terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Eduquês em discurso directo – A crise da Escola Ocidental (I)

Embora o Brasil, devido a sua influência jesuítica (aqui), manifeste esta característica tão peculiar do professor como o “novo sacerdote”, a crise da educação rompe as barreiras do nosso país.
Há, portanto, dois outros ingredientes externos que, somados a nossa “cosmovisão barroca”, ajudam a desenhar o quadro do caos educacional no qual nos encontramos: a mentalidade esquerdista e a mentalidade estatizante.
Nuno Crato é professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, e Doutor em Matemática Aplicada nos Estados Unidos. Seu livro já anuncia em seu título o desafio que nos aguarda: O ‘Eduquês’ em seu discurso directo – Uma crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista (editora Gradiva).
Em sua contra-capa, lemos a seguinte apresentação: “O Eduquês em Discurso Directo disseca com rigor e impiedade os lugares-comuns em educação, mostra o vazio dos conceitos que têm dominado a pseudopedagogia do laxismo e da irresponsabilidade e explica a ideologia frouxa que está por detrás da linguagem mole e palavrosa a que se tem chamado ‘eduquês’”.
Embora o livro faça uma avaliação das teorias e práticas pedagógicas em Portugal, é assombroso (e triste) vermos que o “eduquês” é idioma universal. Por isso mesmo, encontrei neste livro muito da minha própria história de submissão cega à pedagogia romântica e (ainda bem) de minha posterior reação consciente ao que vi como prática exagerada de certos luminares construtivistas e suas ideias revolucionárias.
A discussão de Nuno Crato irá focar a mentalidade construída e imposta pela pedagogia romântica, que tem deixado como legado um ser humano alienado dos melhores e mais tradicionais valores da Educação judaico-cristã e, ao mesmo tempo, preso cada vez mais ao mundinho imediatista do aqui e agora que sua vida fugaz oferece.
Todas estas ideias são expostas e discutidas por Nuno Crato em seu livro: a escola à mercê de “reformulações drásticas e reviravoltas pedagógicas revolucionárias”; uma máquina que não oferece condições reais e dignas para a formação científica do professor e nem se concentra “no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento, da disciplina e do esforço”; um modelo de ensino que se tem furtado ao dever de desenvolver nos estudantes de forma sistemática e progressiva o espírito de disciplina, trabalho, esforço, persistência e concentração; e, enfim, que a Escola não deve abster-se de “adotar expectativas exigentes para os estudantes e seus trabalhos”.
Ler o livro do professor Nuno Crato foi uma oportunidade ímpar de exorcizar de vez quaisquer resquícios que me foram embutidos ao longo dos meus 20 anos de professor.
O livro do Nuno Crato nos presenteia com um questionamento profundo sobre isso que tem sido imposto à Escola Ocidental como sendo “o mais moderno das últimas novidades pedagógicas”. Além disso, o que também salta aos nossos olhos ao lermos Nuno Crato é o problema político e filosófico por trás da Escola Pública. E, indubitavelmente, constata-se que esse problema é ressaltado mais ainda no Brasil, porque unimos à pedagogia ideológica uma política também ideológica em favor de transformar a Escola num palanque, laboratório e máquina de ideias progressistas.
Nos próximos artigos desta série, veremos que esse caos educacional do mundo Ocidental segue a uma agenda, cujo propósito é operar uma reengenharia social para uma nova era.
PS – Enquanto você lê este artigo, o Governo programa uma nova reorganização da rede escolar estadual, que ameaça fechar várias escolas no Brasil e superlotar outras. É o Estado fazendo mais um desserviço pela educação do seu filho. E o que a Igreja Evangélica Brasileira tem a ver com isso, não é mesmo?

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