãe, contudo, observe que o olhar da mãe para sua filha é um misto de piedade e desaprovação pela interpretação quase infantil dela; perceba, depois, o rosto de Eva, olhando para sua mãe e descubra, então, o porquê que compreendo Bergman como um diretor que devassa a alma feminina e expõe suas mais danosas verdades. Liv Ullman é a atriz que interpreta a filha e Ingrid Bergman interpreta sua mãe, Charlotte, que abandonara a maternidade para dedicar-se exclusivamente à carrreira de pianista (na vida real, a atriz enfrentava um câncer, que findou por levá-la à morte três anos depois do lançamento desse filme). 

"Sonata de Outono" é a luta pela reconciliação entre essa mãe egoísta e vaidosa e suas duas filhas negligenciadas. Um filme denso e, à maneira de Bergman, um filme pró-família, cuja mensagem final é que a unidade familiar deve ser buscada apesar de todos os pecados individuais de seus membros. Mas a busca jamais será fácil e, muito menos, simples e nem é certo que seja vitoriosa, parece nos advertir o diretor Bergman.

Amo música, por isso encanto-me especialmente com essa cena. Além de ser um guia de audição, é também a beleza no cinema de Bergman: arte destilada em seu melhor momento.

PS - Se você não encontrar o filme na locadora, o youtube o tem completo!




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