sábado, 15 de julho de 2017

A TMI e a formação da diabolicíssima trindade (parte 1)

Equidna pariu muitos filhos sobre a terra dos homens. Muitos de seus filhos, verdadeiras aberrações, sobrevivem graças ao poder demoníaco da adaptabilidade e do disfarce. Dentre os tantos filhos dessa criatura, estão a TL (Teologia da Libertação) e a TMI (Teologia da Missão Integral), versão protestante, uma espécie de gêmea siamesa da TL.

Quero apresentar uma série de reflexões nascidas em sala de aula a partir de um curso que tive com um professor adepto da TMI. Nessas aulas, pude ver mais de perto o que vai na mente de um pensador desse movimento e compreender melhor a cosmovisão que subjaz a esse sincretismo perverso entre cristianismo, marxismo e a psicologia moderna. Desejo expor o perigo do viés autoritário e legalista da TMI, todavia, sempre pautado nas minhas anotações e análises das aulas que tive.

A TMI se apresenta como um perigo muito maior do que a perniciosa Teologia da Prosperidade. Para que você compreenda isso, quero explicitar a diferença fundamental, ao meu ver, entre a TMI e a TP e que faz da primeira uma cilada que tem tragado a muitos incautos no meio missionário brasileiro. Muito mais do que usar o marxismo como ferramenta metodológica para uma análise da situação social e econômica do homem no nosso tempo, o verdadeiro perigo se encontra no fim do enredo ao qual pretende chegar a TMI: a criação de uma diabolicíssima trindade. Feita essa introdução, sigamos em frente.

Perguntaram ao Papa Francisco por que ele não se pronunciava mais sobre o terrorismo islâmico e a resposta dada por ele serve para ilustrar a mentalidade do movimento da esquerda cristã: “Por que eu deveria fazer isso? Católicos batizados matam todos os dias suas namoradas na Itália”!

Essa lógica distorcida é a mesma utilizada contra cada brasileiro que começa a cobrar dos políticos uma ética diante dos escândalos da corrupção: “Por que você está reclamando? Você fura a fila todo dia, você avança na via acima da velocidade permitida, você frauda o imposto de renda, você suborna a polícia na blitz de trânsito, você mente, você diz palavrão, etc, etc e etc”. Esse mascaramento intencional dos crimes contra o patrimônio público e do roubo de milhões e milhões, a partir da comparação com os possíveis delitos do cidadão comum, revela a hipocrisia da mentalidade subversiva que se apoderou do Brasil.

A TMI é, antes de tudo, uma teologia antropocêntrica e pragmática. Ela bebe nas fontes das ciências sociais nascidas no século XIX e também no liberalismo teológico europeu. Tudo isso apresentado sob a roupagem de um cristianismo preocupado com a “justiça social”, um cristianismo legal, um cristianismo do bem. Todavia, quando o adepto da TMI usa Cuba e a França como exemplos dessa justiça social e do modelo de igualdade ao qual se quer chegar, ou quando ele silencia diante dos horrores da ditadura venezuelana, logo se vê a artificialidade do sistema ficcional do pensamento dessa trupe de teólogos.

A TMI situa a origem da angústia do homem no “sistema predatório capitalista” e não na natureza totalmente depravada de cada um de nós. Assim, não é de se estranhar que René Padilha desconverse quando é questionado sobre o que ofertaria a um ser humano miserável com quem poderia se encontrar uma única vez na vida: pão ou a pregação do Evangelho. Mas qual é o cerne, afinal, da Missão Integral para os adeptos desse movimento teologal? É o cuidado com o outro! Embora essa resposta tenha seduzido muitos, ela precisa ser compreendida dentro do quadro da cosmovisão da TMI a fim de vermos o que se encontra por trás do véu de tanto amor pelo próximo. 

Quando o marxismo descreve nossas relações humanas como relações trabalhistas, ele estende isso para todos os contextos. Isso é uma maneira de descrever a sociedade em base de uma psicopatia absoluta, onde o homem é o lobo do homem. Porém, querido leitor, fosse assim, a humanidade já teria se extinguido há milênios e os homens não cederiam lugar às mulheres e crianças nos naufrágios mundo afora. 

Ainda que o pecado nos tenha atingido em todas as esferas do nosso ser, de modo algum isso significa que fomos atingidos absolutamente. Não somos monstros ou demônios como a visão marxista prega. Pregar que todas as relações humanas são orientadas pelo viés da exploração é uma doutrina herética de uma seita religiosa chamada marxismo. E transpor essa doutrina para as relações dentro da Igreja, a igreja pecadora, mas lavada no sangue do Cordeiro e santificada/santificando pelo Espírito Santo, é algo extremamente perverso.

Muitos dos pontos que lancei até aqui merecem um aprofundamento, porém, eles apenas são a moldura do foco das minhas reflexões nos próximos posts, que é constatar o ponto final ao qual a TMI quer chegar e que pouquíssimo vejo tratado nos artigos sobre o movimento: a criação da diabolicíssima trindade.


(Continua...)

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