quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A profecia de Rodion Raskólnikov

Raskólnikov assassina uma velha agiota para roubar-lhe dinheiro e usá-lo para a prática de boas obras como compensação daquele terrível crime, mas, além disso, a intenção de Raskólnikov era testar a ideia de que algumas pessoas seriam naturalmente capazes de praticar um terrível crime sem doer-lhes a consciência. 

Após condenado, já na prisão, Raskólnikov tem um sonho: é o mundo que viria a partir de todo cientificismo, materialismo e positivismo que já se instaurara no fim do século XIX. 

Uma sonho profético que antecipou as inacreditáveis tragédias ocorridas no século XX, mas que é uma profecia para nossa geração sobre tempos que ainda nos sobrevirão:

“Aldeias, cidades, povos inteiros eram atacados por aquela moléstia e perdiam a razão. (…) Ninguém se entendia sobre o bem e sobre o mal, nem sabia quem se havia de condenar e quem se havia de absolver. Matavam-se uns aos outros, movidos por uma cólera absurda. (…) Abandonaram os ofícios mais corriqueiros, porque cada um propunha a sua ideia, as suas reformas e nunca havia acordo. A agricultura também foi abandonada. Aqui e acolá homens reuniam-se em grupos, combinavam uma ação em comum, juravam não se separar – mas um instante depois começavam a fazer outra coisa inteiramente diferente daquela que acabaram de combinar, punham-se a acusar-se uns aos outros, a bater-se, a apunhalar-se. Houve incêndios e fome. Homens e coisas pereciam. O flagelo estendia-se cada vez mais. No mundo inteiro só podiam salvar-se alguns homens, predestinados a refazer o gênero humano, a renovar a terra, mas ninguém via esses homens em parte alguma, ninguém ouvia as suas palavras”.
 

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