sábado, 8 de outubro de 2016

“Tudo, menos ser professor”!

Qual não foi minha surpresa ao assistir à comédia romântica americana “Virando a página”, com Hugh Grant e Marisa Tomei, e ver que o enredo do filme tratava de um escritor de roteiro para filmes hollywoodianos, mas que há 10 anos não escrevia nenhum sucesso e, assim, não chamava mais nenhuma atenção dos produtores. Diante desse histórico de fracasso, qual a saída que o personagem principal encontra? Ser professor.
E essa visão sobre o professor estende-se por todo o Ocidente. Ou você pensava que era só no Brasil que encontramos pais que orientam seus filhos na hora da escolha da faculdade, dizendo: “Tudo, menos ser professor”?
Os movimentos de esquerda, desde o fim dos anos 50, têm sido vitoriosos na desconstrução da autoridade, seja na Escola, na Família e na Igreja. Não são casuais as caricaturas do professor Girafalis, do Fred Flinstones e do Tim Tones (isso para ficar em apenas alguns exemplos) invadindo nosso imaginário em nossa infância por meio do entretenimento.
Veja a citação a seguir:
“Diferentemente do ocidente, no oriente o budismo ensinou o caminho da salvação pela razão (iluminação). Na cultura desse povo, tudo ligado ao conhecimento e ao aprimoramento da alma, é respeitado e venerado: as escolas, os professores, os livros, os santuários, os templos, os monges, os artistas, as obras de arte. Na hierarquia social, o professor terá sempre ascendência sobre seus ex-alunos indiferentemente da posição social que ocupem no futuro, pois na gênese cultural do xintoísmo – religião primitiva do Japão – está a perfeição do lado divino do ser humano e cabe ao educador apenas saber extraí-lo – como a escultura Pietá de Michelangelo, cuja extrema perfeição, ao ser elogiada, ouviu-se do artista que a perfeição já estava lá. Ele retirara apenas os excessos. A gratidão a esse trabalho do professor é eterna. Os japoneses têm um nome para a tarefa educacional, quer seja do professor ou dos pais: “shin-sei kaihatsu” (shin = Deus, sei = natureza, kaihatsu = desenvolver, manifestar), fazer manifestar o lado divino e perfeito de cada um. A grande vergonha de um professor é o fracasso do aluno”.
O parágrafo acima é sobre o maravilhoso filme de Akira Kurosawa, “Madadayo”, essa citação revela para nós o poder da cosmovisão (saiba mais sobre o filme aqui fonte) , como que uma cosmovisão pode moldar e construir uma sociedade sobre bases firmes, saudáveis e reverentes. Indico que você assista a Madadayo para que, então, possamos enfrentar, de verdade, o problema em que se tornou a Escola no mundo Ocidental de cosmovisão cristã.
Cresci ouvindo que o Japão, após a Grande Segunda Guerra, investiu em Educação e o Brasil, infelizmente, em estradas. Evidente que esse tipo de análise é reducionista e preguiçosa. Como se a diferença entre o Japão e o Brasil fosse apenas uma questão de “erro de aposta”.
Nada distorce mais a realidade do que quando fazemos uma análise meramente econômica da sociedade (coisa que marxistas e socialistas adoram fazer). Há mais, há muito mais  por baixo do manto das aparências de uma cultura – e é a esse “muito mais” que chamamos de cosmovisão.
Como vimos na citação, o Xintoísmo e o Zen-Budismo fornecem mais elementos que findam por destruir o mito de uma simplista escolha japonesa pela educação. Uma escolha com consequências sociais, políticas, morais, econômicas indubitavelmente, todavia, antes de tudo, a cosmovisão animista foi a base de pressupostos que conseguiu gerar uma moral da educação (o que, sinceramente, não encontro no Brasil).
No caso do Brasil, ao contrário do mundo Oriental, a nossa cosmovisão tem gerado essa perversa visão do professor como sacerdote, e essa cosmovisão tem sido usada habilmente pelo Estado como justificativa para perpetuar o problema da Escola no Brasil.
Conclusão de tudo isso: temos gerado, para felicidade do Estado, uma profissão que, no imaginário nacional, tem servido para abrigar fracassados.
A pergunta que vou deixar para ser respondida no próximo artigo é: o que a cosmovisão teísta cristã conseguiu fazer no Brasil em prol do professor e da Escola?

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