sábado, 5 de outubro de 2013

O abraço da fé – uma reflexão sobre a responsabilidade social da Igreja

Casa sendo ampliada na minha cidade




Quem me conhece bem já sabe das minhas posições acerca de temas polêmicos (e, volta e meia, quem pensa que me conhece assusta-se quando me manifesto sobre um ponto aqui e outro ali). Por exemplo, não acredito na presença do Estado em quase todas as áreas nas quais ele tem se metido e se intrometido, principalmente quando sua obesidade mórbida se faz notar na vida privada das pessoas.

Biblicamente, entendo que o Estado deveria se ater apenas a duas áreas vitais: primeira, a proteção e promoção do cidadão de bem e, segunda área, a apresentação da espada ao que se revela uma erva daninha no nosso tecido social. Surpreendentemente, o Estado persevera ausente e incompetente na área da segurança pública, enquanto gasta milhões com propaganda e marketing sobre áreas que, quando verificamos de perto, são serviços que estão muito (e muito, mas muito longe mesmo) de garantir alguma qualidade de vida ao cidadão de bem (veja o caos da educação pública).

Infelizmente, não é apenas o Estado que é negligente e abusivo: a igreja também é! A igreja perde tempo (e muito, mas muito tempo mesmo) debruçando-se sobre temas que não lhe são de competência (por exemplo, oferecer seus púlpitos a favor deste ou daquele candidato ou partido). Concomitantemente à ideologização da igreja, esta segue distante do que é sua verdadeira responsabilidade: A igreja é a única que pode evangelizar – não há dúvida quanto a isso! O Estado não vai evangelizar, aliás, o que temos visto debaixo da desculpa da laicidade é que o Estado (sob o domínio de quem o controla) está ávido por arrancar, extirpar, amputar, rasgar de todos nós quaisquer moral e postura cristãs. Todavia, estou convencido que a culpa desse estado de coisas em que nos encontramos é da própria Igreja. Ela se empenhou durante anos em colocar no poder quem lhe era espiritualmente inimigo (por exemplo, votando em pessoas que defendem o assassinato de crianças, promovem o assassinato de pacientes terminais e que se encontram descomprometidas com a moral cristã). E mais: a Igreja abriu mão de sua responsabilidade social, entregando-a ao Estado.

Evidentemente que áreas como saúde, educação e ação social são responsabilidade da Igreja e jamais deveriam pertencer exclusivamente ao Estado, porque é a Igreja que é convocada a amar ao próximo – não o Estado! O Estado não ama ao próximo (isto deveria fazer parte da sua laicidade). O Estado é assaz eficiente em barganhar, criando instrumentos com os quais ele domina o cidadão dando-lhe o básico e exigindo-lhe a fidelidade na hora do voto. Contudo, eu insisto em dizer que a educação, saúde e ação social deveriam ser resolvidas dentro do tecido social cristão. A igreja deveria oferecer escolas, hospitais e bolsas de estudo e bolsas-família. A igreja recebeu a missão de amar ao próximo – será que algum cristão tem dúvida disso? 

O que aconteceu então? A igreja fechou-se dentro de si mesma. A Igreja rendeu-se ao século. A Igreja acomodou-se ao consumismo e aos objetivos egoístas de cada um de nós. Estamos preocupados com nossos projetos pessoais, nossas metas a serem alcançadas, o próximo concurso público a ser conquistado e com a viagem de férias à Disneylândia com nossos filhos. E, certamente, não haveria nada de errado com a maioria dessas nossas expectativas de vida, se antes não esquecêssemos de hierarquizar responsavelmente nossas prioridades como Jesus ensinou: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas lhes serão acrescentadas”! Entretanto, foi mais fácil e cômodo à igreja entregar suas responsabilidades ao Estado e, agora, os cristãos ficam chocados com o domínio mental, financeiro e espiritual que o Estado está exercendo sobre milhões de brasileiros!

Aqui na minha cidade, vi uma pequena igreja de apenas 15 pessoas comuns reunir-se em torno da ampliação da casa de um dos seus membros carentes financeiramente. Muitos outros cristãos, vendo a iniciativa daquela igrejinha, uniram-se aquele desafio de oferecer uma melhor qualidade de vida à família daquela casa. Todos trabalharam sem que houvesse lei ou medida provisória alguma criadas que os obrigasse àquela ação de caridade, a não ser a lei do amor agindo livremente no coração de cada um (veja a frase do Roberto Campos no cabeçalho deste blog - eu acredito nela)! E essa é uma ilustração, ou melhor, é uma resposta concreta (ainda que de diminutas proporções) de certas ideias nas quais acredito.

Se cada cristão fizesse o seu dever de casa (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo) não precisaríamos nos render ou entregar a camada mais necessitada da população nas mãos de um Estado doutrinador, política e religiosamente doutrinador. Durante a construção daquela casa, vi irmãos cristãos das mais diferentes denominações e igrejas agirem unidos em benefício do próximo. E poderíamos mais (e muito mais mesmo) se voltássemos a segurar as rédeas da história com as nossas próprias mãos ao invés de entregá-las ao Estado. Se doássemos mais do nosso tempo, do nosso dinheiro, dos nossos dons e talentos em benefício do outro, indubitavelmente, teríamos igrejas plantadas ao lado de escolas e hospitais cristãos (como havia antigamente). E aí não seriam apenas dois cômodos, mas poderíamos ofertar ou emprestar casas populares (o “Lions” faz isso às pessoas deficientes e em tratamento clínico aqui na minha cidade), poderíamos profissionalizar as pessoas, instrumentalizá-las com uma boa e saudável educação cristã, poderíamos, enfim, abraçá-las com o abraço da fé – coisa que o Estado jamais fará.

Para que você não me compreenda mal (talvez você nunca tenha lido-me antes), gostaria de deixar evidente que creio que a missão da Igreja não é resolver a pobreza mundial! Sinto dizer que se você é mais um desses que pensa que o cristianismo é o messias do evangelho da libertação social, você está caminhando errado e fazendo outros errarem também. A igreja de Jesus está na terra para glorificar a Deus e não para sucumbir aos apelos demoníacos de uma revolução -  eu não caio mais nessa REDE! 

A minha oração é que pensemos sobre tudo isso e que cada um de nós assuma a responsabilidade que lhe cabe e fuja dos “salvadores e salvadoras da pátria” que se apresentam sedutores aos cristãos em época de eleição, mas que estão em aliança com seres perversos, pessoas comprometidas com tudo aquilo que não se chama Deus!

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