quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sobre Dinossauros, Indígenas e Star Trek (ou “Por uma antropologia do muito próximo”)

Itinerarium mentis in Deum

O outro – este tema sempre despertou meu fascínio. E, quanto mais diferente é esse outro de mim, mais eu me sinto atraído por quem ele é, porque é exatamente nessa dessemelhança que mais tenho encontrado similaridade. Por isso, tenho aprendido a ver o outro como um espelho mágico que, ao mesmo tempo, revela-me santo e demônio – verdades que jamais conseguiria perceber não fosse esse encontro com o outro.

Durante muitos anos, devido à antropologia, vi-me doutrinado a receber sem surpresa ou escândalo aquilo que poderia ser tão diferente numa outra cultura. Precisava ter aquele olhar clínico para avaliar o meu paciente sem envolver-me com ele. Todavia, como dizia Pascal Dibie: “...para abrir os olhos, eu não conheço outro meio senão colocar um Outro à vossa frente, não será apenas para que as nossas pupilas mereçam o seu nome”. Ou, ainda, tentando lembrar de uma citação de Lévi-Strauss, este dizia algo assim: “o simples encontro com o outro já causa mudança em ambos”.

Verdade. Na busca por ver aquilo que era diferente no outro, foi exatamente aí que encontrei aquela matéria da qual todos nós, seres humanos, somos feitos. Assim, percebendo o outro que vivia em outra cultura, tão diferente da minha, outra língua, outra cosmovisão, outro olhar – quer algo mais “outro” do que isso? - fui descobrindo aquilo que, na verdade, é universal, comum. 

Por exemplo, trabalho com culturas que praticam o infanticídio – o assassinato de crianças logo após seu nascimento. As justificativas são as mais variadas para tal prática: o medo dos espíritos (pois, quando gêmeos, crê-se que um deles pode ser um espírito maligno e, por não saberem qual, então, enterram vivos os dois); o peso do machismo que irá fazer da mãe solteira, que insistir em preservar sua criança, uma “mulher de todo mundo” naquela sociedade; evitar também o estigma daquela criança sem pai de ser um pária na tribo e ser tratado como um pulha por todos ao seu redor; livrar-se do estorvo de criar uma criança com deficiência física ou mental, etc. O mais surpreendente, porém, é que as justificativas apresentadas aqui neste parágrafo são quase as mesmas para aqueles que justificam o aborto na nossa sociedade dita “civilizada”.

Outro exemplo. Ontem, junto com minhas filhas, assisti a um antigo episódio da família Dinossauro em que se comemorava “o dia do lançamento” - um ritual no qual se lança os idosos no poço de piche quando eles completavam 72 anos de idade. A justificativa daquela prática que já durava milhares de anos era que os idosos atrasavam a manada quando esta precisava fugir dos seus predadores, contudo, o jovem neto cuja avó iria ser arremessada questionou essa prática: “Mas hoje somos urbanos! Não vivemos mais na mata, fugindo e se escondendo de predadores... Então, porque ainda temos que matar nossos idosos?”! Surpreendi-me novamente porque eu trabalho com culturas indígenas que também abandonam seus idosos ou na mata ou dentro de uma casa sozinho sem comida e sem água até que, obviamente, morram. Qual a justificativa? Antigamente, estes povos indígenas eram nômades e seus idosos eram um peso para eles, contudo, hoje, além desses povos já serem sedentários, há a presença de um profissional da saúde muito próximo, senão, até mesmo dentro da própria aldeia... Porque, então, o Governo faz vista grossa à essa realidade? Pela mesma razão que o faz colocar nossa imundície social para debaixo do tapete enquanto gasta as burras de dinheiro na construção de elefantes brancos para a próxima Copa de futebol.

Sim, nós também abandonamos nossos idosos (e eu não estou referindo-me aos asilos). Nossos hospitais públicos, as políticas mercenárias dos planos de saúde e a escandalosa realidade do SUS demonstram que há uma cultura de eliminação do idoso acobertada pelo Estado. O idoso em nossa sociedade também é um estorvo, ele custa aos cofres públicos uma grande quantia de dinheiro e o Brasil precisa eliminar suas despesas desnecessárias. Neste parágrafo, vale a pena lembrar que o Brasil está envelhecendo e que, daqui 40 anos, 30% da população será composta de idosos. E esses idosos, que estarão improdutivos aposentados, estarão também vivendo mais – e o Estado sabe disso. Ou você ainda acha que o interesse estatal em temas como aborto, eutanásia e o caos da falta de infraestrutura da saúde pública deve-se simplesmente à incompetência? Ledo engano, meu caro cidadão. Um dia vão jogar você e a mim no poço de piche como já o fazem com tantos milhares de idosos Brasil a fora.

Não basta às sociedades enriquecerem financeiramente. A prova disso é que os mesmos temas assolam tanto as culturas indígenas como ao não-indígena no Brasil e aos Estados Unidos: aborto, eutanásia, limpezas étnicas, etárias e social continuam a fazer parte de todos os países e, muitas vezes, tudo está sendo incentivado por politicas públicas que colocam o ser humano, o indivíduo, valendo menos que o bem comum aspira.

Aqui chegamos à questão ética que envolve nossa sociedade Star Trek. Afinal "a necessidade de muitos sobrepõe a de poucos, ou de um" (posição defendida pelo personagem Spock – que se sacrifica pelo bem de todos) ou "a necessidade de um, às vezes, supera a necessidade de muitos" (posição defendida pelo personagem do capitão Kirk – que sacrifica a tudo e a todos para salvar Spock)*? A primeira posição apresenta-se mais como uma lei geral e é dita pela boca de um personagem alienígena preso à lógica de seu universo. A segunda apresenta-se como a humanização daquela lógica extraterrestre, quando intuímos pela experiência da vida diária que nada é preto ou branco, nada pode ser reduzido a um simplismo dualista e que a vida real, a vida como ela é, exigirá de cada um de nós uma postura que salvaguarde a ousada excepcionalidade do “às vezes” contra a lógica comum que não medirá esforços para assassinar crianças e idosos pelo bem geral de um povo, nação ou cultura. Em outras palavras, não somos apenas a lógica cartesiana, mas nossos sentimentos – tanto os inatos quanto aqueles que a vida ensinou a cada um – auxiliam nossa razão a escolher o melhor caminho que naquele momento precisamos trilhar. E Spock aprendeu esta lição tão humana.

Depois destes anos todos trabalhando com o outro, aprendi a trazê-lo para perto de mim e desfiz esse mito da antropologia do observador distante e o troquei por uma “antropologia do muito próximo” e passei a tratá-lo como tu. O outro é uma criação da ciência social cientificista que influenciou a sociologia, a antropologia e a até mesmo a religião. Não é à toa que muitos teólogos do século XX acostumaram-se a tratar Deus como “O Outro”, “O totalmente Outro” (Karl Barth). Todavia, o outro ou o Outro são entidades, criações, caricaturas para livros, para teses, mestrados e doutorados de pessoas que são lógicas demais. E a lógica, desculpe-me Descartes, não abarca tudo e, principalmente, não vê aquilo que é essencial (Saint-Exupéry). Portanto, a vida vai nos ensinando a tratar o outro por tu e, caminhando mais um pouco, vemos que o tu será um você, um amigo, um irmão, dependendo do nosso esforço e interesse, assim como aprendi a chamar “o totalmente Outro” de Aba Pai, paizinho – porque esta que deve ser a caminhada espiritual de cada um de nós.  

* Estou tendo em mente os episódios II, III e o Star Trek - Além da escuridão, nos quais encontramos essas frases. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Agostinho e o cepticismo

Gareth B. Matthews
Universidade de Massachusetts

Algumas pessoas descobrem a filosofia quando começam a levantar as grandes questões, a saber, se Deus existe ou se realmente temos livre-arbítrio. Outros descobrem a filosofia quando lhes ocorre, pela primeira vez, que nem sequer sabem com certeza se neste momento estão acordados. Algumas pessoas que chegam à filosofia levantando as grandes questões concluem, mais tarde, que é preciso responder ao cepticismo com que deparam quando procuram saber se têm sequer algum conhecimento, antes de considerarem os problemas de Deus e do livre-arbítrio.Agostinho parece ter seguido este caminho.
Por volta dos 18 ou 19 anos, Agostinho descobriu e leu um livro de Cícero, o Hortênsio. Esse livro, actualmente perdido, alterou a vida de Agostinho. Como relata nas Confissões, este livro despertou o seu amor pela filosofia e fê-lo aspirar à sabedoria (III, 4, 7-8). No Diálogo sobre a Felicidade escreve: "Fiquei tal maneira inflamado pelo amor da filosofia que imediatamente me entreguei ao seu estudo" (I, 4).
Agostinho avançou para a leitura de outras obras de Cícero. Algumas apresentaram-lhe o cepticismo filosófico. Posteriormente, houve momentos na sua vida em que chegou a considerar a ideia de se tornar um céptico filosófico. No Livro V das Confissões declara: "Passou-me pela cabeça a ideia de que os filósofos a quem chamam "Académicos" eram mais prudentes do que os outros; ensinavam que se devia duvidar de tudo e que a compreensão da verdade estava para além das capacidades do homem" (V, 10, 19).
Apesar de, durante longos períodos da sua vida, não considerar a vida do céptico filosófico uma opção atractiva, em todas as suas obras mais importantes Agostinho continuou a responder ao desafio do cepticismo.
A obra bastante precoce de Agostinho, Do Belo e do Apto (De pulchro et apto), não sobreviveu. Parece ter sido uma obra sobre estética e sobre a filosofia da mente na linha da tradição das grandes questões (ver Confissões IV, 14, 23-15, 24). Contudo, a mais antiga obra de Agostinho que sobreviveu, Contra Académicos, é integralmente dedicada ao cepticismo da "Nova Academia", uma escola de filosofia fundada por Arcesilau (315-240 a.C.) e ao qual sucedeu Carnéades (214-129/128 a.C.). Agostinho conhecera as orientações destes filósofos através do Academica, de Cícero.
Grande parte do Contra Académicos é bastante misteriosa e difícil de entender. Mas dos três livros que o compõem, o terceiro torna a obra entusiasmante e filosoficamente fascinante. O projecto é determinar se algo pode ser conhecido. O critério de conhecimento é designado por "definição de Zenão" (referimo-nos a Zenão de Cítio (334-262 a.C.), e não ao Zenão dos paradoxos). Infelizmente, a definição de Zenão é exposta de diferentes modos no diálogo. Consequentemente, o pobre leitor passa um mau bocado a tentar determinar o que Agostinho entende por tal coisa. A citação seguinte do Academica, de Cícero (II, 20, 66), já tinha sido citada no Livro II do Contra Académicos:
T1. "A verdade que pode ser apreendida [percipi, percebida] está impressa na mente pela sua origem, de modo que não poderia advir de outra coisa a não ser daquilo que é a sua origem." (II, 5, 11)
Eis uma das formulações de Agostinho da definição de Zenão, no Livro III do Contra Académicos:
T2. "Zenão afirma que o que aparece pode ser apreendido, se aparecer de modo a que não possa parecer uma falsidade." (III, 9, 21)
Vamos trabalhar com T2. A primeira coisa a considerar é o significado de "pode ser apreendido". A expressão latina utilizada por Agostinho, posse comprehendi, sugere a tradução "pode ser captado". Contudo, no contexto, a questão principal parece ser a possibilidade de conhecer alguma coisa. Portanto, utilizemos "pode ser apreendido" para significar "pode ser conhecido".
A segunda coisa a considerar é o significado de "aparecer de modo a que não possa parecer uma falsidade". Esta expressão procura realizar a função de expressões ainda mais opacas que são utilizadas por Agostinho no Livro II, tais como "está impressa na mente por aquilo que é a sua origem, de tal modo que não poderia advir de outra coisa a não ser daquilo que é a sua origem." Esta expressão realmente intimidadora é, de facto, uma citação à letra do Academica,de Cícero, em II, 6, 18. Temos de estar agradecidos por podermos trabalhar com T2 e não com a formulação de Cícero da definição de Zenão.
Ainda assim, é difícil saber o que significa "aparecer de modo a que não possa parecer uma falsidade". Suponhamos que, neste momento, tenho a impressão de que está uma rosa vermelha à minha frente. O que seria para a manifestação de estar uma rosa vermelha à minha frente "aparecer de modo a que não possa parecer uma falsidade"? Poder-se-ia pensar que isso significa que a manifestação de uma rosa vermelha à minha frente não poderia ser algo de ilusório. Nesse caso, seria de esperar que eu dissesse a mim mesmo "Isto não pode ser de forma alguma uma ilusão." Logo, a ideia será a seguinte: só posso saber que está uma rosa vermelha à minha frente se, e só se, a manifestação da presença de uma rosa vermelha à minha frente não pareça, de modo algum, uma ilusão. Contudo, esta interpretação não pode estar correcta. Torna implausível a restante discussão. O conhecimento de algo não pode ser plausivelmente constituído a partir de uma impressão de que isso não parece ilusório.
Sugiro que "aparecer de modo a que não possa parecer uma falsidade" tem de significar o seguinte: aparece de um modo que o falso não pode aparecer. Considero que o resultado é o seguinte: quando sei real e verdadeiramente que p, não me pode parecer que p sem que seja realmente verdade que p. Uma impressão de p que garante o conhecimento é tal que não posso ter esse género de impressão de p sem ser verdade que p. Trata-se daquilo a que os antigos designavam como uma impressão "cataléptica".
Segundo a interpretação que proponho, e de forma esquemática, a definição de Zenão traduz-se no seguinte:
Z) A sabe que p se, e só se, i) parecer a A que p e ii) não poderia parecer a A que p a não ser que seja verdade que p.
Segundo Z, é bastante óbvio que não sei se está uma rosa vermelha à minha frente. Assim, segundo Z, sei que está uma rosa vermelha à minha frente se, e só se, i) me parecer que está uma rosa vermelha à minha frente e ii) não me poderia parecer que está uma rosa vermelha à minha frente sem estar uma rosa vermelha à minha frente. Desconfio que podemos concordar que, independentemente da vivacidade ou do fulgor da impressão que me diz que está uma rosa vermelha à minha frente, é sempre possível que eu padeça da ilusão de estar uma rosa vermelha à minha frente. Por exemplo, posso estar a sonhar. Posso, ainda, estar com alucinações, devido a uma dose de morfina ou de LSD. Ou posso, além disso, estar numa máquina de realidade virtual que me produz a ilusão de estar uma rosa vermelha à minha frente. Por isso, a segunda condição de Z não está satisfeita e eu não sei se está uma rosa vermelha à minha frente.
O projecto do Livro III do Contra Académicos procura saber se, estando assente Z ou algo de muito semelhante, há outras coisas que conheço.
Como primeira alternativa, Agostinho debruça-se sobre a própria definição de Zenão. Não questiona a possibilidade de saber se a própria definição é verdadeira, mas apenas — e isto é um passo muito inteligente — se podemos saber, pelo menos, se a definição de Zenão é verdadeira ou falsa. Eis o passo:
T3. "O conhecimento ainda não nos abandonou, mesmo que não tenhamos a certeza quanto [à definição de Zenão]. Sabemos que a definição de Zenão ou é verdadeira, ou é falsa. Por isso, sabemos algo." (III, 9, 12)
Agostinho pressupõe aqui o Princípio de Bivalência, isto é, o princípio segundo o qual cada afirmação é verdadeira ou falsa. Acompanhemo-lo nesse pressuposto. Até muito recentemente, a maioria dos filósofos aceitava sem problemas o Princípio de Bivalência.
Pressupondo a Bivalência, parece que Agostinho pode saber, segundo Z, que Z é em si verdadeira ou falsa; a condição i) de Z está satisfeita. Além disso, não lhe pode parecer ser verdadeiro ou falso a menos que seja verdadeiro ou falso — pela razão de que não pode deixar de ser uma ou outra coisa. Por isso, Agostinho pode afirmar, e afirma de facto, que conhece algo.
Poder-se-ia considerar que esta aplicação de Z à afirmação "Z é verdadeira ou falsa", é batoteira. As impressões que o próprio Zenão tinha em mente são pretensamente "catalépticas", isto é garantem-se a si mesmas pela forma como são recebidas e, por isso, reflectem com exactidão aquilo a que se referem enquanto impressões. O que ocorrerá na impressão de que uma afirmação S é verdadeira ou falsa que garanta que reflecte correctamente aquilo do qual é uma impressão? O que garante que a impressão "S é verdadeira ou falsa" não poderia ser falsa não é simplesmente o facto de que "S é verdadeira ou falsa" é uma verdade lógica e, portanto, não poderia ser falsa? Assim, por mais débil e inadequadamente recebida que seja a impressão "S é verdadeira ou falsa", a frase em si não poderia pura e simplesmente ser falsa.
Talvez Agostinho devesse dizer que qualquer impressão correcta de uma verdade lógica é garantidamente verdadeira. Não sei se isto é fazer batota com Zenão. Mas pelo menos faz sentido, atendendo ao contra-exemplo de Agostinho. De qualquer forma, sempre que uma proposição de que p exprime uma verdade necessária, não me pode parecer que p sem ser verdade que p.
O próximo exemplo de Agostinho sobre aquilo que afirma conhecer é um tanto ou quanto difícil de interpretar. Expomos aqui a passagem relevante do Livro III de Contra Académicos:
T4. "Apesar de estar longe de ser um perito, conheço algumas coisas sobre a natureza. Estou certo de que o mundo ou é um [em número], ou não é — e, se não existe apenas um mundo, o número de mundos é finito ou infinito...
De igual modo, sei que este nosso mundo foi ordenado, tal como existe, pela natureza dos corpos ou por alguma providência; que sempre foi e será, ou que começou a ser e nunca findará; ou que não teve um começo no tempo, mas terá um fim; ou que começou a existir no tempo e não existirá para sempre." (III, 10, 23)
Sem dúvida Agostinho espera que
1) O mundo ou é um [em número], ou não é
seja considerado uma verdade necessária, como acontece com o exemplo precedente:
2) A definição de Zenão é verdadeira ou falsa.
Mas numa maneira comum de compreender 1, esta implica que
3) Existe um mundo,
o que não é uma verdade necessária. 1 implica 3 devido ao artigo definido à frente de "mundo", em 1. Porque 1 implica 3 e 3 não é uma verdade necessária, 1 não é também uma verdade necessária.
Contudo, antes de rejeitarmos este suposto exemplo de algo que podemos conhecer, devemos salientar que não há qualquer artigo definido no latim de Agostinho (certum enim habeo aut unum esse mundum aut non unum). Portanto, podemos lê-lo assim:
4) Ou existe um mundo, ou não existe um mundo.
Ora, penso que isto conta como uma verdade lógica.
Até este momento, Agostinho parece ter refutado o cepticismo generalizado através da apresentação de dois exemplos de coisas que podemos conhecer. A seguinte sugestão em T4 é menos problemática:
5) Se não existe apenas um mundo, o número de mundos é finito ou infinito.
Podemos facilmente interpretar 5 do seguinte modo:
6) Se existe mais do que um mundo, então o número de mundos ou é finito ou infinito.
E 6 parece de facto uma verdade necessária. E por isso, de acordo com Z, também pode ser conhecida.
Depois de T4 deparamo-nos com uma passagem fascinante. O céptico académico apresenta o seguinte desafio a Agostinho:
T5. "Como sabes que o mundo existe [realmente], [...] já que os sentidos são enganadores?" (III, 11, 24)
Este é talvez o desafio céptico mais extraordinário em todo o tratado. Introduz aquilo que na filosofia moderna é designado como "o Problema do Mundo Exterior". A resposta de Agostinho é, de igual forma, notável:
T6. "Portanto, designo o todo que nos contém e sustém, seja lá o que for, como "o mundo" — quero dizer o todo que aparece perante os meus olhos, que vejo conter os céus e a terra (ou os quase-céus e a quase-terra) [...]
Perguntas-me: "será que quando estás a dormir, aquilo que vês é o mundo?"
Já ficou dito que designo como "o mundo" tudo o que me aparece como tal." (III, 11 24-5)
Agostinho está a introduzir aqui, talvez pela primeira vez na filosofia ocidental, a noção do nosso próprio mundo fenoménico, o mundo de aparências do qual se está ciente enquanto sujeito consciente, ou intelectivo. Pensa-se geralmente que a ideia de um mundo fenoménico é uma noção moderna que tem origem em Descartes. Mas já está presente em Agostinho.
Agostinho não volta a desenvolver esta noção. Não coloca o Problema do Mundo Exterior como Descartes na célebre passagem:
"...tudo o que acreditei sentir enquanto estou acordado também posso algumas vezes acreditar que sinto, quando durmo; e como não acredito que chegue até mim por meio de coisas situadas fora de mim aquilo que me parece sentir durante o sono, não via porque tinha de acreditá-lo das coisas que me parece sentir enquanto estou acordado." (Descartes,Meditações sobre a Filosofia Primeira, VI, AT VII, 77, CSM, II, 53)
Ainda assim, aquilo que Agostinho afirma no Livro III de Contra Académicos abre as portas ao problema de Descartes.
Gareth B. Matthews
Tradução de Hugo Chelo
Retirado de Santo Agostinho, Gareth B. Matthews (Edições 70, 2008)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Jesus segundo Abelardo

"O Filho de Deus, que nós chamamos Verbo, é chamado pelos gregos de Logos, ou seja, “conceito da mente divina”, ou seja, “sabedoria ou razão de Deus”. [...] Se Jesus Verbo do Pai é chamado em grego Logos, como o Pai é chamado Sophia, concerne especialmente ao Filho aquela ciência que é estritamente relacionada com ele pelo nome, ou seja, a lógica, chamada assim a partir do Logos, como nós somos chamados a partir de Cristo cristãos. Aqueles que amam a lógica são ditos tanto mais verdadeiros filósofos quanto mais profundamente amam aquela Suma Sabedoria, que é o Verbo. Antes, a Suma Sabedoria do Sumo Pai, encarnando-se pera iluminar-nos pela luz da verdadeira sabedoria e chamar-nos do amor do mundo ao amor d’Ele, nos fez, ao mesmo tempo, cristãos e verdadeiros filósofos".

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Bernardo de Claraval e Abelardo: entre a teologia do coração e a teologia da razão


"A controvérsia entre dois modelos teológicos: Bernardo de Claraval e Abelardo"

Por Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs!

Na últimacatequese apresentei as características principais da teologia monástica e da teologia escolástica do século XII, que poderíamos chamar, num certo sentido, respectivamente "teologia do coração" e "teologia da razão". Desenvolveu-se entre os representantes de uma e de outra corrente um debate amplo e por vezes animado, simbolicamente representado pela controvérsia entre São Bernardo de Claraval e Abelardo.

Para compreender este confronto entre os dois grandes mestres, convém recordar que a teologia é a busca de uma compreensão racional, na medida do possível, dos mistérios da Revelação cristã, acreditados por fé: fides quaerens intellectum – a fé procura a inteligibilidade – usando uma definição tradicional, concisa e eficaz. Mas enquanto Bernardo, típico representante da teologia monástica, realça a primeira parte da definição, ou seja, a fides – a fé, Abelardo, que é um escolástico, insiste sobre a segunda parte, isto é, sobre o intellectus, acerca da compreensão através da razão. Para Bernardo a própria fé é dotada de uma certeza profunda, fundada no testemunho da Escritura e no ensinamento dos Padres da Igreja. Além disso, a fé é fortalecida pelo testemunho dos santos e pela inspiração do Espírito Santo na alma de cada um dos crentes. Nos casos de dúvida e ambiguidade, a fé é protegida e iluminada pela prática do Magistério eclesial. Assim, Bernardo tem dificuldade em concordar com Abelardo, e mais em geral com quantos submetiam a verdade da fé ao exame crítico da razão; um exame que comportava, na sua opinião, um grave perigo, isto é, o intelectualismo, a relativização da verdade, o questionar as próprias verdades da fé. Neste modo de proceder Bernardo via uma audácia levada até à falta de escrúpulos, fruto do orgulho da inteligência humana, que pretende "capturar" o mistério de Deus. Numa sua carta, entristecido, assim escreve: "O engenho humano apodera-se de tudo, nada deixando à fé. Enfrenta o que está acima de si, perscruta o que lhe é superior, irrompe no mundo de Deus, altera os mistérios da fé, em vez de os iluminar; não abre o que está fechado e selado, mas desenraíza-o, e considera nada o que não considera percorrível para si, e rejeita acreditar nisso" (Epistola CLXXXVIII, 1: PL 182, 1, 353).

Para Bernardo a teologia tem uma única finalidade: a de promover a experiência viva e íntima de Deus. A teologia é então uma ajuda para amar cada vez mais e melhor o Senhor, como recita o título do tratado sobre o Dever de amar a Deus (De diligendo Deo). Neste caminho, há diversos graus, que Bernardo descreve aprofundadamente, até ao ápice quando a alma do crente se inebria nos vértices do amor. A alma humana pode alcançar já na terra esta união mística com o Verbo divino, união que o Doctor Mellifluus descreve como "núpcias espirituais". O Verbo divino visita-a, elimina as últimas resistências, ilumina-a, inflama-a e transforma-a. Nesta união mística, ela goza de grande serenidade e doçura, e canta ao seu Esposo um hino de júbilo. Como recordei na catequese dedicada à vida e à doutrina de São Bernardo, a teologia para ele só pode alimentar-se da oração contemplativa, noutras palavras, da união afectiva do coração e da mente com Deus.

Abelardo, que entre outras coisas, foi quem introduziu a palavra "teologia" no sentido no qual hoje a compreendemos, coloca-se ao contrário numa perspectiva diversa. Nascido na Bretanha, França, este famoso mestre do século XII era dotado de uma inteligência vivíssima, e a sua vocação era o estudo. Ocupou-se primeiro de filosofia e depois aplicou os resultados alcançados nesta disciplina à teologia, da qual foi mestre na cidade mais culta da época, Paris, e sucessivamente nos mosteiros em que viveu. Era um orador brilhante: as suas lições eram seguidas por verdadeiras multidões de estudantes. Espírito religioso, mas personalidade inquieta, a sua existência foi rica de lances teatrais: contestou os seus mestres, teve um filho de uma mulher culta e inteligente, Heloísa. Polemizou com frequência com os seus colegas teólogos, sofreu também condenações eclesiásticas, embora tenha morrido em plena comunhão com a Igreja, a cuja autoridade se submeteu com espírito de fé. Precisamente São Bernardo contribuiu para a condenação de algumas doutrinas de Abelardo no sínodo provincial de Sens de 1140, e solicitou também a intervenção do Papa Inocêncio II. O abade de Claraval contestava, como recordamos, o método demasiado intelectualista de Abelardo que, na sua opinião, reduzia a fé a uma simples opinião separada da verdade revelada. O receio de Bernardo não era infundado e, aliás, era partilhado também por outros grandes pensadores da época. Efectivamente, um uso excessivo da filosofia tornou perigosamente frágil a doutrina trinitária de Abelardo, e deste modo a sua ideia de Deus. No âmbito moral o seu ensinamento não estava privado de ambiguidades: ele insistia em considerar a intenção do sujeito como a única fonte para descrever a bondade ou a malícia dos actos morais, descuidando deste modo o significado objectivo e o valor moral da acções: um subjectivismo perigoso. Este é – como sabemos – um aspecto muito actual para a nossa época, na qual a cultura está com frequência marcada por uma crescente tendência ao relativismo ético: só o eu decide o que é bom para mim, neste momento. Contudo, não devemos esquecer também os grandes méritos de Abelardo, que teve muitos discípulos e contribuiu decididamente para o desenvolvimento da teologia escolástica, destinada a expressar-se de modo mais maduro e fecundo no século seguinte. Nem devem ser subestimadas algumas das suas intuições, como por exemplo, quando afirma que nas tradições religiosas não cristãs já existe uma preparação para o acolhimento de Cristo, Verbo Divino.

Que podemos nós hoje aprender do confronto, dos tons muitas vezes animados, entre Bernardo e Abelardo e, por fim, entre a teologia monástica e a escolástica? Antes de tudo penso que ele mostre a utilidade e a necessidade de um sadio debate teológico na Igreja, sobretudo quando as questões debatidas não foram definidas pelo Magistério, o qual permanece, contudo, um ponto de referência iniludível. São Bernardo, mas também o próprio Abelardo, reconheceram sempre sem hesitações a sua autoridade. Além disso, as condenações que este último sofreu recordam-nos que no campo teológico deve haver um equilíbrio entre os que podemos chamar os princípios arquitectónicos que nos foram dados pela Revelação e que por isso conservam a importância prioritária, e os interpretativos sugeridos pela filosofia, ou seja, pela razão, e que desempenham uma função importante mas só instrumental. Quando falta este equilíbrio entre a arquitectura e os instrumentos de interpretação, a reflexão teológica corre o risco de ser viciada por erros, e então compete ao Magistério o exercício daquele serviço necessário à verdade que lhe é próprio. Além disso, é preciso ressaltar que, entre as motivações que levaram Bernardo e "declarar-se" contra Abelardo e a solicitar a intervenção do Magistério, estava também a preocupação de salvaguardar os crentes simples e humildes, os quais devem ser defendidos quando correm o risco de serem confundidos ou desviados por opiniões demasiado pessoais e por argumentações teológicas sem escrúpulos, que poderiam pôr em perigo a sua fé.

Por fim, gostaria de recordar que o confronto teológico entre Bernardo e Abelardo se concluiu com uma plena reconciliação entre os dois, graças à mediação de um amigo comum, o abade de Cluny, Pedro o Venerável, sobre o qual já falei numa das catequeses precedentes. Abelardo mostrou humildade em reconhecer os seus erros, Bernardo foi muito benevolente. Em ambos prevaleceu o que deve ser verdadeiramente uma preocupação quando surge uma controvérsia teológica, isto é, salvaguardar a fé da Igreja e fazer triunfar a verdade na caridade. Que esta seja também hoje a atitude com a qual nos confrontamos na Igreja, tendo sempre como meta a busca da verdade.

sábado, 9 de novembro de 2013

Blood Money - o aborto legalizado

Não diga “aborto”, diga a verdade: assassinato!

Não diga "direito da mulher", diga a verdade: supressão do direito do nascituro à vida!

“Aborto” é um eufemismo que visa mascarar a gravidade do ato que se decidiu praticar... “Decidiu”?! O aborto não é uma decisão, é coação, é manipulação de pessoas que se encontram já contra a parede. 

Um dos pontos mais fortes para mim no documentário abaixo (que, espero, você assista e divulgue) é um fato simples para o qual eu nunca havia me conscientizado: se o aborto for legalizado, você terá uma industria ganhando dinheiro em cima do assassinato de bebês! 

Essas indústrias (como ocorre com a indústria do cigarro, da bebida alcoólica e da pornografia), irão fazer sua “propaganda”, mas elas não irão fazer “propaganda do aborto”, porque isto poderia ser escandalosamente chocante. Há uma estratégia de marketing e publicidade em torno do tema para que a indústria possa conquistar a confiança dos jovens e adolescentes pela via da "educação sexual" nas escolas e, maquiavelicamente, a indústria receba desses jovens o direito de lhes propor o “aborto” de forma escondida dos seus pais e, até mesmo, do Governo (para que a indústria possa burlar o imposto de renda). 

O “aborto” é um instrumento para “limpeza étnica” - o documentário vai mostrar isso.

O “aborto” não é uma escolha da mulher, porque não lhe é apresentada outra opção além do aborto.

O “aborto” traz consequências físicas, psicológicas e espirituais que podem se estender por toda a vida da mulher - adolescentes que praticam o aborto tem seis vezes mais chance de cometerem suicídio no prazo de um ano após terem interrompido a gestação.

O “aborto legal" não garante uma condição melhor para a mulher do que se ela o fizesse numa clínica clandestina, porque, mesmo na legalidade, muitos abortos continuam sendo feitos às escondidas e, por isto mesmo, em caso de problemas cirúrgicos, não podem ser satisfatoriamente remediados. 

O “aborto legal" é uma indústria que, como qualquer outra, venderá seu “produto”.

Assista ao vídeo, divulgue-o, discuta, abra debates. Ano que vem, haverá candidatos que irão fazer de tudo para conquistar seu voto, mas eles não dirão a verdade sobre o tema do “aborto”. Não vote em assassinos!

Assista ao vídeo até o final, porque a nossa ignorância é a melhor arma que eles têm para continuar avançando com o programa de assassinatos de crianças.

O “aborto” é assassinato, enquanto o Governo e a sociedade, eu e você, deveríamos estar lutando pelo DIREITO À VIDA!

Não vote em pessoas que defendem o assassinato de crianças... Você quer que eu cite o nomes dessas pessoas? O PT, o PSOL e quaisquer partidos de matiz de esquerda lutam pelo direito da mãe assassinar seus filhos.

A presidente Dilma apoia o aborto!

A cristã Marina Silva, covardemente, quer que o povo “decida” em plebiscito sobre a questão da legalização do “aborto”. Quer dizer que ela quer ser eleita por milhares de cristãos para, no fim, devolver à sociedade que a elegeu a decisão sobre um tema que ela sabe muito bem qual deve ser a posição dela? Covarde. Eu não tenho outro nome para Marina Silva: COVARDE. Assim como são covardes todos os ditos “cristãos” que se posicionam de maneira dúbia diante de um tema tão evidentemente evangélico!  

Assista, enquanto o youtube não censura (ou assista aqui)! 



(O vídeo começa em 1minuto e 20 segundos)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Professor José Monir Nasser (anotações de aula por Andrea Jaques)


- O ser humano é herdeiro dos seus antepassados. 

- As grandes obras de arte são imperecíveis, permanentes, perenes... Todo mundo tem o direito às grandes obras, a ler Aristóteles, a ouvir Bach... etc

- Educação: só faz sentido se ensinar os melhores modelos. 

- Mitologia: não são narrativas para serem analisadas psicologicamente ou estruturalmente. A mitologia é um conjunto de chaves para se compreender a vida. Estudar mitologia é entender a ordem do mundo.

- É o mito que interpreta a gente, não é a gente que deve interpretá-lo. 

- É obrigatório dominar o velho para criar o novo. Qual o sentido de você contrapor o que você não sabe?

- Imaginário: tudo na vida começa com um conteúdo mítico - com histórias. Só isso é que permite a comunicação humana, que é imaginário compartilhado. 

- Amar seres humanos genericamente é só discurso. Quem ama toda a humanidade não ama ninguém.

- O homem faz coisas para o bem, julgando que são as melhores, mas tem a potência inata para o mal - que precisa ser coibida com alguma restrição (limite) à liberdade humana.

- O menor erro cometido no início repercute em tudo o que se segue. É isso que Aristóteles quer dizer com "O mal está na origem". 

- Vida: com relação ao mundo você precisa da associação de Espanto + Acolhimento. Essa é a única vida possível.

- A perda da capacidade de espanto, é o primeiro indício da perda da inteligência.

- Se você destruir o mistério da vida não será capaz de compreender e de se espantar. Seja capaz de acreditar na idéia de que tudo flutua num mar de mistérios. 

- O mundo é um mistério. Deus nos agasalha para vivermos neste mundo de modo confortável.

- O Cristianismo não tira o mistério do mundo e, ao mesmo tempo, te dá uma sensação de segurança.

- Cristianismo: é uma técnica que permite que seres paradoxais lidem com um mundo paradoxal.

- Nós modernos expulsamos os grandes mistérios das nossas vidas.

- A vida humana é uma tensão entre desejos e possibilidades. Você só se torna adulto quando percebe que há uma parte do mundo que resiste à você.

- Viver a tensão e aceitar os mistérios é abrir possibilidades múltiplas, é colocar a cabeça no mundo. A certeza, por meio da ciência e da racionalidade, tenta enfiar o mundo na cabeça.

- A pessoa normal põe a cabeça no mundo. O maluco põe o mundo na cabeça. A pessoa normal entende algumas coisas e reconhece que não entende outras (são mistérios). O maluco tem explicação para tudo, a partir de seus paradigmas (ex: marxista, freudiano, kantiano etc). Escolher uma teoria humana moderna para não conviver com os mistérios, é tentar reduzir o mundo a si próprio.

- Ciência: é o processo de obter certezas. Mas o conhecimento científico não é certo, é sempre questionado, derrubado e substituído por outro. As afirmações científicas são sempre afirmações em torno do devir.

- Há muito mais garantia de permanência no conhecimento gerado por um mito do que a afirmação de um homem que ganhou nobel em ciência.

- O cientista tem possibilidade de verdade, mas só o conhecimento metafísico produz afirmação da qual não se pode "escapar". Apenas as afirmações metafísicas são indiscutíveis.

- O máximo da sapiência humana é entender as causas primeiras (o porque todas as coisas existem). É o máximo que a alma intelectiva humana pode chegar. É da investigação das primeiras causas que nasce a possibilidade de saber todo o resto.

- A sabedoria está em quem sabe a causa, porque este é capaz de ensinar.

- Cultura: quando sua consciência é aumentada pela experiência externa da humanidade.

* Professor José Monir Nasser (1957 - 2013) - anotações de aula de Andrea Jaques (ad tempora).

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Você sabe o que está acontecendo no interior do Brasil? - Conflitos de terra promovidos pelo Governo Federal


O número de conflitos de terras promovidos pelo Governo Federal tem crescido de modo alarmante no interior do Brasil. Exatamente naqueles municípios mais pobres e mais isolados ocorre o total descaso da mídia e absurda negligência das forças (in)competentes - o interior do Brasil está virando uma terra sem lei!

Hoje, dia 04 de novembro, no canal rural, pude assistir a um líder indígena indignado porque ele também vê que a culpa é do Governo Federal, que, em muitos casos, foi irresponsável repassando a fazendeiros o direito à terra que era indígena, embora, em muitos outros casos, não haja mesmo nenhuma legitimidade de terra ao povo indígena que a reclama para si. 

Nas palavras desse líder indígena, nestes casos de patente irresponsabilidade do Governo, este deve arcar e restituir os danos financeiros e morais dos fazendeiros!

Enfim, cada caso é cada caso e em todos o que vemos é um Governo irresponsável, fomentando conflitos de terra e conflitos raciais. 

VOCÊ SABE O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO INTERIOR DO BRASIL?

Índios invadem fazendas em Iguatemi (MS)



Mais uma invasão de fazenda revolta agricultora mineira



Veja mais:

Equipe do Canal Rural visita áreas de conflito na região de Japorã (MS)

Produtores rurais estão mobilizados desde a última semana para fazer um alerta sobre a situação das propriedades invadidas


Relembre:

sábado, 2 de novembro de 2013

Jesus segundo Dionísio, o místico (também conhecido como Pseudo-Dionísio, o areopagita)

Dentro de sua total unidade contém de modo eminente e por antecipação o todo e as partes. Tal perfeição está nos imperfeitos como fonte de perfeição. Está também nos perfeitos, porém, como transcendente e anterior à sua perfeição neles. É forma informante de tudo quanto carece de forma, pois é seu princípio formal. É também a forma transcendente no que já está formado. É ser que está sobre todo ser, sem que nada o alcance. Superessência de toda essência. O limite de tudo, princípio e causa, porém está acima de todo o princípio e ordem. É a medida de todas as coisas. É eternidade que transcende e é anterior à eternidade. É abundância onde há escassez, e superabundância onde não falta nada. Indescritível, inefável, transcende toda inteligência, toda vida, todo ser. Maravilhosamente possui toda maravilha e transcende todo o transcendente. (...).

Por amor desceu ao nosso nível e se fez uma criatura. Aquele que é superessencial à ideia de Deus se fez homem (louvemos com plena reverência esta verdade, que não conseguimos nem expressar nem pensar). Nesta condição humana permanece sendo o que é: admirável e superessencial. Fez-se igual a nós, sem deixar de ser nada do que era. Sua plena grandeza nada diminui pela inefável humilhação de si mesmo. E isto é o mais admirável: sendo homem como nós, foi sempre maravilhoso e superessência de nossa essência. Tudo o que é nosso estava nele de modo eminente, e nele nós superamos a nós mesmos.  

Leia também:

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