terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Basílio, a dor da fome e a responsabilidade de cada um de nós

"A dor da fome, da qual o faminto morre, é um sofrimento horrível. De todas as calamidades, a fome é a principal, e a mais miserável das mortes é, sem dúvida, aquela pela inanição. Em outros tipos de morte - a espada que põe um rápido fim à vida, ou o fogo crepitante que queima a seiva da vida em poucos instantes, ou as presas dos animais selvagens que dilaceram os membros vitais - a tortura não seria prolongada. A fome, porém, é uma tortura vagarosa, que prolonga a dor; é uma enfermidade bem estabelecida e oculta em seu lugar, uma morte sempre presente e nunca chegando a um fim. Ela seca os líquidos naturais, diminui o calor do corpo, contrai o tamanho e pouco a pouco drena a força. A carne adere aos ossos como uma teia de aranha. A pele não tem cor. 

"...Agora, que punição não deveria ser afligida sobre aquele que passa ao largo de tal corpo? Que crueldade pode ser maior que esta? Como podemos não contar alguém assim como o mais feroz dos animais ferozes e não considerá-lo um ente sacrílego e assassino? A pessoa que pode curar tal enfermidade e por causa da avareza recusa o remédio pode com razão ser condenado como um assassino". 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leia também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...