quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Dois filmes e uma revolução – A crise da Escola Ocidental (II)

A maioria das pessoas acredita que o problema da Escola é um problema econômico. Numa sociedade materialista, essa abordagem marxista, sociológica, é sempre a resposta mais simples, mais imediata, porém é também a mais equivocada.
Não somos seres econômicos. Antes de tudo, somos seres religiosos. Assim, o que fazemos, o que escrevemos, os prédios que construímos, as florestas que derrubamos são resultado daquilo que cremos. E a Escola é, na verdade, resultado imediato de nossas crenças. Abordei isso aqui e aqui.
O Estado não tem alma, sua Escola também não. Não é meramente uma discussão sobre laicismo, pois, se professores, pais e alunos possuíssem os valores sobre os quais, um dia, a sociedade ocidental foi construída, mesmo diante de uma escola laica e hipocritamente asséptica (como a nossa se propõe a ser), ainda assim haveria uma alma.
O filme Detachment, que pode ser traduzido por “destacado” ou “aquilo que não se encaixa”, “fora do lugar”, “desapegado”, no Brasil recebeu o título de “O substituto”, tem sua tese ilustrada nesta frase, apresentada logo no início do filme, do filósofo Albert Camus: “E eu nunca me senti tão imerso e ao mesmo tempo tão desapegado de mim e tão presente no mundo”.
“O substituto” é um filme que mostra que essa Escola que está sendo impingida a todos nós é resultado da crise de nossa própria sociedade. As pessoas estão cansadas e sobrecarregadas e se encontram indo de um lado para o outro como ovelhas sem pastor. Esta é a verdade. Mas, indubitavelmente, não é o Estado quem tem a resposta para a derrocada espiritual em que o mundo ocidental se encontra.
O mundo Ocidental está naufragando nos problemas que ele mesmo criou, mas, alienadas de si mesmas, as pessoas estão muito distantes do Pastor e totalmente desapegadas umas das outras: “Estamos fracassando. Fracassamos. Fracasso no sentido de que deixamos todo mundo na mão, incluindo nós mesmos”, desabafa um dos personagens do filme “O substituto”.
A nossa Escola nada mais é do que um defunto, um corpo, que, por estar vazio, por ter sido abandonado, foi possuído por um Estado que não tem alma.
Filmes.
Filmes.
Outro filme sobre a crise da educação ocidental é “Entre os muros da escola”, que vai explorar a situação recente de uma França que, de maneira irresponsável, se abriu ao multiculturalismo.
O filme expõe muito bem, principalmente para quem tem uma visão romântica do que seja a relação com o imigrante num mundo politicamente correto, o perigo dessa usina atômica que se tornou a sala de aula e a Escola.
Só para exemplificar com uma cena do filme, ao tentar estabelecer a ordem numa sala de jovens imigrantes e negros, o professor tem que, veja só o absurdo, se justificar como quem está pisando sobre ovos, como quem dá aula pedindo desculpas: “Só quero lembrar a todos que isso não é sinal de submissão e nem de humilhação, mas educação”. Estamos perdidos!
Outra cena: o professor está tentando ensinar aos alunos a conjugação do verbo “crer” e, depois de todo esforço em vão, ficamos com a indagação em mente: como “crer” na educação escolar se os alunos não sabem sequer conjugar o verbo “crer”?
Entretanto, o nascedouro de toda essa mentalidade surgiu na própria França, na chamada Revolução Francesa e nos ideais utópicos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, infligidos ao peso da guilhotina de uma política revolucionária.
Assim, filmes como “O substituto” e “Entre os muros da escola” (ambos estão disponíveis no youtube) são demonstrações do resultado da crise da Educação ocidental, que tem se agravado nas últimas décadas. Uma “educação” imposta pelo Estado e que tem na Escola a sua mais eficiente máquina para nos modelar nos desvalores revolucionários de uma sociedade sem alma. E sem Cristo.

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