sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A saída da crise da Educação – uma chamada à responsabilidade da Igreja

O governo também tem o claro dever de ajudar a cuidar dos doentes e dos velhos e de providenciar uma rede de proteção para todos aqueles que, sem culpa alguma, caem no desemprego, na pobreza e na privação – Margaret Thatcher.

Mesmo uma libertária como Gloria Álvarez sabe que seria uma irresponsabilidade romper de uma vez com o Estado inchado pela mentalidade totalitária e esquerdista das últimas décadas. Assim, uma das propostas imediatas dela é a da adoção dos vouchers escolares.

Voucher é um crédito financeiro dado pelo Governo para que os pais escolham a escola particular em que vão colocar seus filhos. Num primeiro momento, essa ideia é atraente por colocar na mão dos pais a escolha da escola que querem a seus filhos, mas, na realidade, a presença de um Estado que controla o valor financeiro das mensalidades e o currículo das escolas é o problema que permanece e tende a se aprofundar num sistema de vouchers.

Outra proposta é o sistema de parceria entre o público e o privado chamado charter. É um sistema em que as escolas são administradas por um colegiado que inclui a participação dos pais e iniciativa privada – recebem verbas públicas e funcionam gratuitamente. Este modelo possui um alto grau de exigência de notas e comportamento dos alunos, enquanto daria em troca uma escola de qualidade com uma estrutura física diferenciada.

O problema com as escolas charter é ainda o mesmo que ocorre com a simples adoção dos vouchers: um Estado que gerencia o currículo e o livro didático continua inabalável. Há uma experiência sueca chamada de “escola autônoma” (ou “Escolas Livres”), que também recebe verba governamental, mas que não possui a presença dos pais na sua administração e não é obrigada a seguir o currículo estatal.

Indubitavelmente, a qualidade da Escola Pública deveria passar pela nada populista ação de se acabar com a estabilidade do funcionalismo público na área de educação, que tem servido de guarita a aventureiros, incompetentes e docentes que se acomodam num sistema que, além de não exigir do aluno, também não exige e nem cria uma política real de incentivo para a formação acadêmica do professor (aqui).

Todavia, essas saídas – vouchers, charter e fim da estabilidade do funcionalismo público na área de educação – são paliativas e mascaram o real problema que tratamos por toda esta série de artigos: a ingerência estatal.

Não há como falar de liberdade com a presença de um Estado que controla o currículo e o livro didático do Oiapoque ao Chuí. O ENEM é um escândalo de onipresença estatal! Num país de dimensão geográfica continental e de diversidade cultural como o nosso, a formatação educacional é um atentado, um verdadeiro estupro contra as diferenças do nosso povo.

O mais surpreendente é termos uma Igreja Evangélica totalmente submissa até mesmo à ingerência estatal no currículo e na administração de seus seminários, correndo que estão agora para “validarem” seus diplomas.

A própria palavra “validar” é um desrespeito com a liberdade do Evangelho, que deveria permanecer independente de quaisquer correntes ideológicas, partidos políticos e decisões do MEC. A validação do profissional do ensino deve ser o Mercado e não o Estado, assim como a verificação das qualidades de uma liderança pastoral, sejam estas acadêmicas ou não, compete à Igreja e não ao MEC!

Há uma cilada na validação de diplomas de seminários cristãos. Muitas das instituições “aprovadas pelo MEC” e que hoje validam os diplomas de graduação e pós-graduação de nossos pastores e obreiros são instituições religiosas totalmente comprometidas com a TMI (Teologia da Missão Integral) e que estão encontrando uma maravilhosa oportunidade para doutrinar nossas lideranças sob a base do seu evangelho marxista (é o caso da Faculdade Teológica Sul Americana).

Ora, por isso que, mesmo em escolas religiosas, não encontramos mais o espírito cristão: como contar com um quadro docente que foi formatado nas últimas décadas em teorias e filosofias contrárias ao Evangelho?!

Enfim, não sou adepto a nenhuma mudança revolucionária no âmbito da gestão escolar (nem eu e nem a libertária Gloria Álvarez). É preciso que haja um fundo de emergência, governamental, porém não populista para o socorro de pessoas que, de alguma forma, estão ou foram alijadas para a periferia da dignidade humana (e parece que nisso concordamos Gloria Ávarez, Margaret Tatcher e eu).

Por outro lado, é importantíssimo o apoio ao homeschooling. É preciso garantir, defender, lutar por essa liberdade dos pais em dar a educação que entenderem melhor aos seus filhos. O homeschooling não é também uma solução mágica. Não estamos aqui tratando de “soluções”, mas de liberdade!

É preciso, sim, diminuir a ingerência estatal na Educação. Todavia, não é essa ação que mudará um dos pontos tratados nesta série: a cosmovisão barroca, confusa e sacerdotal, que é um dos elementos da nossa cultura brasileira.
Se queremos maior liberdade, é preciso que a Igreja Evangélica mude. É preciso que a Igreja Evangélica passe por uma reforma e exorcize de si não apenas sua alma barroca, mas, essa necessidade de líderes personalistas e de estruturas eclesiásticas dominadoras e corporativistas, que são, tão somente, projetos de expansão denominacional.

Infelizmente, desde meados do século passado, a Igreja Evangélica abriu mão em todo o Ocidente da sua responsabilidade com a educação e a transferiu ao Estado em troca de comodidade, poder e proteção. Não basta o fim do MEC. É preciso mais, muito mais.

É preciso uma igreja que assuma a proclamação do Evangelho como sua prioridade e razão de existir. Só o Evangelho será capaz de mudar e transformar a cosmovisão que impera e depõe contra a própria igreja cristã. É inacreditável que, até meados do século XX, a educação fosse responsabilidade da Igreja, da família e da pequena comunidade em quase todo o mundo Ocidental e que hoje estejamos tão escandalosamente dependentes do Estado.

E por que não terminar esta série de artigos sobre Escola e Educação com a famosa frase do Padre Antonio Vieira, mas aplicando-a a cada um de nós: “Antigamente batizavam-se os convertidos. Hoje é preciso converter os batizados”.


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