terça-feira, 21 de março de 2017

Moisés, o líder no deserto (6º artigo de 9)

Há pessoas que são chamadas por Deus para serem líderes na prosperidade, porque a prosperidade traz o seu quinhão de desafios: acomodação, luxuria, preguiça, materialismo, frieza espiritual, indiferença, etc.
Há aqueles, contudo, chamados para serem líderes no deserto, enfrentando os desafios próprios que ele guarda, e este foi exatamente o chamado de Moisés.
Chamado por Deus para ser um líder em meio a uma miríade de diversidades, Moisés viveu no deserto de Deus bem longe da prosperidade do palácio de Faraó. Uma das cenas que mais ressalta o aspecto que eu e você devemos aprender deste líder se deu no trágico evento do bezerro de ouro (Êx 32).
Vamos contextualizar a história para que você possa se identificar melhor: imagine que você saia do conforto da sua casa; da segurança da sua cultura; passe anos aprendendo uma língua e cultura tão adversas; e seus filhos se vejam limitados a viver uma vida que eles não escolheram, por causa da liderança que você assumiu.
Mas não é só isso: várias pessoas do próprio povo não reconhecem o seu esforço e amor por eles e se levantam contra a sua liderança; atrapalham o trabalho de evangelização e plantio daquela igreja; não valorizam o seu investimento em oração e estudo da Palavra; até que, finalmente, aquele povo decreta que você deva morrer.
Sem aviso prévio, quantos missionários ou pastores já não viram, de uma hora para outra, seu sustento financeiro cortado sem que a igreja sequer se incomodasse com o que seria da sua família?
Simplesmente, decidem que você não serve mais, porque a “visão” da Igreja mudou ou as “prioridades” agora são outras. São igrejas que passam a se comportar como os povos pagãos, louvando bezerros de ouro ao invés de adorarem ao Dono da Igreja, atribuindo as conquistas dadas por Deus por intermédio do seu ministério a outra pessoa ou grupo.
Não foi apenas Moisés que passou por isso, mas a Bíblia está repleta de casos em que os pastores, profetas e missionários de Deus foram rejeitados injustamente pelas ovelhas que estavam confiadas a eles. Há um ensino para mim e para você na narrativa de Êxodo 32.
Líderes rejeitados, feridos, magoados e tolhidos têm sempre diante de si a opção de “abrirem uma nova igreja”, começarem tudo de novo, negando o povo que lhe rejeitou e feriu. É quando o deserto se instala na alma que mais corremos o risco de nos iludir com qualquer miragem, crendo que ela possa ser um oásis de novas oportunidades. Quando não é.
Muitos saem correndo na direção desses oásis para, só depois de muito tempo, perceberem que não chegaram a lugar algum. Mas e Moisés, o que ele fez? Ele teve a coragem de abrir mão dos seus legítimos direitos e interceder pelo povo que lhe havia desprezado! (Êx 32:11-13).
Sim, ele pediu em favor de um povo que só o tratava injustamente. O próprio Deus fizera a proposta para Moisés ser um novo patriarca; ele seria o “pai de muitas nações”; o novo fundamento para uma nova era. Seria muito mais fácil seguir esse caminho… Mas ser líder nunca foi seguir o caminho mais fácil.
Colocar os joelhos no chão, abrir mãos dos próprios justos direitos e pedir em favor daqueles que nos perseguem é o que a Bíblia chama de mansidão. Por isso, a Bíblia diz: “E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12:3; ARC).
Ensino 5: O líder deve sempre interceder pelo bem do povo que Deus lhe concedeu, ainda que esse povo se erga contra ele injustamente.
Leia também o 5º artigo desta série: “José, o líder fujão“.
Publicado originalmente no GospelPrime.

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