segunda-feira, 27 de maio de 2013

Hannah Arendt


"Sob condições de tirania é muito mais fácil agir do que pensar" 
A saraivada de críticas foi inevitável. A filosofa foi acusada de ter pouco apreço pelos judeus. Respondendo a um dos seus acusadores, ela escreveu uma carta, publicada em diferentes jornais europeus, na qual comentava – sem mencionar o nome do interlocutor – uma conversa mantida com um alto dirigente de Israel durante o julgamento de Eichmann.

O interlocutor era Golda Meir, então ministra das Relações Exteriores, que era contra a separação entre Estado e religião em Israel. Meir disse: “Você irá compreender que, como socialista, eu, naturalmente, não acredito em Deus; acredito no povo judeu.” Arendt comentou:

"Considerei isso uma afirmação chocante e, por isso, não repliquei na época. Mas poderia ter respondido: a grandeza desse povo foi outrora o fato de acreditar em Deus, e acreditava Nele de tal maneira que sua confiança e amor por Ele era muito maior que seu medo. E agora esse povo acredita apenas em si mesmo? Que bem pode resultar disso? Ora, nesse sentido eu não amo os judeus, nem acredito neles; meramente pertenço a eles por uma questão de fato, além da controvérsia e da argumentação”.

“Uma questão de fato”, meramente: a ruptura de Arendt com o sionismo representou um gesto filosófico decisivo. Para ser leal aos direitos humanos, denunciando as sementes totalitárias espalhadas por todas as sociedades, ela não seria leal a nenhuma corrente doutrinária particular. 


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