quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A lenda de Damião e Pítias (série "História da Filosofia" - II)


                Os antigos pitagóricos nos legaram uma linda lenda sobre a amizade. Contava-se que havia um rei em Siracusa, um tirano de leis opressoras contra quem Pítias fazia discursos públicos de oposição. Para Pítias, rei algum poderia ter um poder ilimitado. Em certo momento, o rei mandou que Pítias viesse ter com ele e o mandou calar seus discursos, contudo, Pítias recusou-se e, em um acesso de raiva, o rei o condenou à morte.

                Pítias pede que o rei permitisse que ele fosse para casa despedir-se da esposa e dos filhos e que deixasse  os negócios em ordem para eles. Dionísio, o rei, não concede isso a Pítias, pois imaginava que ele se aproveitaria para fugir da pena de morte. Neste momento, surge Damião, amigo de infância de Pítias, que se oferece ao rei como garantia até a volta de seu amigo. O rei, então, avisa aos dois que, se Pítias não retornasse até o dia marcado da execução da sentença de morte, Damião seria morto em seu lugar.

                Damião é lançado à prisão e Pítias segue para casa. Vez em quando, o rei ia à presença de Damião na prisão para lembra-lo que os dias estavam passando e que, se o amigo não retornasse, ele morreria. Damião sempre respondia ao rei que confiava em Pítias. O rei respondia que ele havia sido um tolo em ter se oferecido como garantia, pois seu amigo não retornaria.

                Os dias foram passando e, cada vez mais, aproximava-se a data da execução. O rei fazia questão de atormentar Damião e este, inabalável, justificava o atraso do amigo dizendo que deveria ter acontecido algum problema, algum imprevisto, uma tempestade talvez. O fato é que, finalmente, o dia da execução chega sem que Pítias aparecesse. O rei manda chamar Damião para a execução pública, dizendo a ele: Viu? Seu amigo o esqueceu, abandonou-o... Como você foi um tolo!

                Na hora exata da execução, as portas do palácio abrem-se abruptamente e entra sujo e machucado o jovem Pítias, dizendo: Houve uma tempestade, meu barco naufragou, além disso, ladrões assaltaram-me e eu vim o mais rápido possível. Soltem Damião!

                O rei, impressionado pelo que via a sua frente, aquela amizade leal e verdadeira entre os dois, resolveu presenteá-los com a absolvição da pena. Nunca vi nada igual, disse o rei, diante de tamanha demonstração de lealdade, é justo que eu dê a vocês a liberdade. Mas eu peço aos dois uma coisa: fiquem comigo aqui no meu reino e ensinem-me o que é a amizade.

                Damião e Pítias permaneceram como conselheiros do rei de Siracusa. Esta lenda é contada por Cícero, que acrescenta que Damião e Pítias eram seguidores de Pitágoras.  
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Assim nasce a Filosofia (série "História da filosofia" - I)

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