quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Dois livros e uma indagação – A crise da Educação Ocidental (III)

Neste penúltimo artigo desta série sobre Escola e Educação, é preciso trazer mais alguns subsídios para que você possa se conscientizar de que estamos diante do grande palco do mundo.

Estamos assistindo a uma peça que se encaminha para o clímax dos últimos eventos e a Escola é o agente da promoção de tudo isso que está sendo preparado bem diante de nós: a desconstrução da cultura judaico-cristã, o fim da cristandade, o advento do homem da iniquidade.

Um livro que nos dá a dimensão da mudança ocorrida nas últimas décadas na sociedade e na Escola é o “Reflexões Autobiográficas” de Eric Voegelin, publicado pela É Realizações.  O livro é uma “história da formação intelectual de Voegelin” contada por ele mesmo. O segundo capítulo fala sobre a imensa formação dele no ensino secundário e não há como ler aquelas páginas sem ficar com uma estranha sensação de assalto.
dois
Sim, assalto. Aquela certeza de que os discursos enjoados da Nova Pedagogia, dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dos Temas Transversais, das Dinâmicas Educacionais, enfim, todo esse ensino que visa o aluno como ator principal no palco da escola, esse “ensino por meio de projetos”, essa educação que supervaloriza o que o aluno traz de casa e da rua, na verdade, todos esses discursos enjoados encobrem o fato de estarmos sendo enganados, roubados, lesados nas oportunidades intelectuais que deveriam oferecer aos nossos jovens, mas não estão oferecendo.

Durante sua escola secundária, Eric Voegelin diz que frequentou um Real-Gymnasium e ali teve oito anos de latim, seis de inglês e, como matéria opcional, dois anos de italiano. Não fosse isso suficiente, os pais de Voegelin ensinaram francês em casa para ele! Realmente, estamos diante de um outro mundo. Mas, veja, Voegelin não nasceu durante a Idade Média e nem tão pouco viveu o Iluminismo do Século XVIII. Estamos falando de uma realidade de apenas um século atrás e que, como se percebe, foi rapidamente corroída pelo advento da Nova Escola no mundo Ocidental.

Aliás, sinceramente, não sei se tivemos no Brasil alguma escola na qual “um dos pontos altos” do ensino secundário tivesse sido o estudo de Hamlet, durante todo um semestre, interpretado segundo a psicologia da Geltung de Alfred Adler! Nem sei se tivemos professores que, durante a oitava série de alguma escola brasileira, ensinaram tão bem matemática e física que, ao final do ginásio, “éramos capazes de nos interessar pela Teoria da Relatividade, que se tornara célebre havia pouco tempo”, segundo o testemunho de Eric Voegelin.

Por fim, ainda há um último livro sobre o papel da Escola nas mãos do Estado numa sociedade cristã que se permitiu alienar-se da esfera pública, entregando-se à bancarrota intelectual da sua própria formação humana: “Maquiavel Pedagogo” de Pascal Bernardin, originalmente de 1995.

O livro foi publicado em 2013 pelas editoras Ecclesia e Vide Editorial trazendo o revelador subtítulo de “O Ministério da Reforma Psicológica”. Essa obra mostra que a “crise” da escola ocidental é uma imensa orquestração que visa uma revolução “ético, cultural, social, comportamental, e até mesmo político e espiritual” com o fim de plantar uma nova sociedade.

Para que essa mudança ocorra é preciso que a Escola seja usada para a modificação de valores e comportamento das pessoas, aumentando a interferência do Estado sobre a vida dos alunos e diminuindo a autoridade das famílias sobre eles. Nada diferente do que têm sido feito no Brasil nas últimas décadas.

Mas como isso ocorre? Com tudo muito bem documentado (para que nenhum cético venha alegar “teoria da conspiração”), Bernardin mostra a participação de organizações globalistas como a UNESCO na condução de uma agenda mundial. Ele mostra como que a Escola foi um lugar de aplicação de métodos de lavagem e manipulação cerebrais descobertos e comprovados pela ciência para alcançar a mudança de pensamento e comportamento das pessoas.

Bernardin revela as técnicas desenvolvidas e que estão sendo usadas nos currículos de nossa Escola para atingir essa reengenharia social. Um livro que nenhum cristão deve se furtar a ler, caso queira alertar a Igreja sobre o que subjaz aos ideários de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” da Nova Escola, do Construtivismo radical e das Filosofias marxistas e revolucionárias que moldam nossos cursos de Pedagogia e Magistério.

Há saídas? Há alguma saída? No caso brasileiro, além do caos escolar da sociedade ocidental submetida à reengenharia social nos bancos de suas escolas, soma-se uma cultura que enxerga o professor como um sacerdote que deve purgar os pecados de todos nós e uma escola que é vista, pela maior parte da nossa população, como a única maneira legítima e possível de alguma ascensão social.

Será que, nesse quadro, haveria alguma alternativa diante de um Estado que usa do poder democrático para impor seu ideário anticristão a todos nós? Nosso último artigo pretende dar uma resposta a essa indagação.


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