terça-feira, 4 de outubro de 2016

A peleja do cidadão do céu contra aquele que pensa ser o dono do mundo

O individualismo é, assim, uma atitude de humildade diante desse processo social e de tolerância para com as opiniões alheias, sendo a negação perfeita da arrogância intelectual implícita na ideia de que o processo social deva ser submetido a um amplo dirigismo.
Hayek, O Caminho da servidão, p. 183.
Desde crianças, catalogamos o mundo a nossa volta, agrupando tanto coisas como seres humanos. Vamos separando em colunas diferentes os que são da família e os que não são. A partir daí, a catalogação parece infinda: professores, alunos; bonitos, feios; amigos, inimigos, etc.
Evidentemente, a vida não é essa bipartição simplista e logo dilatamos essas duas colunas de nossa lista. Cresceríamos caso conseguíssemos estabelecer, ainda que basicamente, a identidade individual e me abrisse para que o outro também tenha essa liberdade, desde que ele não cause dano de espécie alguma a ninguém.
O adolescente é lançado, porém, a uma imitação de algum grupo ao qual ele quer pertencer: rebeldes, cdf’s, a “turma do fundão” e há até o grupo cujo estilo é ser sem estilo ou “ser você mesmo”, igualzinho a todos os outros adolescentes desse engraçado grupo.
Parece que o poder da coletividade é uma lei que encontra suas mais criativas formas de se impor, até mesmo quando nos faz crer que o que estamos vivendo seria o exercício da nossa mais autêntica individualidade.
Enquanto não há a vitória do indivíduo contra o grupo que o cerceia não pode haver pessoalidade. A fase adulta é a tomada de consciência de que os grupos nada mais são do que indivíduos em interação e são exatamente tais indivíduos que precisam ser julgados pela História e não seus partidos, clubes, ou o sistema, porque, do contrário, estamos sempre escondendo os verdadeiros agentes da cultura.
Não existe pessoa sem que se tenha trilhado o caminho da emancipação individual contra o grupo que insiste em ditar o papel que devemos atuar para sermos aceitos no teatro deles. Faz parte do pensamento coletivo das minorias convencer a cada um de nós que a meta máxima da nossa vida é “querer frequentar”.
A culpa parece ser dessa nossa obsessão com uma espécie estranha de taxionomia que resiste para além da infância. Essa estranha taxionomia é a régua usada para medirmos ao outro e a nós mesmos.
O outro, que está preso nestas mesmas armadilhas sociais, também pensa seu semelhante dentro de alguma(s) categoria(s), sempre anexando-nos a algum rótulo ou descrição geral de um manual de fábrica.
Mas, para o bem da verdade, confesso que a maioria de nós gosta mesmo é de se identificar, gosta de se diluir no pensamento geral e abrir mão de errar seus próprios erros. Muitos preferem errar juntamente com o clube a se arriscar e acertar sozinho, indo contra a opinião da arquibancada. É a tal da porta larga. É essa a correnteza do rio.
A única saída para essa síndrome de “querer frequentar” é a luta contra o que nos é mais natural desde a infância, porque a própria sociedade coletivista se vale e se alimenta dessa categorização.
À parte do significado teológico, foi uma batalha assim que Jesus também empreendeu, porque, num mundo de partidos e tantos grupos que tentavam empacotá-lO em suas caixinhas limitadoras, soube Jesus jamais dobrar sua vontade diante dos homens ocos do seu tempo (apenas diante de Deus Pai), dizendo, irrevogavelmente: Eu Sou!
Seguir exemplos como o de Pedro e de João, que ousaram dizer, diante do poder institucional, que deveriam obedecer antes a Deus do que aos homens (Atos 4), é o caminho que os cristãos deveriam estar dispostos a trilhar.
Os tempos que virão serão difíceis, mas é na perseverança dessa batalha espiritual que reside a nossa liberdade. É uma guerra – é a peleja do cidadão do céu contra aquele que pensa ser o dono do mundo!

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