sábado, 30 de março de 2013

Mulher, por que choras? - uma reflexão para o domingo da ressurreição


Karin (cena do filme)


A pele é tudo quanto queremos que os outros vejam de nós,
por baixo dela nem nós próprios conseguimos saber quem somos.”
( José Saramago)



Ao refletir sobre o título deste texto, percebi que essa pergunta foi dirigida duas vezes a Maria Madalena, o que me deixou deveras intrigado. Logo lembrei-me de um antigo filme dos anos 70, “Gritos e sussurros” de Ingmar Bergmam. Um filme de terror, ou melhor, um filme sobre o terror do universo feminino caído, que, por tantas vezes, foge até mesmo à própria compreensão das mulheres e da maldição que lhes pesa.


O filme apresenta três irmãs que se veem convivendo novamente debaixo de um mesmo teto, porque uma delas está com câncer e próxima à morte. Há ainda uma empregada na casa. Literalmente, cada uma dessas mulheres se verá espremida pela câmera do diretor contra uma parede de um tom vermelho forte e, nestes momentos, elas são levadas ao extremo e confessam suas culpas, seus medos, suas dores, suas mentiras. A irmã mais nova, Maria, é fútil, cínica e adúltera, e fora a preferida da mãe e, por causa disso, suas duas irmãs nutrem por ela ciúmes e ódios. Karin é a irmã mais velha, amargurada por um casamento infeliz e por seus próprios sentimentos de culpa, chega cortar sua própria genital com um pedaço de vidro para não ter que fazer sexo com o marido. Agnes está morrendo (de inveja?) sobre a cama e suas irmãs não conseguem lhe dar o carinho e o consolo que ela só encontra nos cuidados da empregada, Anna. Esta vem cuidando da paciente há 12 anos e o que sabemos dela é a perda precoce de sua filha única. 

Karin e Maria
Os “sussurros” são os segredos do passado que o vento insiste em trazer de volta. Os “gritos” são a inveja e o remorso que atormentam a cada uma delas nessa convivência forçada. Há uma cena no filme de Bergman, que mostra que Agnes continua a sofrer mesmo depois de morta. E, mesmo testemunhando seu sofrimento pós-morte, suas irmãs continuam incapazes de manifestar quaisquer reais atitudes de carinho e amor por ela. Somente Anna, a empregada, lhe oferece o consolo suplicado numa cena construída para nos lembrar a pietá de Michelângelo, Maria segurando Jesus morto em seus braços. Contudo, ou exatamente por isso, Anna é abandonada pelas irmãs de Agnes após a morte desta. Mas por que elas choram?

Anna e Agnes

Jesus teve encontros decisivos com muitas mulheres. Na casa de Simão, o fariseu, Jesus exalta a expressão de amor da mulher de má fama, enquanto expõe a verdade sobre a hipocrisia daquele líder religioso. No poço, Jesus entrega a uma samaritana de vida duvidosa o que a Nicodemus, doutor da lei, não fora dado experimentar: o novo nascimento. Enfim, na tentativa de apedrejamento da mulher adúltera, Jesus denuncia o pecado da instituição machista que preservara o amante e trouxera, tão somente, a pecadora pega em flagrante adultério para morrer. 
 
O pecado e sua maldição atingiu nossa natureza humana. Obviamente, à semelhança do que ocorreu com a nossa masculinidade, a natureza da mulher foi também corrompida em toda extensão de seu universo feminino com agravantes físicos (o aumento nas dores de parto), volitivos (a guerra dos sexos) e morais (a submissão forçada ao homem). Assim, vejo aqui a chave para entendermos a indagação: Mulher, por que choras? Creio que a pergunta confronta toda mulher para que elas percebam as dimensões abissais atingidas pela ressurreição de Cristo e não apenas uma simples constatação de um fato histórico, que é a ressurreição em si. A maravilhosa mensagem do túmulo vazio é que não há mais razões pelas quais chorar, porque Jesus quebrou a maldição que trouxe danos terríveis à mulher. E ninguém melhor do que Maria Madalena para compreender isso: ela fora liberta da possessão de sete demônios, ela havia sido prostituta, usada, humilhada, subjugada por uma teia social machista que a sufocava e se beneficiava dela. Surpreendo-me com essa mensagem poderosa de salvação, restauração, restituição e resgate do valor verdadeiro da mulher em Cristo Jesus. 

A Bíblia nos oferece um quadro claro quando, na primeira incursão missionária pela Europa, é uma mulher, Lídia, quem primeiro tem seu coração aberto às verdades do Evangelho e, logo após, é na libertação e conversão de uma mulher possessa de espírito adivinhador, e que era usada como fonte de lucro para seus senhores (homens), que, mais uma vez, o Evangelho encontra sua plena realização de redenção do universo feminino oprimido não só por suas próprias incongruências e idiossincrasias, como, também, pela maldição demoníaca do machismo.


Maravilho-me por Jesus não ter se revelado nem a Pedro e nem a João naquela manhã de domingo. Eles foram ao túmulo de Jesus e nada encontraram. Mas a uma mulher que sabia que seu testemunho seria desqualificado diante de qualquer tribunal naquele tempo, a ela é que foi entregue a missão de anunciar a ressurreição em toda a sua extensão libertadora.

À semelhança das mulheres do filme de Bergman, sei que muitas ainda choram por sofrer as angústias de uma natureza caída e amaldiçoada pelo pecado sem conseguir encontrar nenhuma saída que lhes dê esperança. É preciso pregar e ensinar sobre o significado e libertação que a ressurreição de Jesus trouxe para a própria vida de cada uma delas. Ainda que saibam da ressurreição, ainda que tenham ouvido o testemunho acerca do Cristo ressurreto, muitas não experimentaram a verdade surpreendente de que um homem se entregou e morreu para quebrar a maldição do pecado que paira sobre elas. A promessa gloriosa da ressurreição de Cristo é que o próprio Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima. 

Portanto, mulher, vai e anuncia a todos que você encontrar as mesmas palavras jubilosas de Maria Madalena: "Eu vi o Senhor"!

terça-feira, 19 de março de 2013

O "Eduquês" (e algo mais) da Escola Pública brasileira

Nuno Crato é professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, e Doutor em Matemática Aplicada nos Estados Unidos. Seu livro já anuncia em seu título o desafio que nos aguarda: O 'Eduquês' em seu discurso directo – Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista (editora Gradiva). Em sua contra-capa, lemos a seguinte apresentação: “O <<Eduquês>> em Discurso Directo disseca com rigor e impiedade os lugares-comuns em educação, mostra o vazio dos conceitos que têm dominado a pseudopedagogia do laxismo e da irresponsabilidade e explica a ideologia frouxa que está por detrás da linguagem mole e palavrosa a que se tem chamado <<eduquês>>”. Embora o livro faça uma avaliação das teorias e práticas pedagógicas em Portugal, é assombroso (e triste) vermos que o “eduquês” é idioma universal. Por isso mesmo, encontrei neste livro muito da minha própria história de submissão cega à pedagogia romântica e (ainda bem) de minha posterior reação consciente ao que vi como prática exagerada de certos luminares construtivistas e suas ideias revolucionárias.



A discussão de Nuno Crato irá focar a mentalidade construída e imposta pela pedagogia romântica, que tem deixado como legado um ser humano alienado dos melhores e mais tradicionais valores da Educação judaico-cristã e, ao mesmo tempo, preso cada vez mais ao mundinho imediatista do aqui e agora que sua vida fugaz oferece. Todas estas ideias são expostas e discutidas por Nuno Crato em seu livro: a escola à mercê de “reformulações drásticas e reviravoltas pedagógicas revolucionárias”; uma máquina que não oferece condições reais e dignas para a formação científica do professor e nem se concentra “no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento, da disciplina e do esforço”; um modelo de ensino que se tem furtado ao dever de desenvolver nos estudantes de forma sistemática e progressiva o espírito de disciplina, trabalho, esforço, persistência e concentração; e, enfim, que a Escola não deve abster-se de “adotar expectativas exigentes para os estudantes e seus trabalhos”. 


Professor Nuno Crato

Ler o livro do professor Nuno Crato foi uma oportunidade ímpar de exorcizar de vez quaisquer resquícios que me foram embutidos ao longo dos meus 20 anos de professor. Eu era uma criança de apenas 19 anos de idade, cursando o meu primeiro mês da Faculdade de Letras e já estava em uma sala de aula de 2º grau noturno, vitimizando aqueles pobres alunos via o artifício tão funesto chamado “contrato temporário”. Lembro-me que um dos escândalos daqueles anos era que quase a metade (ou um pouco mais da metade!) do quadro de professores da antiga Secretaria de Educação do Distrito Federal era composto por professores contratados temporariamente. Em sua maioria, aqueles contratados eram aventureiros (acho que me incluiria nestes) ou eram aposentados tentando ocupar o seu tempo ocioso ou desempregados desesperados em aumentar a renda familiar. Eram pessoas que estavam ali de passagem ou que jamais haviam pisado numa instituição de ensino na condição de professores ou se preparado para o ofício de lecionar. Aqueles alunos já eram vítimas naquele tempo da aplicação acrítica dos exageros e radicalismos da pedagogia romântica e do construtivismo de que nos fala Nuno Crato, mas, além disso e para piorar a situação deles, havia o “algo mais” que sugiro no título deste artigo: o processo político-partidário-ideológico que rege a Educação nacional. O que o livro do Nuno Crato aborda mais pedagogicamente, mas está lá também na estrutura da coisa, é o problema político por trás da Escola Pública e, talvez, esse problema seja ainda mais ressaltado no Brasil, porque unimos à pedagogia ideológica uma política também ideológica em favor de transformar a Escola num palanque de ideias progressistas.



Como estava dizendo, ao entrar naquela sala de aula do ensino noturno na cidade satélite de Ceilândia no mês de novembro, descobri que aqueles alunos já estavam sem aula desde abril! O que todos queriam de mim? Os alunos queriam passar de ano e, por seu lado, a Direção da Escola queria que eu colocasse em dia os diários de classe. Colocar em dia?! Exatamente. Fui “convidado” pela Direção a exercer a nobre arte da mentira, preenchendo com presenças e conteúdos meses e meses de papel em branco (sob a coação de que perderia o contrato ou o mesmo não seria renovado no ano seguinte). Assim começava minha jornada neste mundo de propaganda e imagem que é a nossa Escola de Papel (calma, querido leitor, apesar da minha pouca idade e falta de experiência naquele jogo de hipócritas, tive o bom senso de pular fora daquela proposta criminosa ainda que me custasse o próximo contrato).



Em Brasília, que é a realidade escolar que conheço (Capital Federal do país!), a Escola sempre foi um trampolim para a carreira politica de muitos professores que deixavam muitíssimo a desejar em suas salas de aula, mas eram ótimos agitadores e fomentadores de greves nas salas de coordenação, nos corredores da Escola e nas ruas. Além disso, a escola pública é vítima também de “pertencer” ao Estado (ou ao município), assim, a cada eleição e saída do partido anterior do poder, o novo sempre instaura uma nova revolução. Ideias mirabolantes não faltavam: escola candanga, pcn's, ciclos, etc. Sempre havia algo a ser extirpado do governo anterior e sempre surgia aquela grande e nova ideia forjada por educadores de plantão em gabinetes públicos intoxicados pelo excesso de ar condicionado vencido. Quando, por exemplo, começou a era dos pc'ns (Parâmetros Curriculares Nacionais), os diários vieram com aquelas “estranhíssimas” lacunas a serem preenchidas sobre as tais competências e habilidades dos alunos. A moda, então, era que os diários não deveriam mais apresentar os conteúdos de cada disciplina e isso caiu assim como um meteoro sobre nossas cabeças! Os professores não sabiam como preencher, os coordenadores pedagógicos também não, nas GRE's (Gerências Regionais de Ensino) ninguém sabia nada também e, por muitos anos, gastamos horas preciosas discutindo nas salas de coordenação se aquelas lacunas deveriam ser preenchidas com frases iniciadas por verbos no gerúndio ou no infinitivo!



Infelizmente, não é o Distrito Federal que sofre dessas mazelas sozinho em nosso país. Quando vim dar aula numa Escola Indígena do Estado do Mato Grosso, o escândalo foi ainda maior. Entrei na aldeia e vi o professor indígena preparando a lista dos alunos matriculados na Escola. Ele colocava o nome de cada aluno em cartolinas amarelas, usando um canetão azul e separando os alunos pela idade desde a 1ª série do Ensino Fundamental até o 3º ano do 2º grau (nem me peça para traduzir isso em “ciclos de aprendizagem”, por favor). Surpreso, constatei que TODOS, vou repetir, TODOS os seres humanos residentes naquela aldeia estavam matriculados na Escola! Seria isso, então, a tão propalada “Educação para TODOS” do Governo Federal? Os caciques estavam ali naquela lista, os pajés nonagenários também! O problema é que nem aqueles e nem estes nunca colocariam seus pés na Escola. “Certamente”, pensei, “ele não entendeu a orientação da Secretaria de Educação”. Na primeira oportunidade que tive, fui verificar a situação na Secretaria e para minha completa estupefação as Escolas do Estado - indígenas ou não - funcionavam segundo a crença de que TODOS deveriam ser matriculados numa série correspondente à sua idade. Ainda que há muitos anos estivesse fora da Escola e mesmo que houvesse cursado apenas a 2ª série do primário, este aluno (pasmem!) deveria ser matriculado na 8ª série se já tivesse idade para isso. Diz a lenda, propalada pela pedagogia romântica, que cabe à escola criar meios para a recuperação paralela destes alunos. Huuummm! Sei! Há outra razão por trás desta afronta: a Escola ganha uma verba de acordo com o número de alunos matriculados e, obviamente, a verba para a merenda escolar também está calculada de acordo com a quantidade de alunos matriculados. Então, é fácil ver a construção tão cooperada de uma Escola de Papel abarrotada de alunos em sala de aula – muitos são os que saem ganhando com isso, embora pouquíssimos percebam que, na verdade, TODOS perdemos.



Essa realidade tão brasileira não será abordada no livro de Nuno Crato (não sei se Portugal sofre das mazelas que descrevi aqui) – talvez seja a nossa infeliz contribuição à educação mundial, o nosso “algo mais” que também contribui vitoriosamente para que sejamos o penúltimo país no ranking mundial de educação, estando na frente apenas da Indonésia!

Leia também: 


sábado, 16 de março de 2013

Teologia da Missão Integral - série Vale a pena ler de novo (II)

Pode o Evangelho ser usado como mero palanque de uma ideologia?

“A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”.
— Ariovaldo Ramos, na revista marxista Diplomatique.
Julio Severo
“Deus ouviu nossas orações!” Assim disse uma viúva ao abrir a porta da frente de sua pobre casa e ver, com seu filho, várias caixas de compras de alimentos, roupas e outros produtos. Tudo estava ali, na frente de sua porta, sem identificação nenhuma do bondoso doador. Mas a viúva sabia que, fosse quem fosse, tinha sido um instrumento dAquele que toca os corações para essas preciosas expressões de amor.
Testemunhos semelhantes se repetem em todas as épocas e lugares: em suas necessidades, pessoas oram e recebem bênçãos especiais de doadores desconhecidos. São desconhecidos movidos por Aquele que é amor e humildade, e praticam o amor sem nenhuma ambição de aparecer, conforme Jesus mesmo ensinou:
“Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.” (Mateus 6:1-4 ACF)
Essa é a beleza da vida cristã: o amor em ação, em obediência ao Senhor Jesus Cristo, se expressa em humildade. A caridade cristã é uma ação movida por puro amor, nunca por ideologia.

Amor versus ideologia

Mas quando entra a ideologia, entra a imposição e vai embora o amor.
Onde Deus dá a cada pessoa a liberdade de ajudar quem realmente precisa, a ideologia usa a força bruta para tirar dos outros com a desculpa de ajudar os necessitados.
Deus ajuda, mediante seus servos, pelo amor.
A ideologia, mediante seus adeptos, impõe, em nome do amor.
Deus usa as pessoas voluntariamente.
A ideologia faz uso do Estado para obrigar as pessoas.
Essa é a diferença básica entre ideologia e amor inspirado por Deus.
A ideologia gosta de lidar com dinheiro, principalmente dinheiro dos outros. Enquanto na vida cristã cada seguidor de Cristo usa seus próprios recursos para abençoar quem está em necessidade, os adeptos da ideologia usam o dinheiro que é tirado dos outros, muitas vezes pela força. E usam não somente para ajudar quem supostamente precisa, mas também a si mesmos, tal qual fazia Judas.
Judas, o apóstolo que traiu Jesus, era responsável pelo dinheiro que as pessoas voluntariamente doavam para os pobres. Ele usava o dinheiro para ajudar não somente os pobres, mas também a si mesmo, e ainda assim aceitou suborno para trair o Mestre.
A traição ao Mestre pode ocorrer de diversas formas. Quando um cristão só ajuda os pobres com o dinheiro dos outros, vive disso e promove uma ideologia que defende o Estado no papel de tirador do dinheiro dos outros para supostas caridades, o nome de Jesus não é glorificado. É traído.
O que, por exemplo, faria um pastor adepto da Teologia da Missão Integral viajar a Venezuela para dar apoio a Hugo Chavez, por suas políticas supostamente voltadas aos pobres? Por que esse pastor não procurou um bom trabalho a fim de fazer, com o dinheiro de seu suado salário, caridade para os pobres?

Assistência apostólica seletiva

Tanto os adeptos da Teologia da Libertação quanto os adeptos da Teologia da Missão Integral se julgam mais apóstolo do que os doze apóstolos de Jesus. Os primeiros apóstolos tinham na igreja um ministério de caridade não voltado aos descrentes ou à sociedade, nem mesmo a todos os crentes. Era voltado exclusivamente às viúvas que preenchessem certos requisitos:
“Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las. Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, são eles que devem primeiro aprender a cumprir os seus deveres religiosos, cuidando da sua própria família. Assim eles pagarão o que receberam dos seus pais e avós, pois Deus gosta disso. A verdadeira viúva, aquela que não tem ninguém para cuidar dela, põe a sua esperança em Deus e ora, de dia e de noite, pedindo a ajuda dele. Porém a viúva que se entrega ao prazer está morta em vida. Timóteo, mande que as viúvas façam o que eu aconselho para que ninguém possa culpá-las de nada. Porém aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não crêem. Coloque na lista das viúvas somente a que tiver mais de sessenta anos e que tiver casado uma vez só. Ela deve ser conhecida como uma mulher que sempre praticou boas ações, criou bem os filhos, hospedou pessoas na sua casa, prestou serviços humildes aos que pertencem ao povo de Deus, ajudou os necessitados, enfim, fez todo tipo de coisas boas. Mas não ponha na lista as viúvas mais jovens; porque, quando os seus desejos fazem com que queiram casar de novo, elas abandonam a Cristo. E assim elas se tornam culpadas de quebrar a primeira promessa que fizeram a ele. Além disso, elas se acostumam a não fazer nada e a andar de casa em casa; e, pior ainda, aprendem a ser mexeriqueiras, metendo-se em tudo e falando coisas que não devem. Por isso, eu quero que as viúvas mais novas casem, tenham filhos e cuidem da sua casa, para que os nossos inimigos não tenham motivos para falar mal de nós. Pois algumas viúvas já se desviaram e seguiram Satanás. Se alguma mulher cristã tem viúvas na sua família, ela deve ajudá-las. Que ela não ponha essa carga sobre a igreja, para que a igreja possa cuidar das viúvas que não tenham ninguém que as ajude!” (1 Timóteo 5:3-16 NTLH)
A ajuda da igreja era seletiva. Todas as viúvas em necessidade não tinham um direito automático de receber assistência. Elas tinham primeiramente de passar por alguns testes de qualificação moral.
Contudo, mais comumente adeptos de teorias cristãs de linha marxista se baseiam na decisão dos primeiros apóstolos orientando toda a igreja judaica a entregar suas propriedades à liderança apostólica. Mas, ao contrário do que uma interpretação de Teologia da Missão Integral (MTI) faria, a intenção dos apóstolos jamais foi transformar a igreja numa mega-agência de caridade para toda a sociedade.
O mesmo capítulo 5 de Atos que fala sobre entregar tudo aos apóstolos fala também sobre apóstolos cheios de poder do Espírito Santo: “E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos”. (Atos 5:12)
O verdadeiro Cristianismo pratica caridade para quem realmente precisa e merece, e faz sinas e prodígios no meio do povo: curas, expulsões de demônios, etc. Os adeptos da MTI, que não são conhecidos por sinais e prodígios de curas e libertação no meio do povo, são mais conhecidos por defenderem o papel da igreja como uma força de pressão sobre o Estado em sua ânsia de tirar os recursos dos cidadãos para supostas práticas de caridade sem a seletividade que os apóstolos tinham.

Decisão dos apóstolos: inspiração estatal, ideológica ou meramente eclesiástica?

A decisão dos apóstolos de que todos os membros da igreja tinham que ter tudo em comum tinha como objetivo:
* Deixar os membros pobres e enriquecer os apóstolos, assim como se faz na moderna Teologia da Prosperidade.
* Criar um sistema político para tirar de quem não tem para dar a quem não tem, conforme propõe a Teologia da Missão Integral.
Se você escolheu uma das duas opções, você errou.
O que os apóstolos fizeram não foi um meio de se enriquecer à custa dos membros. E eles também não estavam usando a igreja para criar um sistema político. Foi exclusivamente uma decisão interna, uma decisão voltada apenas para a igreja judaica. Jamais foi intenção deles transformar sua experiência de igreja em teocracia socialista, pressionando o Estado a impor sobre a sociedade uma repartição forçada de bens.
Uma transferência desse sistema para a esfera secular teria de impor certas medidas:
* Todos os cidadãos deveriam se submeter à autoridade dos apóstolos estatais e a insubmissão teria a mesma conseqüência que sofreram Ananias e Safira: a pena de morte.
* Todos os cidadãos deveriam entregar todos os seus bens aos apóstolos estatais.
Mesmo que ousemos considerar a possibilidade dos apóstolos aceitando a secularização de sua decisão particular para sua igreja, transferindo-a para a sociedade, qual seria o resultado?
A igreja judaica dos 12 apóstolos sofreu muito economicamente quando foi atingida por uma grande crise de fome que atingiu todo o Império Romano. Mas as igrejas fundadas e dirigidas pelo Apóstolo Paulo na Ásia Menor e Europa, que também estavam no Império Romano, não só tiveram força econômica para prevalecer sobre a crise de fome, mas até mandavam ajuda para a empobrecida igreja judaica.
Havia uma diferença marcante: Paulo não quis trazer para suas próprias igrejas as práticas dos apóstolos de Jerusalém, que haviam estabelecido tudo em comum. (Veja um estudo mais detalhado aqui.)

Assistencialismo forçado

Se uma grande fome atingir o mundo — e onde há políticas socialistas predominantes, a miséria é inevitável a curto ou longo prazo —, até mesmo as igrejas cristãs serão afetadas, inclusive igrejas dirigidas por apóstolos. Mas escaparão as igrejas que não foram infectadas pela visão que está a serviço de uma ideologia de falsa compaixão.
Vejamos a proposta da Teologia da Missão Integral (TMI) usando como base as práticas dos apóstolos:
A TMI quer que o Estado obrigue todas as pessoas a repartir sua renda para seus programas assistencialistas.
A igreja apostólica usava apenas os recursos da igreja para sustentar a própria igreja, nunca usando esses recursos para assistencialismo no mundo.
A TMI apóia qualquer governo corrupto e sem moral, contanto que faça “assistencialismo”.
A igreja apostólica não tinha nenhuma proposta ou exemplo assistencialista ou político. O que ela tinha era um programa de assistência às mulheres viúvas. Esse programa estipula duas coisas bem claras: O dever de sustentar as viúvas pertence às famílias delas. As que não tinham famílias podiam contar com a ajuda da igreja se preenchessem certas condições de bom testemunho cristão. As viúvas sem bom testemunhos ficavam de fora. Portanto, para ser qualificado para receber a ajuda da igreja, não bastava ser pobre. Tinha de ter bom testemunho.
Entretanto, os adeptos da TMI querem o Estado no lugar tanto das famílias como das igrejas. Embora se classifiquem como cristãos e usem o Evangelho fora de contexto, suas ações mostram que eles estão trabalhando para criar um Estado mais forte, transferindo para ele as responsabilidades que são das famílias e das igrejas.
Sob inspiração marxista, mas com roupagem bíblica estratégica, a teocracia socialista é de longe hoje a forma mais popular e predominante de ação política cristã, onde católicos e evangélicos progressistas pressionam o Estado a impor sobre a sociedade a repartição forçada dos bens dos cidadãos, sob o pretexto socialista de justiça social. Aliás, o Estado teocrático socialista quebra toda separação entre igreja e Estado, removendo das igrejas e suas famílias as áreas da educação, saúde, caridade, etc.
Em nome da compaixão pelos pobres, as comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, infectadas com a Teologia da Libertação, pregavam que uma teocracia socialista era plenamente justificável. Com suficientes bases bíblicas da Teologia da Libertação, a CNBB marxista deu o sinal verde para o PT e Lula subirem ao poder. Não muito atrás, os adeptos da Teologia da Missão Integral também sinalizaram para Lula que ele e sua gangue tinham o apoio dos evangélicos para decolar.
Hoje, graças à Teologia da Libertação e à Teologia da Missão Integral, o Brasil tem um Estado cada vez mais socialista supostamente voltado para “os pobres”. E não nos deixemos enganar. Embora a palavra “teologia” apareça frequentemente, o que vale aí é a ideologia. O próprio Ariovaldo Ramos reconheceu, na revista marxista Diplomatique, que “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”. E a Teologia da Libertação é a mais importante variante religiosa da ideologia marxista. São duas faces da mesma moeda.
Adeptos dessa teologia, que também se consideram “progressistas”, têm histórico comprovado de ligações socialistas.
Repetindo o que eu já disse sobre evangélicos progressistas:
Eles provocam incontáveis estragos à divulgação do Evangelho, ao pervertê-lo e colocá-lo a serviço de uma ideologia que nada tem a ver com Jesus Cristo. Cada tentativa de se implantar um reino humano dessa ideologia trouxe a manifestação do reino das trevas: matanças, genocídios, mentiras, destruição e horrenda perseguição aos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo.

Roubo em nome da compaixão

Em nome da compaixão pelos pobres, o governo teocrático socialista tira de você e de mim muito dinheiro através de políticas vorazes de impostos. Vejamos agora alguns exemplos do uso do nosso dinheiro:
* Meu dinheiro é tirado à força de mim para ajudar o pobre do Fidel Castro e seu pobre governo comunista.
* Meu dinheiro é tirado à força de mim para ajudar a pobre Autoridade Palestina, que precisa perseguir cristãos e ajudar seus pobres grupos terroristas contra Israel.
* Meu dinheiro é tirado à força de mim para ajudar os pobres grupos homossexuais a promover suas orgias, inclusive promovendo o homossexualismo nas escolas públicas.
* Meu dinheiro é tirado à força de mim para financiar grupos pró-aborto a ajudar as pobres mulheres e os pobres médicos a livrarem a sociedades de opressores bebês em gestação.
* Meu dinheiro é tirado à força de mim para ajudar os pobres políticos socialistas do Brasil a viajarem pelo mundo inteiro para se encontrar com amigos terroristas e ditadores.
* Meu dinheiro é tirado à força de mim para ajudar muitos outros tipos de pobres, conforme o governo decidir.
E, já que estamos numa teocracia, todos devem obedecer, sem questionar. Já viu alguém querendo questionar a Deus? Mas, você perguntará, se estamos numa teocracia, onde está Deus no centro? Ah, esqueceram de avisar! Logo que a Teologia da Libertação e a Teologia da Missão Integral se tornam realidade numa nação, há uma pequena mudança de “governo”. O papel meramente simbólico de Deus é discretamente removido e o Estado socialista ocupa o trono! “Ei, Deus! Obrigado por nos deixar usar seu nome para avançar nossa revolução! Obrigado também por nos emprestar algumas partes do teu Evangelho por meio da Teologia da Libertação e da Teologia da Missão Integral!”
Entretanto, não fique chocado: a Teologia da Libertação e a Teologia da Missão Integral garantem que a preocupação central sejam os pobres e, quer a teocracia socialista tenha Deus ou o Estado no trono, muito pouco importa. O que importa é fazer tudo em nome da compaixão e dos pobres!
Jesus Cristo é a favor dos pobres, mas sua compaixão nada tem a ver com o socialismo. Ele nos ensina a amar e ajudar os pobres voluntariamente. Eu e muitos cristãos bem que gostaríamos de fazer mais, mas a teocracia socialista vem sufocando nos cidadãos todos os recursos que deveriam estar disponíveis para atos voluntários de caridade: Imensas quantias de impostos são tragadas pelo Estado, em nome da compaixão pelos pobres, para financiar imensas políticas socialistas, inclusive bolsas-famílias que sustentam um grande curral de eleitores que sustentam a teocracia socialista.
Com o Deus verdadeiro, você tem a opção e o livre arbítrio de ajudar os pobres, o quanto você quiser, do jeito que você quiser, quando você quiser. Com o falso deus da teocracia socialista, a opção e o livre arbítrio são degolados. Quer queira quer não, você e principalmente seu bolso são chamados a contribuir involuntariamente para a revolução teocrática socialista AQUI E AGORA.
Há uma diferença cósmica entre Jesus e o Estado.
Jesus não usa o Estado para enganar os pobres, nem o usa para tirar dinheiro de ninguém, nem o usa para forçar ninguém a perder seu livre arbítrio. Jesus chega até a pessoa e a convida: Você quer me seguir? Você quer ajudar seu próximo?
Mas a teocracia socialista age muito diferente. Seus representantes chegam até você e dizem:
Precisamos ajudar os “pobres”.
Aí você responde:
Legal! Com o que você vai ajudá-los?
Com o seu dinheiro.
Mas eu não posso dar agora…
Não estamos pedindo sua colaboração. Estamos exigindo seu dinheiro.
Peraí. Jesus quer que eu ajude, mas nem ele me obriga a nada.
Por acaso temos cara de Jesus? Entregue imediatamente seu dinheiro. Do contrário, você será preso por insubmissão ao Estado.
Sem opção, você entrega seu dinheiro. Seus bolsos se esvaziam, e os bolsos dos poderosos “a serviço” do Estado “compassivo” se enchem.
Qual é a diferença entre a Teologia da Prosperidade e a Teologia da Missão Integral?
As duas esvaziam seus bolsos. A primeira, no altar da igreja; a segunda, no altar do Estado.
Na Teologia da Prosperidade, você enriquece os líderes da igreja, se você quiser ofertar. Lembre-se: a Teologia da Prosperidade não força ninguém a entrar na igreja e dar dinheiro.
Na Teologia da Missão Integral, você enriquece os líderes do Estado e suas loucuras, quer você queira ou não. Lembre-se: a Teologia da Missão Integral defende uma teocracia socialista onde todos são forçados a entregar dinheiro no altar do Estado.

Estado pecador

Em sua desculpa de ajudar os pobres por meio do aumento incessante e cruel de impostos, o governo comete três pecados:
* Quebra um dos Dez Mandamentos, que exige não roubar.
* Tira do cidadão sua oportunidade de voluntariamente ajudar os pobres.
* Sustenta um populismo pesadamente caro para se solidificar no poder.
Jesus ensinou bem claramente em Mateus 6 que cada homem — jamais o Estado — tem a responsabilidade e opção de ajudar diretamente os pobres. E Jesus ensinou também a forma de dar: sem que ninguém saiba.
Por mais que queiram os adeptos da Missão Integral ou os adeptos da Teologia da Libertação, o governo não consegue cumprir esses dois ensinamentos, por um motivo bem simples: é dirigido às pessoas da igreja, não ao Estado.
Quando o Estado entra na esfera da igreja, para cumprir o papel de seus membros, o resultado é perversão. Enquanto o homem ou a mulher que ama Jesus ajuda os pobres com seus próprios recursos pessoais, o Estado que não ama Jesus tira os recursos dos cidadãos à força e, bem diferente do que Jesus mandou, faz propaganda e publicidade aos quatro cantos do mundo de toda migalha que dá, fazendo trombetas tocarem sobre si e se fortalecendo num populismo oportunista.
Provavelmente, o governo gaste, do dinheiro do povo, tanto em migalhas aos pobres quanto em propaganda para manter sua imagem de “protetor dos pobres”.
Imagine agora o cenário: Um homem está determinado a seguir a orientação de Jesus de ajudar os pobres. Assim, ele vai até seu vizinho e diz: “Entregue-me seu dinheiro!” Diante da recusa do vizinho, o homem o ameaça, finalmente conseguindo a grana. Com o dinheiro em mãos, ele divulga para a cidade inteira que ele vai ajudar os pobres. Pega uma parte boa do dinheiro e dá aos jornais, para fazerem muita propaganda da generosidade dele. Pega outra parte do dinheiro e dá aos seus amigos homossexuais, para que possam farrear à vontade. Pega outra parte do dinheiro e dá para sua amiga que tem um trabalho de defender o aborto. Dá outra parte para outros amigos. Pega um pouco para si e, finalmente, para não ser injusto com seu populismo, espera os jornalistas, as câmaras, TVs, rádios, etc., para entregar sua “ajuda” aos pobres.
Essa é a caridade sem Deus.
Essa é a caridade estatal.
Como é que alguns cristãos foram se meter nisso?
Eu creio que Jesus Cristo deu aos cristãos a autoridade e o poder de realizar sinais, prodígios e maravilhas, inclusive expulsando demônios. (Veja Marcos 16)
Já passou da hora de os cristãos expulsarem de seu meio a Teologia da Libertação e a Teologia da Missão Integral.
Versão em inglês deste artigo: Theology of Integral Mission
Versão em espanhol deste artigo: Teología de la Misión Integral
Leia também: 
A farsa integral de Ariovaldo Ramos - série Vale a pena ler de novo (I)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Voltaire, liberdade e os inocentes úteis do protestantismo brasileiro

Écrasez l´infâme

Voltaire


O que é um “inocente útil”? É aquele que defende o direito do outro de lhe cuspir na própria cara! Por isso mesmo, muitas vezes, a expressão aparece também como “idiota útil”. “Idiota útil”, historicamente, descrevia todo aquele que, no mundo ocidental capitalista e livre, era simpatizante do comunismo e de ideias esquerdistas sem saber que os próprios comunistas o desprezavam e apenas serviam-se de sua alienação e ignorância. Portanto, inocente útil/idiota útil pode muito bem ser empregada à pessoa que defende ideias, causas e bandeiras que servirão de armadilha e guilhotina ao seu próprio pescoço amanhã e, consequentemente, beneficiará ao seu próprio oponente.

Escrevo sobre o conceito do “inocente útil”, porque este volta à baila nas redes sociais. Estranhamente, parcela do protestantismo brasileiro tem se revelado um inocente útil nas mãos de uma bandeira bonitinha demais, mas totalmente equivocada: a liberdade apregoada como valor suficiente em si mesma. Virou moda vermos “iluminados” protestantes citarem expoentes do Iluminismo, repetirem suas frases, papagaiarem seus aforismos, porém, desapercebidos (assim quero crer) de que cavam a própria cova na qual o espírito de Voltaire os lançará, enterrando-os a todos a sete palmos bem debaixo dos pés dos cultuadores deste século!

Não é a primeira vez que o protestantismo (parcela dele) é usado para beneficiar causas anticristãs. Desde o seu nascedouro, ainda durante a Reforma, houve grupos revolucionários ligados à Reforma que queimaram igrejas romanas, destruíram conventos e depredaram mosteiros em nome de uma nova mentalidade; outros foram usados como joguetes nas mãos de reis, príncipes e da própria burguesia para a manutenção do status quo ou a derrubada de governos; aqui no Brasil mesmo, tivemos denominações protestantes aliançadas à maçonaria e que cresceram sob a proteção desta; outros propagaram ideias comunistas e defenderam Cuba e a antiga URSS até às últimas consequências; além disso, muitos foram os protestantes que também trabalharam para colocar no poder o PT (um partido que defende a liberdade de se assassinar crianças no ventre de suas mães). São estes os inocentes úteis, que nem percebiam o quão estavam sendo manipulados para disseminarem valores anticristãos, enquanto trabalhavam a favor dos seus próprios inimigos.

Ainda há inocentes úteis hoje. Nas últimas semanas, eles surgiram com maior ardor, defendendo o Iluminismo maçônico, arrotando um Voltaire pagão e apregoando um conceito de liberdade que vai de encontro às Sagradas Escrituras. São pessoas que se escondem atrás de inúmeros títulos acadêmicos, tentando convencer incautos que isso os torna capazes de chamar o bem de bem e o mal de mal. Infelizmente, estão sendo usados, não apenas para defender a “democracia totalitária das minorias” que certos grupos anticristãos querem instalar no Brasil, mas usados também para dividir o próprio cristianismo brasileiro em um momento tão delicado para o futuro do nosso país. Paradoxalmente, grupos protestantes que não viram problema algum em se unir à maçonaria para lutar contra um inimigo comum, hoje, são totalmente incapazes de fazer co-beligerância ao lado de pentecostais e neo-pentecostais contra a ditadura das minorias que quer, ao final, subjugar todos debaixo de um novo eixo cultural neo-pagão.

Penso que no Brasil se lê muito pouco e quando lemos, lemos mal. Esta é uma das razões de termos pessoas tão preparadas, pastores e líderes protestantes, lançando-se tão rapidamente em defender o leão que os irá comer antes que o dia amanheça. Tal defesa ardorosa feita por eles não se dá a partir de argumentos bíblicos, mas, antes, encontram-se embasados em filosofias deístas e anticristãs totalmente descompromissadas com a moral evangélica.


Concluo que todo homem sensato, todo homem de bem deve ter horror à seita cristã. O grande nome teísta que não se reverencia o suficiente, é o único nome que se deve aceitar. O único Evangelho que se deve ler é o livro da natureza, escrito pela mão de Deus e marcado pela sua chancela. A única religião que se deve professar é a de se adorar a Deus e de ser um homem honesto. É tão impossível que essa religião pura e eterna produza o mal como era impossível que o fanatismo cristão não o fizesse. Jamais poderão fazer a religião natural dizer: “Vim trazer, não a paz, mas o gládio”. Ao passo que esta é a primeira confissão de fé que colocaram na boca do judeu que denominaram Cristo (Voltaire).


Como podem defender o Iluminismo maçônico que, estrategicamente, lançou as bases para o ceticismo da teologia liberal? A mesma teologia liberal que, entre tantos filhotes deformados, deu origem à funesta Teologia da Libertação e também à Teologia Relacional! Creio que lhes falta um aprofundamento, não só da origem das ideias que eles defendem, mas, principalmente, uma profunda e bíblica reflexão das consequências dessas ideias. Por exemplo, o tão citado Voltaire - um antissemita feroz, que pregava que “os judeus são um bando de ladrões”, que os profetas judeus queriam era “dominar e enriquecer quanto puderem” e que “a sequência da história judaica não é mais que uma trama de crimes consagrados” - só pode estar aparecendo profusamente nos comentários, posts e blogs protestantes por ser agressivamente anticatólico e isso deve agradar a esses ingênuos protestantes. O que parece que não sabem é que Voltaire, antes de tudo, era um inimigo do cristianismo. E aquela frasezinha de botequim que vejo tantos defenderem em seus perfis de rede social como se ela fosse tirada da própria Palavra de Deus é apenas propaganda enganosa para ser repetida exatamente pelos inocentes úteis: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” (frase que muitos historiadores julgam, ironicamente, nunca ter sido dita por Voltaire). Não há verdade nessas palavras do filósofo, basta você compará-las à vida de Voltaire. Todavia, é aqui que melhor funciona o inocente útil, porque ele repete e divulga frases que darão espaço ao discurso nocivo e diabólico do outro sob a desculpa de “democracia”. Ora, todos sabemos que não há democracia absoluta, assim como não há liberdade absoluta e que, como cristãos, devemos assegurar que a liberdade esteja aliançada à moral e à moral judaico-cristã. Esta é a liberdade que pregamos e jamais a demoníaca liberdade iluminada pagã de Voltaire. Ou será que os líderes e pastores protestantes realmente defendem que devemos trazer ao debate em nossas igrejas e universidades cristãs pedófilos, estupradores e assassinos para que eles defendam democraticamente suas doenças e crimes? Ora, doença não se defende, trata-se! Crime não se debate, pune-se!

Parece, contudo, haver no Brasil uma ala “iluminada” de inocentes úteis protestantes que querem entregar democraticamente suas cabeças à guilhotina. Estes estão ofertando a faca e o queijo às mãos de seus executores que legal, intelectual e iluminadamente eliminarão os últimos resquícios da moral cristã sob a proteção jurídica de um Estado que lhes entregamos de sobeja! Os inocentes úteis são tão ingênuos e românticos (assim quero crer) que nem percebem que o alvo democrático que os anticristãos visam alcançar é o governo destes - e apenas destes - sobre todos aqueles.

Enfim, a cena é patética, porque estamos repetindo os mesmos erros históricos dos protestantes e católicos de 200 anos atrás, dando espaço para que o estuprador entre em nossas casas, sente-se à mesa e possa jantar da comida que lhe oferecemos antes de assistí-lo violar nossa esposa e filhas. Ou será que já esquecemos que, num dos debates sobre a PL 122 no Congresso Nacional, a nobre Marta Suplicy disse que concederia o favor legal aos cristãos de pregarmos sobre temas bíblicos delicados dentro dos nossos templos? Então, enquanto os trazemos às nossas mesas para a defesa de suas ideias, eles nos empurram para dentro das paredes dos nossos templos - e se os obedecermos, se aceitarmos as regras imparciais desse jogo, certamente nem correremos o risco de "linchamento moral" ou "perseguição religiosa", uma vez que a maçã já estará podre mesmo dentro da caixa e muito bem guardada. Será que é tão difícil entender isso ou terei que ouvir ainda inocentes úteis cristãos citando frases de filosofia pagã forjadas por uma revolução maçônica, enquanto tentam convencer-me de que sou burro demais para compreender a "sabedoria" dos seus luminares?

Encerro, retornando à epígrafe: “Massacrem a infame”. Frase nada condizente com o democrático e liberal Voltaire que muitos tem apregoado existir. Esta frase - realmente registrada como tendo sido escrita pelo filósofo - é um brado não somente contra a Igreja Católica, mas contra o cristianismo e, principalmente, contra a própria Bíblia. Assim, quando a massa envenenada invadir os celeiros cristãos, não nos indaguemos abobalhadamente sobre como as coisas chegaram ao ponto que chegaram, vendo, enfim, nossos convidados marchando sobre nossas cabeças e gritando triunfantes: Écrasez l´infâme! - porque a História se repete em seus aspectos mais negativos por causa da cumplicidade criminosa daqueles que não conseguem aprender com o passado.

sábado, 9 de março de 2013

Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas: Introdução

Espero contribuir com o amadurecimento do cristianismo no Brasil, oferecendo este maravilhoso texto de Solano Portela no desejo de que possamos todos reavaliar os caminhos vexamosos nos quais muitos tem trilhado aqui em nossa pátria. O pior está sendo ver aqueles evangélicos que são chamados de fundamentalistas pela gaystapo, agora, chamando também aos seus próprios irmãos de fundamentalistas em comentários e posts no face: a evangelicofobia está dentro da nossa própria casa! Acesse todo o estudo, ore, leia com calma, vamos todos aprender e que, ao final, sejamos usados somente para a glória de Deus e para o serviço da Igreja brasileira

Pb. Solano Portela
 
 
Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas

Este livreto foi publicado no site da 1a Igreja Presbiteriana do Recife contendo uma versão preliminar publicana na revista "Os Puritanos". A versão publicada aqui é a completa. Este texto completo foi publicado pela Editora PES e pode ser adquirido através do site da editora: http://www.editorapes.com.br

Introdução | Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5

O Que é Calvinismo?

Quando nós nos referimos a calvinismo , estamos falando daquela compreensão da mensagem das Escrituras Sagradas que conclui que Deus é soberano sobre todas as coisas. (1)

A Palavra de Deus foi habilmente estudada e assim exposta por João Calvino, seguindo as pegadas de Agostinho e do apóstolo Paulo. Nos escritos de Calvino temos não novas doutrinas, mas o ensino cristalino, procedente da Bíblia, de várias doutrinas da fé cristã que refletem essa soberania de Deus em todos os aspectos da nossa vida. Esta compreensão tem sido às vezes rotulada de As Doutrinas da Graça e resumida nos conhecidos Cinco Pontos do Calvinismo. (2)

Ela esteve presente nos escritos e ensinamentos dos grandes expoentes da Reforma do Século XVI, e é encontrada nas históricas confissões do período, inclusive na Confissão de Fé de Westminster, adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Aqueles que aceitam que a Bíblia apresenta com essa perspectiva a pessoa de Deus, e as limitações conseqüentes do homem, têm sido chamados de calvinistas , entre os quais nos incluímos.

Esclarecimentos Sobre o Tema
 
Alguns podem pensar que vamos lidar com “Os Cinco Pecados do Calvinismo” . Apesar dessa idéia possivelmente 
trazer entusiástica reação de aprovação da parte de certos setores da igreja, quero esclarecer que não estaremos tratando dos “Pecados do Calvinismo” nem iremos escrever contra o calvinismo. Nossa preocupação é com os pecados que ameaçam os calvinistas. Esses, vale esclarecer, não são pecados que caracterizam os calvinistas. Eles podem ser encontrados em muitos campos de persuasão cristã e, nesse sentido, o alerta é generalizado. Nossa preocupação é, entretanto, a de que os calvinistas não se considerem imunes a esses perigos pois os pecados que vamos mencionar também representam séria ameaça ao seu testemunho como cristãos eficazes na Igreja de Deus.

É importante ressaltar, em adição, que o nosso tema não é “Os Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas”. Infelizmente existem mais de cinco pecados que nos ameaçam, mas, com a graça de Deus, vamos abordar apenas cinco destes e não todos eles. As pessoas que compartilham uma apreciação pelo calvinismo representam um solo fértil a esse estudo, o qual procede de um intenso desejo de que, como calvinistas, sejamos conhecidos tanto pelas nossas firmes convicções como pela ampla demonstração do Fruto do Espírito em nossas vidas.

Pecados que Não Abordaremos

O Intelectualismo Estéril
A nossa tentativa é a de dar um passo além de alertar aos perigos do intelectualismo estéril. Parece-nos que muitos avisos já foram soados a este respeito. Registro, como exemplo, um artigo na revista Banner of Truth no qual W. J. Seaton diz:
Nosso sistema educacional está próximo de educar pessoas acima de sua inteligência e nossa igrejas reformadas devem ter cuidado para não produzir novas gerações educadas teologicamente acima do nível de sua espiritualidade… Podemos ter uma geração que abraça o status da fé reformada mas que nunca se acha confrontada com o estigma de ser merecedora das chamas do inferno, salva apenas pelo exercício da livre graça de Deus, tão claramente expostas pelo calvinismo. (3)

Esse é o alerta contra o intelectualismo estéril que, em algumas ocasiões, encontramos em nosso meio. Devemos ter pleno convencimento que não existe aquilo que é chamado de ortodoxia morta, pois ela é nada mais, nada menos, do que heterodoxia viva. Que Deus nos preserve de retirar a vida de sua mensagem e ensinamentos.

Pecados relacionados com caráter pessoal
 
Não vamos, em adição, tratar de pecados ou atitudes pessoais, como: avareza, egoísmo, maledicência e outras situações pecaminosas, das quais oramos para que Deus nos livre sempre. Nossa proposição, portanto, é a de examinar alguns pecados adicionais que, corporativamente, podem estar rondando os calvinistas e que podem prejudicar tanto a nossa vida espiritual, quanto a de outros. Geralmente estes pecados ocorrem a partir de distorções de nossas próprias e corretas persuasões. É Satanás, utilizando a alavancagem dessas convicções, procurando confundir os nossos corações, objetivando levar a ruína, de uma forma toda especial, a fé reformada que tanto desejamos propagar e vê-la aceita.

(1) Benjamin Breckinridge Warfield indica que o princípio fundamental do calvinismo é “uma profunda compreensão de Deus e de Sua majestade, acompanhada da constatação, inevitável e precisa, da natureza exata do relacionamento mantido entre Ele e Suas criaturas, mui especialmente entre Ele e as criaturas caídas em pecado” – Calvin and Augustine (Philadelphia: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1956/1971) 288.

(2) (1) A depravação ou corrução total da natureza humana, caída em pecado; (2) a eleição incondicional, dos que constituirão a Igreja de Cristo; (3) a expiação limitada, do nosso Senhor Jesus Cristo, que deu o Seu sangue por Sua igreja; (4) a graça irresistível do Espírito Santo, chamando os eleitos à salvação; (5) a perseverança dos santos até a glorificação, preservados pelo poder e pelas promessas de Deus.

(3)W. J. Seaton, Are We Outgrowing the Five Points of Calvinism? Em Banner of Truth (166/167, July/August 1977).

 

Leia também:

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