sábado, 2 de novembro de 2013

Jesus segundo Dionísio, o místico (também conhecido como Pseudo-Dionísio, o areopagita)

Dentro de sua total unidade contém de modo eminente e por antecipação o todo e as partes. Tal perfeição está nos imperfeitos como fonte de perfeição. Está também nos perfeitos, porém, como transcendente e anterior à sua perfeição neles. É forma informante de tudo quanto carece de forma, pois é seu princípio formal. É também a forma transcendente no que já está formado. É ser que está sobre todo ser, sem que nada o alcance. Superessência de toda essência. O limite de tudo, princípio e causa, porém está acima de todo o princípio e ordem. É a medida de todas as coisas. É eternidade que transcende e é anterior à eternidade. É abundância onde há escassez, e superabundância onde não falta nada. Indescritível, inefável, transcende toda inteligência, toda vida, todo ser. Maravilhosamente possui toda maravilha e transcende todo o transcendente. (...).

Por amor desceu ao nosso nível e se fez uma criatura. Aquele que é superessencial à ideia de Deus se fez homem (louvemos com plena reverência esta verdade, que não conseguimos nem expressar nem pensar). Nesta condição humana permanece sendo o que é: admirável e superessencial. Fez-se igual a nós, sem deixar de ser nada do que era. Sua plena grandeza nada diminui pela inefável humilhação de si mesmo. E isto é o mais admirável: sendo homem como nós, foi sempre maravilhoso e superessência de nossa essência. Tudo o que é nosso estava nele de modo eminente, e nele nós superamos a nós mesmos.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leia também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...