sábado, 1 de outubro de 2016

A quebra do feitiço

Quando eles vieram com aquela criancinha nos braços, morta, imóvel, caída nas águas de um rio impiedoso, veio também o choro da aldeia. A criança desobedecera ao pai e, então, o espírito da onça a punira com a morte, arrastando-a ao afogamento.
Naquela cultura, qualquer morte é ocasionada por algum elemento externo, mesmo que fosse acidental ou involuntária. Fosse doença, fosse afogamento, fosse velhice, não importa, os óbitos são sempre declarados como consequência de feitiços ou da ira de algum espírito vingador.
 Essa maneira de enxergar o mundo os leva ou a aplacar a ira dos espíritos que ocasionaram a morte ou a buscar a morte do feiticeiro que foi o responsável pela tragédia, ambas as situações farão com que eles mergulhem num demorado processo de luto, que poderá durar muitos e muitos meses.
Minha mente urbana, industrial e semimaterialista, acostumada a explicar a morte sob as bases da nossa ciência moderna, habituada aos remédios, às vacinas e máquinas que hoje conseguem prorrogar e enganar a morte, na verdade, esquece que também crê que a morte não é natural, mesmo aquelas que tomamos por acidentais.
Até mesmo na linguagem médico-forense, a expressão “morte natural” é uma conformação cultural, pois, assim se entende, toda morte é patológica, ainda que não se consiga identificar sua causa.
A nossa mente cauterizada ou embotada pela banalidade da morte diária em nossas casas pela TV, habituou-se à ideia de “morte natural”.  Talvez como uma válvula de escape à pressão diária de tantas mortes violentas e dolorosas que nos cercam nesse Brasil com mais de 64 mil homicídios por ano.
A esperança para todos os povos da terra é que na Cruz de Cristo todo feitiço contra a Igreja foi derrubado e toda maldição quebrada. E a morte, naquele domingo, foi derrotada por Jesus, que foi ressuscitado pelo poder do Espírito Santo em sua própria carne glorificada.
 Jesus foi o primeiro de muitos que, um dia, também voltaremos da morte dessa carne corruptível para a grande glorificação dessa mesma carne ressuscitada incorruptível e, a uma só voz, os salvos declararão: Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? (I Cor. 15:55).

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